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VAMOS FALAR DE DEUS?

Terça feira, 13 de Agosto de 2013
VAMOS FALAR DE DEUS?VAMOS FALAR DE DEUS?VAMOS FALAR DE DEUS?

 Hoje eu quero falar sobre Deus!

 

Mas primeiro você precisa saber quem eu sou! Eu nasci no Nordeste e minha família sempre foi fervorosa católica praticante. Desde criança que eu via minha avó e minhas tias entretidas entre as rezas das novenas e das trezenas; muitas delas praticando na casa da fazenda uma passei todas as férias de minha infância.

Aprendi as rezas principais logo cedo; mesmo tempo em que fui obrigado a frequentar as aulas de catecismo para a obtenção da Primeira Comunhão, ritual que pratiquei em pleno Terreiro de Jesus no Pelourinho, na velha igreja de São Domingos; e neste mesmo tempo, também tive acesso a outras práticas: a política! E com a política, veio a leitura e o discernimento das coisas da vida.

Até esta época eu sabia que aquele sujeito que passava por mim com a bíblia debaixo do braço e de paletó, era “crente”; uma espécie de fugitivo das amarras do catolicismo. E os que veneravam os santos e iam para a igreja todo domingo, os católicos. Mas e aqueles que andavam comigo na militância estudantil com pensamentos revolucionários? Estes eram os ateus! Era assim que tudo funcionava em minha cabeça juvenil!

O tempo passou e eu fiquei completamente afastado de tudo aquilo que minha família queria pra mim, a frequência na igreja. E tudo chegou ao ponto de haver renúncia formal de todos os laços que eu fiz com a Santa Sé. Encaminhei petição ao Bispo renunciando a eucaristia que me foi imposta quando criança. Eu entendia e tinha certeza de que todo homem precisa ter livre arbítrio para escolher a professar a sua fé; e que também ele podia não ter fé alguma; e que mesmo assim, seria um filho pródigo do Criador, desde que jamais praticasse o mal!

Não sei bem se eu tinha razão, mas desta forma, respeitando a fé de cada amigo; eu conseguia fazer bons amigos, muitos deles protestantes, católicos e até alguns confessos ateus. Era comum eu frequentar casas de adventistas, Testemunhas de Jeová com igual emoção amigável que visitava casas onde as família eram da umbanda ou candomblé; e muito mais tarde, da mesma forma, passei a ter amigos judeus, budistas e mulçumanos...

O fato é que o tema “Deus”, em nada tinha a ver com a religião; e era assim que eu queria tecer a minha vida; até que veio o meu primeiro consórcio! Me empolguei com alguém que sonhava entrar numa igreja católica de véu e grinalda. Pus a pique décadas de combate a história imunda do catolicismo e os dogmas que eu próprio criei, numa mistura científica literária entre Marx, Lenin, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Paulo Coelho, Mãe Menininha do Gantois, Irmã Dulce e Desmond Tutu; e lá fui eu entrar numa igreja católica ao som de Eleanor Rigby dos Beatles, de braços dados com minha querida e católica avó; contra a vontade do Padre João...

Naquele momento eu entendi que o criador está em todas as partes; e infelizmente não está em todos os corações! Aquele que cobiça o que não é seu por direito; que mata; golpeia; esparge a cizânia; não confia na paz ou na bondade do próximo, infelizmente habita o único lugar onde Deus não se faz presente! Pouco importava onde eu estava casando; o mais importante era ter amor; e toda simbologia oposta, seria fácil de superar.

Temos que ter firmeza em discernir entre Deus e Religião; e como você pode me persuadir a confiar em seu amor e sua sujeição a Deus, se você não impetra o amor, justamente, a tudo aquilo que ele criou? Ou você não crê que Deus criou todas as coisas da Terra, ou ama algo que genuinamente não é Deus! Eu nunca disse que não cria em Deus; eu apenas não acreditava, como permaneço não acreditando, que a religião professe genuinamente aquilo que se explica por obediência aos ensinamentos de Deus...

Até hoje acredito que a concepção de uma sociedade serena e justa, também passa pela faculdade exercida através da oração; quando de coração puro, se consegue evocar coisas benévolas...! É desta forma que eu consigo enxergar Deus em um determinado lugar ou em determinadas pessoa...

Tão logo encerrou a cerimônia de enlace religioso de meu consórcio, encerrava também o meu último laço com a igreja. Eu havia visto de tudo, lido sobre tudo; e havia visto um padre esbravejar comigo, só porque eu queria entrar numa igreja ao som de Beatles. Era o cúmulo, pois eu não acredito que Deus tivesse renegado aquela turma de Liverpool...

Passei a adotar a minha religião; a religião pessoal que fundamenta a fé de forma inequívoca sobre Deus. Eu não acredito na santidade de qualquer profeta, mas acredito que alguns deles, dentre os tais, Jesus, idealizou pilastras e dogmas que RARAMENTE SÃO SUSTENTADOS E SEGUIDOS. É importante socialmente se afirmar cristão ou temente a Deus, mas esta afirmação é um engodo público, porque a maioria dos que auto afirmam crentes e tementes a Deus, sequer sabem ao certo quem é Deus.

O mais engraçado em minha vida foi ver pessoas lutando pela afirmação da bússola da fé. Muitos seguem a bíblia sagrada, outros enxergam a salvação no corão e outros no torá; e a grande parte destes tantos sabem ou acreditam que o mesmo Deus professado nos três livros é o mesmo. A base de cada opúsculo destas religião é o mesmo Deus; e ao invés de se unirem em volta da mesma fogueira de bondade proferida, eles se matam e se odeiam. Isso não é coisa de Deus, pelo menos para mim...

Em cinco década de vida, eu sempre fui sincero com todas as pessoas. Sempre afirmei minha admiração por Maomé, Jesus Cristo ou Davi, mas sempre deixei muito claro que jamais acreditei que Deus tivesse um filho único; e que desse todos os poderes a este unigênito para modificar o planeta. Não há como me convencer, pelo menos de forma plausível, que Deus concebesse o poder absoluto a esta ou a aquela pessoa, rotulando como seu principal pupilo, uma vez que foi ele próprio que criou a todos como sua imagem e semelhança; e nos deu livre arbítrio para agir da forma que desejássemos...

Outra coisa que trinca em minha cabeça limitada é entender como um Pai amoroso, Deus, pode escolher quem deve morrer ou viver? Ok! Você pode me dizer que Deus exerce o Poder absoluto sobre tudo que criou; e que sempre se deve retirar de nossa convivência aqueles que não creem em sua existência; mas então o que dizer de minha sobrinha, que morreu na barriga de sua mãe, deformada e anomálica, filha de dois crentes em Deus? Não há explicação plausível, senhoras e senhores! Deus não interfere nestas coisas; e quem crê assim, com certeza crê também em outras coisas...

E o que falar do ladrão, do assassino, do estuprador ou do corrupto que vive décadas fazendo o mal sem ser punido aqui? Será que eles são melhores do que as crianças que morrem de fome ou do pai que morre atropelado?

Tem mais coisas estranhas a respeito daquilo que dizem ser de Deus; e a que mais me deixa enojado é ter que entender que devemos fazer sacrifícios para poder alcançar a benevolência de Deus. É obvio que a nossa vida é repleta de sacrifícios, mas me fazer crer que eu devo me sacrificar, sendo que o fruto deste holocausto pessoal enriquecerá outro, somente para ter o rótulo da bondade de Deus; é o mesmo que rotular este distinto como filho único de Deus!

A própria Bíblia sagrada a Bíblia nunca tenta provar a existência de Deus, antes, ela supõe a sua existência desde o início como em Gênesis 1:1. O que a Bíblia faz é revelar é a natureza, o caráter e a obra de um Criador. Pensar corretamente sobre Deus é de extrema importância porque uma falsa ideia sobre Deus é idolatria. No Salmo 50:21, Deus reprova o incrédulo e muitos interpretam isso, a famosa frase "Você pensa que eu sou como você?", como se Deus punisse severamente quem não lhe acredita; e eu, que interpreto de outra forma, afirmo: - como Deus pode ser perfeito, misericordioso, bondoso e sábio, se pune sua criação que não é dotada de discernimento? Isso é completamente paradoxal e literalmente foi criado pelo homem que queria ter o Poder de Deus!

Para eu acreditar no Deus que pune severamente o ignorante, tenho que discordar de pontos bíblicos, tais quais: Deus é justo, Atos, 17:31; amoroso, Efésios 2:4-5; verdadeiro, João 14:6; e santo, 1 João 1:5. Deus mostra compaixão, 2 Coríntios 1:3; misericordioso, Romanos 9:15; e graça, Romanos 5:17. Deus julga o pecado, Salmos 5:5; mas também oferece o perdão, Salmos 130:4.

Tenho que ser pleonástico, mas não posso omitir: - como pode Deus ser justo, amoroso, verdadeiro, santo, ter compaixão, misericordioso e oferecer o perdão, se antes ele pune de modo a ferir, extenuar, fragilizar e humilhar?

Precisamos falar sobre Deus de forma histórica, se é que é possível fazê-lo. Ao longo da história da humanidade a ideia da existência, definições e formas de compreensão dos deuses; Deus em uma perspectiva monoteísta moderna; assumiram várias formas distintas; encontrando-se as mesmas, de uma forma ou outra, presentes em todas sociedades e grupos já existentes; e variando desde aquelas associadas às primitivas formas de crença pré-clássicas, provenientes das tribos da antiguidade, até os dogmas das modernas religiões, amplamente difundidas na civilização atual, portanto, Deus, ou o Criador, existiu desde sempre. Não se imaginava uma sociedade sem a presença de um balizador maior, porque todos os povos sempre se perguntaram: como tudo começou?

Só não podemos renegar os fatos de que este Deus que conhecemos (ou tentamos), da forma que nos é passada ao longo da história, menos da metade do mundo conhece. Mais da metade do mundo crê em outro tipo de concepção divina que em nada se iguala ao Deus pai; o Deus das religiões que conhecemos; e nem por isso devemos julgar que estes outros povos são mais ou menos agraciados do que nós. Dois dos países mais populosos do Planeta não creem num Deus bíblico; e um deles, a Índia, cultua milhares de deuses!

Então, voltamos ao ponto inicial: - O que é Deus? Onde está Deus? Quem é Deus? O que faz Deus?

Deus é a forma mais perfeita, a força máxima que criou e sustenta tudo que somos. Deus está em todos os lugares, mesmo naqueles que não arquitetamos. Deus é aquele em que os mistérios se sustenta, sem que nada ou ninguém o revele em transferência. Deus executa apenas a perpetuidade de sua própria obra; e quanto a nós, humanos, resta-nos acreditar que ele existe, pois é isso que nos baliza entre pisar na rocha ou na lama; entre comer o pão ou chafurdar no lodo; entre fazer o bem ou padecer de todo mal que há...

Quem confia é crédulo; quem não acredita é Incrédulo, ateu e para as igrejas, herege. Mas eu acredito que é melhor um herege que faça somente o bem, do que um crente que acorda pensando em somente se dar bem; e é neste ponto que entra aquele que muitos evitam falar: o demônio!

E agora você me pergunta: - Qual é a sua religião? Minha única religião é fazer o bem, mas muitas vezes eu falho; porque não fui, não sou e não pretendo ser Deus! Eu tenho uma missão; acordar a potencialidade interior que há dentro de mim; e que isso auxilie em minha ampliação espiritual de fraternidade, respeitando a liberdade individual e a igualdade de todos os meus semelhantes!

Não sou emblemático, bruxo, crédulo ou agnóstico; sou um aprendiz que nada sabe; e que busca a harmonia traçada entre o cinza que pode virar preto; e o branco que pode esvair-se em sensatezes e cautelas...

 

Eu sou apenas, Carlos Henrique Mascarenhas Pires!



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