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SÉRIE TRÍPLICE FRONTEIRAS - O BRASIL ENCONTRA A FRANÇA

Sábado, 11 de Abril de 2009
SÉRIE TRÍPLICE FRONTEIRAS - O BRASIL ENCONTRA A FRANÇA

223 – GEOGRAFIA & TURISMO – Eu moro em Minas Gerais, mas antes daqui, morei na Bahia, tive passagens pelo Rio de Janeiro, Paraná, Brasília, Ceará, Estados Unidos, enfim, conheci e vivi em tantos recantos do mundo que meus olhos já não se comportam como no início de tudo. Um dos fatores que mais me atraem nestas viagens e nestas moradas, sem a menor dúvida, é a história e a geografia de cada um destes lugares; alguns podem chamar de turismo, mas eu chamo de conhecimento. Viver moderadamente os costumes de um lugar, conhecer seu passado e poder visitar pessoalmente os lugares mais importantes, são os motivos de tanta gana, para conhecer tais retiros.

Eu já citei que antes de pôr os pés no mundo, ou fora do Brasil, eu me permiti conhecer TODOS OS ESTADOS, com exceção de um, o Tocantins; eu conheço 80% das cidades da Bahia e já viajei pelo interior do Brasil como se fosse um mascate em busca de alguma aventura mais do que pessoal. Confesso que esta foi a minha maior e melhor universidade!

De todas as viagens, algumas em especial me deixaram emocionado devido a uma circunstância especial; até hoje quando eu visito uma região de fronteira entre países isso me deixa ligeiramente tocado e ainda bate uma vontade louca de desbravar todos os mistérios destes lugares. A posição geográfica nas fronteiras de nações é algo lúdico, intrigante; as vezes, os países são divididos por ruas, apenas uma avenida dividindo duas nações, como é o caso do Brasil com o Uruguai na altura de Chuí no Rio Grande do Sul e de um lado se fala muito espanhol e do outro o português, isso é sensacional, incrível e instigante a novas explorações.

Bem recente, quando estive na África, fui conhecer o Marrocos transpondo de barco o Estreito de Gibraltar e ao chegar a solo africano, do outro lado do Mediterrâneo, fiquei sabendo que eu ainda estava na Europa. Como isso é possível? Porque uma cidade européia (Ceuta), espanhola, estava localizada na África e ainda assim, não era África? Da mesma forma que na Europa, em solo espanhol há o território ultramarino de Gibraltar, britânico, que inclusive possui moeda própria, que não é o Euro, muito menos a Libra Esterlina. Eu que fui para visitar Portugal, Espanha e Marrocos, acabei, sem querer, estando oficialmente na Grã Bretanha; coisas como estas são o que fazem da geografia ser uma grande aliada do turismo e que muitas vezes, por falta de conhecimento, deixamos de conhecer lugares que proporcionam um raro prazer, o prazer do conhecimento.

Estas e outras perguntas me fazem pesquisar, perguntar e viajar em milhares de outros lugares e outras idéias; idéias que façam os leitores também viajarem através das palavras escritas, principalmente aqueles que não reúnem condições financeiras para tal. Pensando assim, reuni meus relatos, fotografias novas e antigas para desvendar alguns dos mistérios geográficos do Brasil, os mistérios das TRÍPLICES FRONTEIRAS.

Tríplice Fronteira é o lugar geográfico onde se encontram três países; um único ponto, que pode ser terrestre, fluvial ou marítimo, onde as terras de três países se encontram delimitando a junção, ou não, de três povos diferentes; no Brasil a mais famosa tríplice fronteira está no Paraná; é onde se encontram, ou quase isso, o Brasil, a Argentina e o Paraguai, mas o que poça gente sabe, ou imagina, é que temos outras oito tríplices fronteiras, nenhuma tão famosa ou conhecida como a do Paraná, mas importante para a soberania nacional, para a educação de nosso povo e para a cultura dos povos que vivem ao seu redor.

Eu mapeei todas estas fronteiras inusitadas começando pelo Estado do Amapá; numa clareira desmatada em plena Floresta Amazônica, cercada de muito verde, animais ferozes, povos indígenas e muita água, encontram-se o Brasil, a Guiana Francesa e o Suriname; esta é nossa 1ª Tríplice Fronteira, começando pelo mapa apontado para o norte.

A região é completamente desabitada, pelo menos não se tem relatos de civilização num raio de 100 km; existem algumas instalações militares nos arredores mantidas pela França, uma vez que a Guiana Francesa é um território ultramarino, ou seja, para se visitar o país, necessita-se obrigatoriamente de uma permissão de Paris. Em tese, se você visitar a Guiana Francesa, que é vizinha do Brasil, receberá o mesmo tratamento aduaneiro que se estivesse na França. Do ponto de fronteira citado são 380 km para Caiena, 390 km de Paramaribo e 459 km de Macapá; em qualquer direção, um mar quase intransponível de selva e inúmeros rios.

Visitar a região pelo Brasil somente com autorização expressa do IBAMA e do Exército Brasileiro e com guias credenciados por ambos. Também não imagine que você ou qualquer outra pessoa poderá visitar esta fronteira com fins turísticos, pois isso também não pode; a região é inóspita e de difícil acesso, portanto, para visitá-la, por enquanto, somente com fins científicos.

O turismo na Guiana Francesa é quase inexistente, salvo pelos franceses da Europa que querem estar próximos da Floresta Amazônica. As praias atlânticas da Guiana Francesa sofrem influência direta da bacia amazônica, portanto, são incomuns as “primas” próximas do Caribe. As águas são barrentas na maioria dos meses do ano e a infra-estrutura de hotéis e restaurantes, quase não existe.

A Guiana Francesa faz fronteira com o Brasil por quase 500 km de floresta, partindo do Oceano Atlântico, num ponto eqüidistante chamado de Cabo Orange, onde vivem alguns indígenas primitivos, até o limite com o Suriname. O local mais próximo habitado, entre o Brasil e o vizinho francês, é Oiapoque (Brasil) e Saint George de L’Oyapock, do lado de lá. Na linha divisória intrigante, muita floresta e rios; não há quase nada de civilização na linha entre os dois países; comunicação é inexistente, enfim, nos faz lembrar uma espécie de “elo perdido”, quase inimaginável em dias atuais, com tanta devastação.

E assim eu concluo esta primeira etapa da série TRÍPLICE FRONTEIRAS DO BRASIL. No próximo capítulo, a 2ª e 3ª tríplice fronteira e aproveitando para falar mais do Suriname e Guiana, estes dois vizinhos desconhecidos da maioria de nós.

Até a próxima e Paz Profunda!

CARLOS HENRIQUE MASCARENHAS PIRES



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