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SEM CHANCE PARA A PAZ

Segunda feira, 03 de Dezembro de 2012
SEM CHANCE PARA A PAZ

Para que tenhamos uma breve noção do que significa esta animosidade entre os judeus e os árabes, precisamos, antes de tudo, saber o que é ser “judeu” e ser “árabe”; depois, num contexto político, histórico e geográfico, tentarmos voltar no tempo para ver como tudo isso começou; e o principal: porque permanece este ódio irrestrito até os dias atuais. Fala-se muito de uma luta armada entre os palestinos e os judeus de Israel, mas a animosidade concreta é nutrida entre os árabes e os judeus.

Os árabes são os integrantes de um povo heterogêneo que habita principalmente a região do Oriente Médio e de parte da África. Estas pessoas são nativas da península Arábica; constituída por regiões desérticas e clima subtropical mediterrâneo no litoral. As dificuldades de plantio e criação de animais fizeram com que seus habitantes se tornassem nômades, vagando pelo deserto em caravanas, em busca de água e de melhores condições de vida. Em geral se conhece um árabe por sua língua, seus costumes e não unicamente por religiosidade.

E quem são os judeus? É um grupo étnico da religião judaica; cuja fé tradicional da nação judia, é fortemente inter-relacionada, e pessoas convertidas para o judaísmo foram incluídas no povo judeu e judeus convertidos para outras religiões foram excluídos do povo judeu durante séculos. Judeus e árabes são originários de uma mesma região; são vizinhos e irmãos, se é que podemos classificar assim, há séculos. Eles dividiram e dividem até hoje o espaço restrito de cada palmo de chão do lado inferior do Mediterrâneo; e ao que indica a história, jamais se toleraram...

Acredita-se que haja atualmente cerca de 15 milhões de judeus e 500 milhões de árabes; e muitos devem se perguntar: então, porque os judeus já possuem uma nação própria e os palestinos, não? Primeiro é bom desmistificar: - Nem todo palestino é árabe, e nem todo árabe é palestino. Palestino é quem nasce na Palestina; e independentemente de etnia, os palestinos desejam também que haja soberania internacional de sua comunidade; o que ocorreu em Israel após a Segunda Guerra.

A inquietude entre os dois povos sempre existiu, mas a convivência entre eles, em geral, era menos conturbada do que agora; e somente ganhou estas proporções de sangue e ódio partir da década de 1890, após a fundação do movimento sionista, e principalmente quando judeus provenientes da Europa começaram a emigrar, formando e aumentando comunidades judaicas na Palestina, quer por compra de terras dos otomanos, quer por compra direta a árabes proprietários de terrenos.

No século XIX, quando propagava a ideia da migração em massa para o Oriente Médio, o movimento sionista cunhou um slogan famoso: "a Palestina é uma terra sem povo para um povo sem terra". A ideia não era de que o local estava vazio, mas sim de que os quase 500 mil habitantes do local no meio do Século XIX, sendo cerca de 350 mil árabes 80 mil judeus e ainda outros grupos nunca haviam formado um estado soberano naquele território, tendo sempre sido terras colônias de grandes impérios. Mas o que deixou os árabes residentes na região da palestina furiosos foi o fato de que fosse fundado um estado aonde à religião não fosse a islâmica. Estabeleceram-se assim comunidades agrícolas nas terras históricas da Judeia e de Israel, que eram então parte do Império Otomano.

A região onde hoje está Jerusalém sempre foi palco de grandes batalhas e sempre teve seu domínio administrado por nações de grandes exércitos. Ela já pertenceu a Roma, aos turcos otomanos e no final, antes de ser fundado o Estado de Israel, pertenceu à França e a Inglaterra; até quem em 1947 a ONU determinou a criação de dois Estados. Neste período o domínio da região era mantido pela Inglaterra; e dois dias antes da entrega oficial aos seus povos, conforme acordo da ONU; os judeus proclamaram a independência; e se aproveitaram para garantir muito mais do que o que foi acordado e que já havia oposição dos povos árabes.

Ainda com uma enorme ferida aberta por causa da 2ª Guerra; e pelo mundo ter assistido a tudo (praticamente calado), ao holocausto de Hitler, sem nada fazer; os judeus foram agraciados com uma nação formalmente constituída; e a ONU também se calou a época dos fatos e até hoje, pouco de escuta do organismo para que voltem a sonhar com a paz...

Em síntese, depois disso o que se viu foi Israel mandando e desmandando na região; e para tentar acordar o mundo e não deixar seu vizinho dormir, os árabes palestinos, vivendo em condições sub-humanas, sem nação e sem liberdade, exige ser reconhecido como país, atacando Israel com foguetes rudimentares. Já do lado de lá, em Israel, que é militarmente poderoso, os judeus impedem o acesso às áreas palestinas por ar, terra e mar; construíram um muro e revidam aos foguetes rudimentares com pesado poderio bélico; e até poderia dizimar o povo judeu, mas não o fazem porque o mundo, por enquanto, está do lado mais forte e o medo disso virar é muito grande.

Após mais de 6 décadas de promessas da Palestina se tornar um Estado fundamentado; após milhares de mortos; milhares de casas destruídas e uma crescente onda de ódio entre os dois povos, com a oposição de Israel e dos Estados Unidos, a Palestina foi elevada a Estado Observador Não Membro da ONU; o equivalente ao status do Vaticano. Para ser elevada a condição de Estado Não Membro, ela precisou de 97 votos; e ao final da assembleia os palestinos conseguiram 139 votos. Na verdade isso significa pouco neste processo, pois ser um Estado Não Membro é o mesmo que nascer sem pai e sem mãe; é o mesmo que não ter irmãos e ainda ser jogado na sarjeta após o parto.

O que a imprensa mostrou após a votação e eleição na ONU foi um povo alegre, vibrante e confiante no futuro; e mesmo sendo um filho sem pai, mãe ou parteira, para um povo que jamais teve nada, isso já é um bom indício.

Ocorre que depois da eleição e elevação da Palestina, mesmo significando nada diante do atual quadro, os israelenses não se conformaram e partiram para o ataque. Anterior a este fato o governo de Israel havia proibido terminantemente que seu povo construísse novos assentamentos em terras palestinas. Oficialmente a Palestina é território de Israel e duas porções de terras separadas, Faixa de Gaza e Cisjordânia, são rotuladas como território ocupado; isso significa que Israel permite a ocupação e que até pouco tempo não permitia que seu povo vivesse em determinados espaços ocupados.

Na época da proibição os judeus foram contra e os palestinos comemoraram; agora, com o incentivo israelense para reocupar as áreas, os palestinos voltaram a protestar. A ONU e os Estados Unidos também protestaram, porque entendem que esta medida dificultará ainda mais qualquer possibilidade de criação de um plano de paz. A alegria palestina durou menos de uma semana; e este fato somente aumenta a tensão na região. De um lado os palestinos visivelmente com languidez; e do outro, judeus receosos por novos ataques.

Em tese os palestinos esperam três coisas para se acomodarem; serem reconhecidos por Israel e utilizar de parte de Jerusalém como sede de sua capital. Também se espera que haja concessão de terras para unificar Gaza e Cisjordânia. Já Israel, em tese, afirma que estudará o caso após os palestinos reconhecerem oficialmente a autoridade de seu país; mas há dois problemas entre tantos; o primeiro é que a Palestina é oficialmente regida por dois grupos rivais, o Hamas (Gaza) e o Fatah (Cisjordânia); e isso é uma tremenda dor de cabeça para os próprios palestinos. Já o segundo problema é que oficialmente Jerusalém é uma cidade internacional cuja administração é de Israel e ninguém deseja vê-la como capital de um Estado Palestino; devido a sua máxima importância religiosa das três maiores crenças da terra. Nem mesmo Israel a escolheu como capital!

Todos estes ingredientes indigestos estão se misturando e cada vez mais se torna difícil separá-los para se tentar organizar um plano viável de boa convivência. Cada dia que passa se observa truculência de ambas as partes (Governos) e no meio disso há uma população aflita que ao dorme direito, pois o risco de acordarem em meio a um bombardeio é eminente. Bombas explodem nas ruas da Israel plantadas por homens radicais palestinos; foguetes cruzam o céu de Israel e caem nas cabeças do povo que está trabalhando; e em contrapartida, fortemente armado, enquanto um israelense morre por consequência desta violência incessante, dezenas, às vezes centenas, de palestinos pagam a conta com suas vidas; inclusive crianças, velhos e gente que jamais pretendeu ofender o outro lado.

O mundo ainda acredita numa solução diplomática, mas enquanto a ONU se mantiver covardemente temerosa; e imaginando ofender os Estados Unidos e Israel, isso jamais será possível. Enquanto nações de poder equivalente aos de Israel, se mantiverem na retaguarda dos fatos e a espera de um milagre, isso se tornará ainda pior.

Da mesma forma que os palestinos são sancionados por causa de seus atos de terrorismo, Israel já deveria ter sido severamente advertido, pois são visivelmente mais organizados e não contribuem com quase nada para o término deste impasse. Os dois lados já deveriam acordar para os ciúmes tolos e se ajustarem concretamente na obtenção, se não da paz, pelo menos do respeito, porque quando duas nações entram em guerra, independentemente do resultado final, ambas sairão derrotadas!

Não quero ser pessimista, muito menos pragmático, mas os dois lados estão errados; os dois lados estão matando e não importa se um mata mais do que o outro. Cada vida perdida neste conflito anódino e sem qualquer nexo somente está ocorrendo por causa de uma combinação entre radicalismo e ego. Não é uma questão religiosa, muito menos interesse econômico de alto valor; os dois lados querem provar que podem manter a ferida aberta sem matar o corpo, porque deste jeito é mais fácil ter motivo para visitar o médico e comprar milhares de remédios nas farmácias de amigos!

Eu conheço um pouco da história; eu já estive na região; sou amigo dos dois povos; e já vi muitos casamentos entre ambos (de fato). Para a manutenção de qualquer acordo entre duas partes precisa haver interesse mútuo e concessões mútuas; em contrário, a Terra Santa poderá virar a Terra de Anjos e Demônios!


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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