O projeto “Crônicas do Imperador” nasceu de fato ainda em Feira de Santana, Estado da Bahia, no século passado, quando eu comecei a escrever notícias na escola em que permaneci até a conclusão do ensino médio. No Centro Integrado de Educação Assis Chateaubriand havia inúmeros cursos profissionalizantes que acessava o jovem da época a uma profissão, dentre os tantos, o curso de Redação, mas na minha época de estudos ele não mais vigorava, o que me deixou obrigado a escolher o Acadêmico.
Um mimeógrafo e algumas folhas de papel sulfite me deram a idéia de escrever um jornalzinho para circular nas salas de aula com o objetivo de difundir as idéias do movimento estudantil da época da ditadura; tal jornal circulou por pouco mais de um ano e chamava-se “Renovação Estudantil” e foi ele que me levou a direção do Centro Cívico e posteriormente a direção da Casa do Estudante de Feira de Santana (entidade de classe do movimento estudantil secundarista).
Ainda no movimento estudantil, em plena época de repressão militar, fui convidado para escrever em um jornal diário da mesma cidade, o “Feira Hoje”, onde assinava uma coluna semanal que debatia os problemas dos estudantes. Desde então, outros jornais viram em suas máquinas planas e rotativas algum tipo de texto de minha autoria a exemplo do “Imprensa Livre”, “Reconvale”, “Folha do Norte”, “O Brasil” e “Feira Noite e Dia”. Meu sonho era ser jornalista, mas em minhas veias pulsava o teor das ciências jurídicas e meu estilo livre de viver me deixou afastado da escrita por vários anos, até a chegada da internet em meu convívio.
Publicar um artigo meu tornou-se uma batalha, pois desde cedo adotei um estilo seco e sarcástico de escrever, com uma pitada forte de agressividade, sobretudo quando o assunto era “desigualdade social”. Nada esta vida me deixa mais chateado e triste do que ver pessoas sendo usadas pelos poderes para engrandecimento de um grupo de privilegiados, eu costumo chamar isso de canalhice e foi pensando assim que comecei a escrever e publicar há cerca de 10 anos em páginas esporádicas da internet, mantendo o sonho de um dia ter um veículo próprio para não ter que pedir a ninguém que publique meus textos.
Em 2002 aportei minhas forças em Belo Horizonte após passagem traumática por Curitiba e aqui, nesta terra que adotei como minha segunda casa, conheci pessoas de caráter e cultura refinada, a exemplo do Dr. Gilmar Xavier; voltei a escrever textos com o mesmo estilo de antes e passei a publicá-los no Blogger com o nome de “Crônicas do Imperador” até o dia em que tive o prazer de conhecer a seleta equipe do Via Net, por meio de seu mentor Neison de Paula e numa noite de pouco sono, bebendo uma cachaça mineira, tive a idéia de instituir o www.irregular.com.br.
As Crônicas do Imperador migraram para o Irregular e o passo seguinte era deixá-las cada vez mais profissionais. Busquei meu registro de Jornalista Profissional, paixão antiga, e fui em busca de um lugar na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), nascia então, em 27 de novembro de 2006 a primeira publicação oficial do Irregular com a promessa de um dia todo o acervo virar um livro.
O Irregular é uma célula livre de idéias literárias que deseja contribuir com a melhoria de alguma coisa, seja o que for desde que seja para o bem da maioria, discernindo sobre temas de impacto popular através dos meus textos e de quem mais desejar. Este portal de notícias comentadas é livre de quaisquer amarras partidárias, religiosas ou econômicas e está se mantendo desde 2006 sem nenhum tipo de ajuda financeira; custeado e mantido exclusivamente com meus recursos e alimentado em seu teor pelos fatos do cotidiano e relatos históricos intrigantes que merecem ser discutidos e lidos por todos, para o engrandecimento da cultura e da lingüística.
Eu jamais esperei recompensas materiais ou elogios, muito menos o incentivo de nenhum editor, catedrático ou empresário; meus textos correm o mundo, sabe-se Deus como, e manter-se-á ativos enquanto massa encefálica eu tiver e forças nos dedos eu puder empregar em meu computador.
Agradeço todos os dias aos meus parceiros, que mesmo sem querer, ajudam o Irregular e as “Crônicas do Imperador” serem vistas por mais de 5000 pessoas por mês sem nenhuma propaganda, muito menos artifícios banais utilizados nos buscadores da internet, da mesma forma que agradeço a paciência de minha esposa Cristina e da minha filha Mariana, que têm que me ver às vezes, acordado até as 5 horas da manhã, para poder finalizar e publicar um novo texto, apenas pelo prazer intrínseco que já nasceu comigo e se desenvolveu naturalmente por todos estes anos.
Acima de qualquer adversidade cotidiana, eu amo fazer isso aqui e faço por prazer!
Carlos Henrique Mascarenhas Pires