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SER OU ESTAR PEDREIRO

Terça feira, 20 de Outubro de 2015
SER OU ESTAR PEDREIRO

(da Cidade Estado do Vaticano) Na vida, na maioria das veredas que perfazemos, precisamos entender que “estamos” e raramente “somos”; e distinguir entre ser e estar é tão importante para a harmonia da vida, quando viver e se manter vivo. O homem, desde a concepção, precisa percorrer degraus e quando abrolha para a luz profana, permanece subindo degraus, pois descê-los significa um retrocesso. E quando esse homem enxerga a Luz Verdadeira, ele precisa saber e entender de fato, que na Grande Ordem não se permite descer degraus. 

 

Estacionar, talvez; lembrando que não é e jamais será o propósito de um pedreiro astuto manter-se estacionado, seja em qual degrau estiver. O pedreiro de verdade jamais sucumbe ao temor do intolerável. Dia pós dia é seu dever esquadrinhar seu caminho para subir os degraus fulgurados pelo Grande Arquiteto do Universo. 

Os Graus da Maçonaria, são meramente emblemáticos. Com base na verdade histórica e tradição autêntica, ainda é um apólogo. A lição líder de todos os Graus baseia-se na lealdade ao comprometimento, e como se não fosse muito ser leal e comprometido, o Maçom verdadeiro carece de alma ter tenacidade e perseverança sob as dificuldades e os desânimos, pois via de regra, se assim não o for, padecerá à sombra do desconhecido e da ignorância. 

A Suprema Ordem da Arte Real está envolvida em sua cruzada, contra a estupidez, o absolutismo, a intransigência, crendice, preconceito, falta de altruísmo, e principalmente ao erro. Aquele que aceita percorrer os mares ocultos não se pode permitir temer, jamais, a exaltação das tempestades. O verdadeiro Maçom precisa entender; e mais uma vez com a alma, que jamais encontrará mar calmo no caminho do entendimento da Luz Verdadeira. Ao invés disso, o Obreiro de Deus, na forma mais Justa e Perfeita, deve focar sua visão em um porto acolhedor onde aviste apenas princípios de conhecimentos milenares e que nunca lhe serão suficientes, enquanto fores vivo, para superar muitas correntes opostas e ventos desconcertantes. 

Os principais estorvos ao seu sucesso são a insensibilidade, o marasmo e falta de fé dos seus próprios filhos egoístas, e a sonolência excessiva do mundo. No peito de um bom Maçom bate um coração diferente, que além de pulsar sangue para alimentar o corpo, ruge paixões que muitas vezes toa a vida dos néscios. 

O homem é desde sempre envolvido em tumultos dos alvoroços políticos; e nessa epopeia desconcertante, ele esquece de abrandar a voz a quem mais precisa dela. Falamos muito de lealdade e repulsa a vaidade, mas enxergamos cada vez mais nossos diletos Irmãos comportando-se com a aversão da lealdade e submissos a vaidade, seja na vida com seus entes queridos, seja nos negócios, seja na política, seja em convívio com os Irmãos. 

Não podemos esquecer da voz tranquila da Maçonaria, que nos tine o martelo, nos ensinando a primeira lição que podemos traduzir quando mergulhamos nos mais antigos ensinamentos. E qual é essa primeira lição? Aquele que submerge em qualquer grande obra de jubilação ou humanidade, precisa unicamente ser leal e comprometido! Mas então, o que é que estamos fazendo? Estamos cada vez mais distantes da realidade. Estamos cada vez mais inventando cenas para nos afirmar Maçons, quando na verdade, essencialmente, alguns Maçons distraídos permanecem descuidados, mornos, e indiferentes a tudo o que não diz respeito a seu próprio compromisso! 

Cada degrau que precisamos percorrer na Maçonaria precisa ser entendido de fato e de direito. Não devemos subir esses degraus para regozijarmos em ostentação, para que todas as grandes obras do homem, lutando em direção à perfeição, sejam devidamente escritas com letras de ouro no livro dos Salmos que é reescrito todos os dias. 

O aficionado, que imagina que ele pode impor com seu próprio ânimo a multidão ao seu redor, ou mesmo os poucos que se associaram com ele como colegas de trabalho, é terrivelmente equivocado; e na maioria das vezes a convicção de seu próprio erro é seguido por desânimo e aversão de Irmãos que o admiram. 

O bom pedreiro deve fazer tudo, pagar tudo, e sofrer tudo também e, em seguida, quando, apesar de todos os entraves e cadeados, o sucesso é realizado, e um grande trabalho feito, ele não precisa olhar com indiferença para aqueles que se opunham ou olhou friamente sobre ele, pois esse não é o papel do bom e verdadeiro Maçom. Assim como os bons profanos, todos nós precisamos de reivindicações de júbilo a boa obra. Todos nós precisamos colher os elogios e as recompensas, pois é o destino comum e quase universal do benfeitor de sua espécie, o Grande Arquiteto do Universo, mas não enxerguemos isso, jamais com vaidade pessoal, porque tudo que se faz de bom à Maçonaria, deve ser exclusivamente para o bem da humanidade. 

Aquele que se esforça para quadrar o bem, para patrocinar e aquilatar o mundo, é como uma pipa que luta contra a fúria dos ventos para ir cada vez mais longe! 

Certa vez no Araguaia, após um ritual indígena em que fui honrado com um convite, notei um jovem índio levando na cabeça a sua canoa e a pondo num rio marginal muito bravo. Ele pôs a canoa na foz do rio bravo e remou bravamente contra a corrente até chegar num ponto fictício criado por ele; e quando após muito esforço conseguiu chegar, tirou a canoa da água, a pôs novamente na cabeça e a levou mais uma vez para a foz, repetindo inúmeras vezes a sua determinação e indo cada vez mais distante. Perguntei ao jovem índio, porque não ir de uma vez ao ponto mais extremo; e ele me disse: - Eu preciso entender cada gota d’água desse rio através de meu remo e com o esforço de meu corpo, ou jamais entenderei de fato aquilo que Tupã predestinou para mim! 

À época eu ainda não havia enxergado a Verdadeira Luz; e com base nos mistérios Rosa-cruzes onde percorri várias sendas, pude entender perfeitamente o que quis me dizer o jovem indígena. Aquele que peleja contra um fluxo acelerado pode ouvir vozes sobre a cabeça, pode até deparar-se com ondas iradas que confundirão sua visão do Mundo, mas aquele que nunca resigna a enfrentar as adversidades impostas pela ignorância, com certeza flutuará em calmas águas; e terão como recompensa o coração agudo e braços robustos, que sempre afrontarão a lâmina cega do infortúnio, em direção ao sucesso. 

Mas quem sou eu, que tem a moral de escrever tais coisas? Eu sou como tantos outros; e posso até escrever mais do que agir, mas me garanto em jamais estar imóvel e estacionário, como a maioria dos trastes que impedem a corrente do progresso maçônico! Posso não ser a rocha polida, mas não me permito a esterilidade da árvore morta que só serve para alimentar fogos momentâneos. 

Os maçons que duvidam e hesitam e são desencorajados; que não ACREDITAM na capacidade do homem para MELHORAR; que não estão dispostos a trabalhar duro e trabalhar para o interesse do bem-estar da humanidade em geral; que esperar que outros façam tudo, mesmo aquilo que eles não se opõem ou ridicularizam; enquanto eles se sentam, aplaudindo e não fazem nada, talvez, ou com certeza, só prognosticam seu próprio fracasso. 

Havia muitos homens assim na reconstrução do Templo. Havia profetas do mal e do infortúnio; gente morna e apática, que só serviam para zombar daqueles que pensaram e até fizeram obras em exaltação ao Grande Arquiteto do Universo. Assim como há milênios, hoje também há os corvos que ostentam medalhas e se dizem justos, murmuradores que pregam a tolice e a futilidade do tentame da fofoca. O mundo o mundo sempre foi feito de tal; e eles eram tão abundantes em outrora, como são agora! 

Assim como antes, nossos Irmãos de hoje ainda amargam oposições, muitas vezes dentro das suas próprias oficinas; e de toda a minha aplicação como Pedreiro; de todos os livros que me permitir ler a respeito da sublime Arte Sagrada e Real, posso afirmar que nossos Irmãos antigos perseveraram e nem todos tiveram sucesso, pois esse tal de sucesso, seja para quem for, é incerto, remoto e aleatório; e mais uma vez, devemos lembrar que SOMOS Maçons e como obreiros verdadeiros, é nosso dever, trabalhar com o gládio em uma das mãos e uma Rosa na outra! 

A Maçonaria nos ensina que Deus é um Ser Paternal, e tem interesse em suas criaturas, como é expresso no título Pai; um desconhecido interesse para todos os sistemas do paganismo, em todas as teorias da filosofia; um interesse não apenas nos seres gloriosos de outras esferas, os Filhos da Luz, os habitantes de mundos celestiais, mas em nós, pobres, ignorantes e indignos; que Ele tem piedade para os que erram, perdão para os culpados, amor para o puro, o conhecimento para os humildes, e promessas de vida imortal para quem confiar e obedecer-lhe. 

Lembremos, diletos Irmãos; que somos filhos de Deus; e não o próprio Pai! Antes de atirar uma pedra contra a vidraça, observemos melhor quem está por trás dela. Muitas vezes, agimos em detrimento da moral alheia e, nos esquecemos de traduzir a nossa própria moral. A pedra que vai no sentido do vidro, pode voltar-se no oposto do espelho... 

Devemos ter crença única e exclusiva em Deus, ou então, devemos também assumir o risco a vida é avarenta e viver num mundo é escuro, um Universo desvestido de suas magnificências! Quando SOMOS Maçons, temos que ter a certeza do empate intelectual à natureza dos homens, para que gozemos do charme de existência. Não podemos nos permitir vagar através do deserto infinito das nossas concepções, sem atração, tendência, destino, ou no final! 

A Maçonaria Universal ensina, que, de todos os eventos e ações, que acontecem no universo de mundos e a sucessão eterna de idades, não há um, mesmo os mínimos, que Deus preveja, com toda a nitidez da visão imediatista, combinando todos, para que tenham livre arbítrio; e que todos nós sejamos Seu instrumento, como todas as outras forças da sua natureza; e mais uma vez, repetindo o já escrito; não podemos confundir jamais, Criador e criatura! 

O Grande Arquiteto do Universo, por filosofia absoluta das pedras lapidadas, ensina-nos que a alma do homem é formada por Ele com um propósito; que, edificados em suas proporções, e formado em cada parte, pela habilidade infinita, uma emanação do seu espírito, a sua natureza, necessidade, cujo projeto único é a virtude. 

É assim formado, de modo exatamente equilibrado, tão primorosamente proporcionado em cada parte, que o pecado introduziu no homem a mais absoluta miséria; que os pensamentos viciosos caíram em cima de nós como gotas de veneno. -Somos ou não somos feitos para a virtude? E se de fato o somos, porque então nos prostramos sob o batente do malefício e insistimos em disfarçar isso em bondade diante da Grande Ordem? 

A bem da verdade, o que não poderia acontecer, a menos que tenha começado com o erro, a ignorância e imperfeição, ocorre e muitas vezes na vida de todos, e erroneamente, dizemos para nós mesmos que isso é o justo! 

Temos de passar pela escuridão, para alcançar a luz. Temos que viver o lado “a” para poder entender o lado “b” de cada coisa, de cada fragmento de experiência, ou estaremos fadados a pensar que somos Maçons, quando na verdade, indignamente, “estamos” Maçons. Quem “está” Maçom, por bem da verdade, iniciou; e pode ter percorrido 33 Degraus, mas em reto fato, sequer pisou o Primeiro Degrau da Luz! 

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires



Comentários 2

Cinéas David Viana

Quinta feira, 16 de Fevereiro de 2017, às 02:48
Transcendentes... concretamente as relações no meu entender são metafísicas e pode nos levar além, mostrando as causas e os princípios com a ontologia e cosmologia. E quando um ser se torna consciente sai da escuridão e passa ver a luz, teve que viver o lado A para entender o lado B, e divisar a grande lacuna entre ¨esta¨ e ¨estamos¨. Belo texto.

Eduardo Paulista

Sexta feira, 15 de Julho de 2016, às 07:01
Não sou e nem estou Maçom, sei pouco sobre a ordem e o pouco que sei é sempre por estudar e ler muito sobre a maçonaria, não por curiosidade e sim admiração e respeito ao ofício por vocês pedreiros executado. em especial gostei do seu verdadeiro texto, parabéns



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