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UMA VELA PRA DEUS E A OUTRA...

Segunda feira, 11 de Fevereiro de 2013
UMA VELA PRA DEUS E A OUTRA...

(do Rio de Janeiro) A notícia de que Bento VXI renunciará ao cargo de Papa da Igreja Católica não me deixou surpreso; eu só não sabia até quando ele disfarçaria sua insatisfação quanto as diretrizes da Santa Sé. Desde que assumiu o Pontificado do Vaticano pela morte de João Paulo II era óbvio que o alemão e nazista Joseph Alois Ratzinger jamais se enxergou alegre com o fato de comandar uma das mais secretas facções religiosas; a as razões são mais óbvias do que se imagina...

A cronografia histórica que envolve esse ex-marido de Cristo corrobora com a tese de que ele jamais quis ser religioso; e em sendo, forçado, usufruiu de todos os benefícios que lhes foram atribuídos, mas jamais deixou de curtir a vida a sua maneira. O amante confesso de bons charutos e excelentes conhaques, os mais caros do mundo, tinha convicção de que o Conclave de fato fez um conchavo para deixa-lo momentaneamente no cargo; e para não vê-lo se tornando uma espécie de Paulo VI às avessas, o pressionou tanto que o velho alemão não resistiu e pediu pra sair.

Em 19 de abril de 2005, perante o Colégio de Cardeais, após o escrutínio de seus mais de 80 votos, o então Cardeal Ratzinger, meramente desconhecido do mundo comum, jurou perante seus pares e disse: “Eu prometo não diminuir ou mudar nada daquilo que encontrei conservado pelos meus probantíssimos antecessores e de não admitir qualquer novidade, mas de conservar e de venerar com fervor, como seu verdadeiro discípulo e sucessor, com todas as minhas forças e com todo empenho, tudo aquilo que me foi transmitido. De emendar tudo quanto esteja em contradição com a disciplina canônica e de guardar os sagrados cânones e os decretos dos nossos Pontífices, os quais são mandamentos divinos e celestes; consciente de que deverei prestar contas diante do juízo divino de tudo aquilo que eu professo. Eu que ocupo o teu lugar por divina designação e o exerço como teu Vigário, assistido pela tua intercessão. Se pretendesse agir diversamente, ou de permitir que outros o façam, Tu não me será propício naquele dia tremendo do divino juízo. Portanto, nós submetemos ao rigoroso interdito do anátema, se porventura qualquer um, ou nós mesmos, ou um outro, tiver a presunção de introduzir qualquer novidade em oposição à Tradição Evangélica, ou à integridade da Fé e da Religião, tentando mudar qualquer coisa concernente à integridade da nossa Fé, ou consentindo a quem quer que seja que pretendesse fazê-lo com ardil sacrílego.

Depois do juramento, Ratzinger foi obrigado a deixar a vida boêmia das ruas de Roma para se enclaustrar permanentemente por raras paredes secretas que dividem os tantos palácios vaticanos; e automaticamente, ele que foi Prefeito, virou Rei. E se para ser padre, todos simbolizam o noivado com Cristo; para ser Papa, último grau hierárquico da Santa Sé, Ratzinger casou-se com Cristo; e agora, depois de sua decisão polêmica, com certeza, Bento XVI divorciou-se de seu guia espiritual?

Muitos divulgam que Bento XVI foi nazista (ou ainda é), mas isso jamais retirou qualquer convicção que eu tenho de Joseph Ratzinger. Da mesma forma que sua vocação clerical foi forçada pela família aos 10 anos de idade, sê-lo nazista também lhe foi imposto. Devemos lembrar que na época em que Ratzinger tinha entre 10 e 15 anos a Alemanha era tradicionalmente regida por Hitler e este impôs que todos os jovens de sua época fossem de fato nazistas; e o jovem futuro Papa foi e usou uniforme militar com a suástica brilhando no peito, caso em contrário, poderia sofrer os amargores da ditadura hitleriana, inclusive a morte. E então! Depois disso, você seria ou não nazista?

Conta a história que Ratzinger foi também soldado nazista aos 16 anos. Ele trabalhou com a bateria antiaérea e trabalhou de forma forçada em um campo de trabalho na fronteira com a Áustria. Depois da guerra ele foi preso pelos aliados e só voltou pra casa depois que completou 18 anos. O então seminarista acidental precisou de mais alguns bons anos até ser ordenado padre em 1952. Depois disso a carreira do jovem nazista deu cabriolas homéricas. Em 1977 se tornou bispo; e em 1993, passou a ser Cardeal-Bispo, o mais alto cargo hierárquico abaixo do Papa; mas antes, participou de dois Conclaves: o de 1978 que elegeu Paulo I e também o de 1978 que elegeu João Paulo II.

Uma igreja não sobrevive sem fieis; e estes precisam cuidá-la carinhosamente com dinheiro. A Santa Sé passou a administrar um forte declínio de poderes desde o primeiro Concílio de Niceia em 325 DC. É notável e evidente que atualmente mais e mais pessoas migram suas convicções religiosas e dogmáticas para outras instituições. Os ditos protestantes são os que mais cresceram, sobretudo, porque não distinguem seus fiéis pelas preferências. A igreja Católica também afirma não distinguir, mas as posições firmes de Ratzinger contra algumas destas preferências pessoais, como o homossexualismo, afastou fieis e contrariou clérigos...!

Lembrar que ele jurou não admitir qualquer novidade, pode também incluir suas posições pessoais; e noutra parte de seu juramento, Bento XVI afiançou que se pretendesse agir desigualmente, ou de permitir que outros o fizessem, Deus não lhe seria propício para o advento de sua missão; portanto, com tantos pensamentos diferentes dos seus; e sabedor de quem manda mesmo é a Cúria Romana, no meu ponto de vista, Bento XVI resolveu desquitar-se da esposa de Cristo, a Igreja Católica; fazendo o mesmo que Gregório XII em 1415. Gregório recebeu o cargo pós renúncia de Bispo de Porto; resta saber o que será de Joseph Ratzinger depois de 28 de fevereiro!

Clemente I, o primeiro Papa da história, também renunciou; sé que em favor de Evaristo. Depois da renúncia, Clemente recebeu de presente uma detenção, onde ficou até morrer; o mesmo ocorreu com Ponciano e Silvério. Já Bento IX em 1045, renunciou em favor de Silvestre III, mas voltou ao cargo e mais uma vez renunciou para que Gregório VI assumisse. Já Celestino V em 1294, com menos de 4 meses de pontificado, renunciou e foi viver como eremita!

A grande pergunta é: quem sucederá Bento XVI? O mundo se pergunta se é possível haver agora um Papa que não seja europeu, sobretudo um americano? Isso quem vai decidir é o Colégio de Cardeais; e só pode ser eleito o Cardeal que estiver com menos de 80 anos na data do Conclave. Muitos nomes são apontados como prováveis Papas; Claudio Hummes e João Braz de Avis são os únicos do Brasil que aparecem na bolsa de apostas que existe há séculos em Roma. Na linha latino-americana há também o hondurenho Oscar Maradiaga; o argentino Jorge Bergoglio; e o mexicano Norberto Carrera. Também aparecem como prováveis Papas o filipino Luis Tagle; o italiano Angelo Scola; o canadense Marc Quellet e dois africanos da Nigéria: Francis Arinze e John Onaiyekan; lembrando que são mais de 100 os prováveis aspirantes do Clero.

Li alguns artigos de vaticanistas de carteirinha que afirmam que este novo Papa deve ser de fato novo; um sujeito mais jovem que saiba conduzir os destinos da Santa Sé com a cabeça voltada também para a atualidade; mas eu acredito que o próximo Papa não será tão jovem. Ele deve ter entre 68 e 75 anos, tempo suficiente para analisa-lo e não arriscar em grandes mudanças, pois um pontificado muito longo pode gerar mitos e dores de cabeça para a Cúria. João Paulo II, que ninguém apostava nem 3 anos no cargo, ficou por quase 30 anos. O mundo gostava dele, mas os cofres de grãos mestres da igreja, não!

O Pontífice eleito, depois de anunciada a fumaça branca na chaminé da Capela Cistina, ocupará aquilo que eles chamam de “Trono de Pedro”. Automaticamente este novo Papa seguirá com os mesmos ritos de milhares de anos, inclusive o de casar-se com a Noiva de Cristo, a sua igreja; ou de se tornar também um elo firme entre Deus e seu povo. Depois disso, cabe ao novo Papa decidir o que fazer com o Cardeal Joseph Alois Ratzinger; sim, porque ele renunciou ao papado e não a Cúria; Ratzinger permanece Cardeal e de tal forma, pela Lei Canônica, ajuda a eleger o novo Papa também, mas já não pode ser votado por várias razões, inclusive a idade.

O Cardeal Ratzinger será peça crucial na escolha do novo nome, pois enquanto Papa, reuniu poderes inimagináveis dentro da Cúria e com certeza o fará aflorar durante as reuniões de eleição; seja para enxergar a sua igreja administrada de acordo com seus dogmas, seja para ver-se livre de uma punição severa; pois segundo um grande amigo que mora no Vaticano e exerce grande influência junto a Cúria, muito mais grave do que não querer ser Papa é abdicar-se de estar ao lado de Pedro no trono mais misterioso, apostilado, ambicionado e conjurado do mundo.

No meu livro ainda não editado, “Cartas para a Posteridade”, ainda no primeiro capítulo, um trecho cita: “Todo caminho aponta para o adiante, mas retroagir não significa que tenha havido derrota, porque no final de um caminho também pode estar o princípio. Aprender a usá-lo e prepará-lo para a passagem da benignidade interior é o mais importante em qualquer marcha”. Eu finalizo o capítulo dizendo: “Não há probabilidade de se alcançar as revelações sem a cobiça conspícua de haver o conhecimento”.

Joseph Ratzinger apeteceu possuir o conhecimento e o poderes de um Papa; se tornou Bento XVI, mas não mediu as sequelas de sê-lo. Enquanto muitos o chamam de covarde; eu prefiro rotulá-lo de cauteloso. Ele entrou pra história quando se fez Papa e permaneceu nela quando acendeu uma vela pra Deus; e outra pra outro instituto...!

Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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