Vídeo em Destaque

+ Mais videos

Enquete

LULA SERÁ PRESO?
Crônicas do Imperador
na Rede

SE EU PUDESSE VOLTAR...

Terça feira, 28 de Junho de 2005
SE EU PUDESSE VOLTAR...

Imagine se eu tivesse o poder de voltar no tempo?

Talvez eu voltasse aos tempos do antigo Egito e mudava a forma de escrita; voltava à Roma para mostrar quão ignomínia foi condenar Galileu. A Nabuco Donosor, pediria para fortalecer os muros da Babilônia. Talvez pedisse a Santos Dumont que não tentasse fazer voar o 14 Bis e que empenhasse melhor naquele projeto de relógio de pulso e tantos outros que ficaram na gaveta, com isso, quem sabe aquela guerra não teria menos baixas?

Se eu pudesse fazer o tempo voltar, traria de volta tantos amigos que se foram; mataria primeiro a mãe de Hitler, antes de 1895. - Acho que para não correr risco algum, eu mataria o pai e a mãe...

Traria o Arque Duque Ferdinando para um passeio no Brasil, mostraria que as nossas favelas eram mais seguras que as ruas da Iugoslávia; e por mais que pudéssemos ter conflitos, ainda assim perderíamos menos gente que numa guerra mundial!

Dançaria o melhor dos tangos com Eva, descarregaria aquela arma que estava no andar superior do Palácio das Águias, só para ver se Vargas seria mais uma vez presidente e se seria tão adorado o quanto foi...

Convidaria John Lennon para uma visita a um templo budista em novembro de 1980, e só deixaria ele voltar de lá no Natal daquele ano. Acho que eu ficaria uns dias ao lado de Kennedy convencendo-o à não visitar Dallas, e quem sabe, se nem ouviríamos falar em Vietnã e Camboja?

Ah! Se eu pudesse voltar no tempo!

Tenho certeza que esta história que conhecemos seria toda ela mudada. Preferia que ninguém tivesse ouvido falar em Tiradentes ao invés de vê-lo na forca; talvez eu contasse aos holandeses que ao sul do Equador havia terras maravilhosas e que elas poderiam ser alvo de disputa entre portugueses e espanhóis.

Tentaria evitar os fatos que envolveram Carlos Lacerda na Guanabara; promoveria um “panelaço” no dia da revolta dos tenentes; trocaria idéias com Jango, Juscelino e Jânio...

Ah! Quão bom seríamos nós sem aqueles ridículos tiranos vestidos de verde oliva!

Mandava Conselheiro sair de Belo Monte antes daqueles assassinos...

Em 1962, naquela primavera ensolarada, talvez tivesse nascido alguém menos revoltado; talvez este alguém tivesse ajudado a gerar filhos mais gentis para esta pátria amada; filhos benditos criados neste solo fértil coberto de matas virgens.

Com que cara eu andaria por estes logradouros se fossemos todos comandados por esta massa acostumada a ser comandada?

Se eu pudesse voltar tudo; voltar no tempo como num passe de mágica, talvez eu não quisesse ter mais proles; e naquele 5 de junho de 1999 eu daria tudo para não ter nascido mais ninguém; nenhum imperador, nenhuma aventura de um acaso romântico!

Ninguém pode presumir a alegria que se possui num dia que nasce mais um “você”, senão você mesmo! Mas perder-se de você próprio, é como um suicídio, uma eutanásia...

Se eu pudesse voltar tudo, não faria nada do que fiz, não sairia da Bahia para conquistar o mundo,; e talvez me tornasse sacerdote, como eu queria, ou oficial da guerra, como queria meu pai; jornalista como aspirava minha mãe; médico como presumiam meus irmãos; e um monstro como querem meus inimigos!

O fato é que hoje é um dia muito inusitado! Vi se perdendo pela janela um olhar triste e chorei...

Minhas lágrimas ajudaram-me com a minha cegueira; e não mais quis vê-lo...

Se eu pudesse voltar tudo, preferia nunca tê-lo ao invés de perdê-lo...

Hoje eu perdi o brilho, perdi a vontade de sorrir, de comer, de amar...

Hoje eu me senti verdadeiramente impotente e imprudente!

Queria muito voltar no tempo para não só consertar a história ou mexer na ordem natural de tudo que estudei e conheci. Queria poder fazer algo por cada povo que precisasse de uma atitude amiga; queria virar pão para alimentar a fome de pelo menos uma pessoa faminta, a ter que viver tudo isso, esta agressão ao coração!

Que cálice forte é esse que nos é imposto e arrazoado ter que ser degustado de maneira tão cruel? Que espada de justiça justifica este veredicto? Qual mar, oceano, lago, poço ou balde pode afogar esta mágoa? Que estrada, caminho, picada, estreito ou baía pode me conduzir novamente à alegria? Qual veículo formador de opinião pode descrever a minha dor hoje? Qual invento poderia me levar ao passado? Qual ciência, qual religião, qual crença... Qual?

Será que as mitologias me fariam voltar a crer que eu o encontrarei novamente? Por que tantas perguntas se eu já possuo todas as respostas? Sei que a verdade é a mesma, a da conformidade, da complacência da dor?

A história tirana me mostrou com sua mão áspera e dura, que ela dá; e ela tem o poder de tirar.

Por que não me tirar deste convívio insano, perverso, imundo e preservá-lo?

Não posso viver sem meu pedaço de mim; e agora, após tanta dor, ouvi versos de Paulo Sérgio...

Eu recordo com felicidade, dia, mês, hora que ele chegou. Fruto mais belo de uma circunstância dadivosa. Ele era o único e sem ele eu não sou nada, não sou ninguém, sou verme pagão no lodo do breu. Quero que o mundo me esqueça e que assim eu consiga esquecer que um dia eu vivi neste mesmo mundo.

Já que não posso voltar no tempo, que este mesmo tempo me apague. Quero meu registro queimado e suas cinzas sopradas ao nada; e ao nada voltarei, de onde jamais deveria ter saído.

Nada mais tenho a fazer senão esperar a minha hora, que presumo não tardar, nem falhar...

Longe desta imundice sombria, sem lápide, sem registro!

Isso não pode ser confundido como despedida e sim como vômito...

Palavras de um pai que ama...

“Meu filho, Deus que te proteja!”

Onde quer que eu ande, onde quer que eu vá, em tudo que eu olhar, será seu sorriso que eu vou ver.

Acaso exista mesmo este elo que sempre nos uniu, estaremos juntos amanhã, para eu poder beijar mais seu sorriso; e colocar-te mais no colo, brincar mais com seus brinquedos, coçar mais suas costas como você sempre me pedia; e ver suas mãozinhas mais vezes em minha face...

Se falhei como pai, não quero te deixar sozinho agora.

Você será sempre meu e de mais ninguém...

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires



Comentários 0



Nossos Parceiros

© Copyright 2011 - Crônicas do Imperador. Todos os direitos reservados. Desenvolvimento de sites