Vídeo em Destaque

+ Mais videos

Enquete

LULA SERÁ PRESO?
Crônicas do Imperador
na Rede

QUER MORAR NOS EUA?

Terça feira, 19 de Julho de 2005
QUER MORAR NOS EUA?

Em 1999 eu fui ao Texas, em El Paso, extremo sul daquele estado petrolífero e de cultura conservadora no cultivo de gado bovino. Tudo era diferente, a paisagem desértica e árida fazia meus olhos brilharem em busca de novos horizontes; as cidades que lembravam um pouco os filmes de “faroeste” também me faziam transportar de certa forma para as telas de cinema e ainda havia a possibilidade de se viajar pelos locais mais conhecidos do mundo como Las Vegas, Los Angeles e Nova Iorque. Tudo era belo, mesmo para mim que já havia viajado outras vezes como turista, só que daquela vez era para morar, estudar e voltar em breve.

 

Logo na minha chegada, num mês aonde o frio a noite chegava a zero grau facilmente enquanto de dia, a temperatura beirava os 43 graus também muito fácil, as condições de adaptação eram esquecidas pela descoberta do novo, mas logo as marcas deste clima e da sociabilidade cotidianas do povo me deixariam “tatuado” para sempre.

 

Lembro de um churrasco feito em minha homenagem na casa da P.H.D. Denise Uchoa a base de hambúrguer e saladas insossas acompanhada de cerveja mexicana, quando alguns médicos estadunidenses, colegas da Drª. Denise, falavam com certa arrogância dos milhares de imigrantes ilegais que tentavam atravessar todos os dias o Rio Grande em busca de aventuras e dinheiro naquele país. Os bonachões falavam de uma maneira como se eles, por causa dos dólares, fossem superiores e que qualquer outra pessoa que contivesse qualquer gentílico que não fosse o “estadunidense” fossem de raças inferiores. Contavam suas experiências com ilegais, onde explicitamente admitiam explorar com trabalhos desumanos e poucos pagamento, às vezes até sem pagar.

 

Não fosse aquele show de misérias, que mais me lembravam as histórias do III Reich, só que contada com algumas pitadas de democracia americana e absolutismo sensacionalista, eu até sentiria pena do povo americano, pois eles tratam os ilegais como sendo terroristas e notem que eu estive lá antes do fatídico 11 de setembro, imaginem se este churrasco tivesse ocorrido em dias atuais?

 

O fato é que existem sim empregos para imigrantes, disponíveis nos Estados Unidos da América e esta gama de empregos se dividem em duas partes; uma são aqueles empregos altamente qualificados, onde os doutores e PHDs do mundo inteiro têm oportunidades de provarem seus talentos; a outra parte fica a cargo da imundice que nem os paupérrimos naturais de lá se encorajam e fazer, tais como lavar pratos em restaurantes imundos e de segunda linha, manobrar carros em boates e tendo que tolerar bêbados e drogados, fazer faxina depois de meia noite em grandes lojas ou se tiverem sorte, um “bico” de babá em uma residência trancada e cheia de câmeras com patrões sistemáticos e metódicos.

 

A média de ganho para um subemprego sem nenhuma garantia trabalhista, às vezes nem de pagamento, é de U$ 15,00/hora ou mais ou menos R$ 35,00/hora trabalhada. A jornada de trabalho para os ilegais pode chegar a 18 horas em alguns casos, o que somaria cerca de R$ 630,00 por dia trabalhado. Se contarmos que o ilegal trabalha cerca de 30 dias no mês, ele receberá ao final de uma temporada mensal o valor de R$ 16.497,00 ou U$ 7.000,00, o que seria aqui um salário de um Magistrado Federal ou deputado federal, muito bom, não é?

 

Vejamos o outro lado da história. Este ilegal primeiramente deverá ficar longe de qualquer confusão, pois o Departamento de Imigração atua em todas as cidades americanas e caso ele seja pego, ficará preso por tempo indeterminado e será deportado. Não obstante de que isso seja uma penalidade, ele terá que pagar cerca de U$ 800,00 por uma vaga numa casa (leia-se vaga um espaço para uma cama e direito a uso da cozinha e banheiro numa casa pobre de subúrbio). Gasta também cerca de U$ 2.500,00 por mês para alimentação razoável sem luxos ou excessos. Ele também gastará cerca de U$ 1.000,00 em condução (metrô ou ônibus) para deslocamento ao trabalho. Se pensar em comprar roupas, não gastará menos do que U$ 500,00 em brechós e se cair doente, aí ele está literalmente quebrado. Aquela minha amiga no início da história cobra cerca de U$ 250,00 por uma consulta num hospital para pobres.

 

E o que sobrou daqueles 7 mil dólares que ele ganhou? Sobraram 1.970 dólares, isso se ele tiver sorte de trabalhar com a jornada citada e ganhando o que eu citei. Em resumo, por uma vida quase escrava, o que a maioria passa mesmo, o trabalhador ilegal nos Estados Unidos economiza num ano cerca de R$ 50 mil, volto a frisar, se ele tiver sorte e trabalhar muito, abrindo mão de lazer e alguns confortos, dormindo pouco e sendo humilhado ao extremo, correndo o risco de ser preso e maltratado. Este é o preço que se paga para ser ilegal lá nos Estados Unidos da América.

 

Pode parecer atraente para a maioria, mas o que mais me irrita é que existem pessoas que em busca deste sonho pagam até R$ 30 mil para “coyotes” que auxiliam na travessia do México. Estas pessoas além de serem literalmente caçadas pela polícia de fronteira e pela imigração, atravessam desertos com temperaturas que variam de menos 5 graus à noite e quase 50 de dia; atravessa uma região que possui o maior índice de cobras cascavéis por metro quadrado do planeta; escorpiões ao montes brotando das fendas das rochas e ainda a fome e sede que podem durar 15 ou 20 dias de aventura.

 

Eles ainda correm riscos criminais aqui mesmo no Brasil, pois esta prática ilegal lá é convencionada aqui pelo Ministério das Relações Exteriores e a nossa Polícia Federal tenta coibir duramente que a pratica.

 

Depois de tudo isso você ainda acha que vale apenas tentar mudar-se ilegalmente para os Estados Unidos da América? Então se dane, o problema é exclusivamente seu!

 



Comentários 0



Nossos Parceiros

© Copyright 2011 - Crônicas do Imperador. Todos os direitos reservados. Desenvolvimento de sites