Vídeo em Destaque

+ Mais videos

Enquete

LULA SERÁ PRESO?
Crônicas do Imperador
na Rede

PROSTITUIÇÃO INFANTIL - PROBLEMA E VERGONHA

Terça feira, 02 de Janeiro de 2007
PROSTITUIÇÃO INFANTIL - PROBLEMA E VERGONHA

Na verdade, qual o problema mais grave e sério que os países em desenvolvimento e os subdesenvolvidos possuem? Qual o desafio a ser superado neste novo milênio?

As respostas podem ser muitas: fome, desmatamento, violência crescente, analfabetismo evolutivo, desemprego e saúde, mas dentro deste rol de problemas existe um que está ligado à violência que cresce a cada ano e é fruto da soma de subproblemas relacionados a cada item citado, a prostituição infantil.

Em 1987 em Juazeiro da Bahia, quando eu visitava um amigo ligado a Segurança Pública do estado, tive a infeliz oportunidade de conhecer um dos bordeis mais badalados da cidade, a Sonlua, que até pouco tempo tinha registro público na internet e uma página que mostrava o interior da boate e algumas das garotas que faziam uso do local para a prática da prostituição, e vi pessoalmente que havia garotas com menos de 18 anos aos montes sem nenhum problema.

Naquela ocasião em que estive no Som Lua, fui a convite de duas pessoas da Polícia Civil da cidade (disfarçados) para que eu mesmo visse e comprovasse que o tema era tratado de forma banal pelo poder público. Naquele mesmo dia em que estivemos no que eles chamam de “cabaré”, ninguém sabia quem de fato era e foi tratado como pessoa comun e para a nossa surpresa, no exato momento em que pagávamos a conta chegava em caravana seis vereadores da vizinha Petrolina e doze garotas já os aguardavam para uma (quem sabe) orgia particular.

Naquela região do semi-árido baiano, onde a principal fonte de renda são os produtos advindos da exploração dos mananciais do Rio São Francisco e muito próxima do famoso polígono da maconha, as meninas de (pasmem) sete anos em diante são literalmente vendidas pelos pais muito pobres que imaginam estarem fazendo uma excelente benfeitoria para as próprias crianças. Quem as compra ou quem de fato paga aos pais destas meninas, por sua vez as vendem para boates que exploram seus serviços até elas engravidarem ou adoecerem. Quando isso acontece, elas ou são jogadas nas ruas ou são mortas para não dizerem o que sabem sobre este comércio medonho que enriquece muitos e matam tantos outros.

Muito comum também até hoje é a pratica nefasta de “apadrinhamento” dos coronéis sem patente que até hoje são lendas vivas no norte e nordeste. Naquelas regiões, quem porventura possua um pouco a mais do que os milhares de miseráveis que habitam os lugarejos são considerados coronéis em alusão aos barões do passado e estes homens costumam pedir as garotas ainda crianças aos seus pais para trabalharem em suas casas em troca de (pasmem novamente) comida e um punhado de roupinhas simples. Muitas destas crianças apadrinhadas são criadas para servirem aos apetites sexuais destes “coronéis”, em sua maioria anciã.

Este tipo de história está sempre nos noticiários e as operações que coíbem a prática suja é constante mas a justiça e o executivo fecham os olhos (em sua maioria) para os casos pois ferem diretamente muitos influentes em regiões que normalmente dependem do poder econômico destes malfeitores. Quem normalmente vê coibindo a prostituição infantil no nordeste do Brasil é a Polícia Rodoviária Federal, mas esta não possui aparelhamento nem embasamento legal apropriado e sucumbem geralmente dias após a alguma prisão e recolhimento de menores em prostíbulos. Os homens da PRF fazem um trabalho digno e honroso, mas se já são tão poucos nas nossas inseguras rodovias, o que podem fazer de tão concreto quando o assunto é outro que não as estradas?

Nos filmes Tieta e Anjos do Sol o tema foi abordado e o recado dado à sociedade. No primeiro, gravado na Bahia e de enredo genuinamente baiano, do saudoso Jorge Amado, um coronel (Artur da Tapitanga) que abriga meninas em casa sob o disfarce de apadrinhamento é afrontado diretamente pela personagem Tieta, feita por Sonia Braga, que por sua vez tivera sido uma das apadrinhadas na sua infância; e em Anjos do Sol, o tema foi mais verdadeiramente abordado. Uma menina de doze anos, também baiana, fora comprada por um mercador inescrupuloso, que a vendeu para uma cafetina no mesmo estado, que por sua vez a vendeu para um influente “coronel”, que a queria para desvirginar seu filho de 15 anos. No enredo de Anjos do Sol, a garotinha que fora vendida pelos pais, alem de sofrer toda esta humilhação, ainda foi mais uma vez vendida pelo seu “coronel padrinho” para um prostíbulo no norte do país e confinada num quarto sujo, tendo que fazer sexo com até 30 homens por dia. No final de Anjos do Sol, a garota foge e acaba aceitando a vida de meretriz por se encontrar perdida numa estrada do Rio de Janeiro.

Podemos até imaginar que os casos citados nos filmes nacionais são meras circunstancias imaginárias de seus autores, mas para que já viajou ar, terra e água pelos quatro cantos deste Brasil cruel, sabem que é mera realidade até poética e sutil. O que estas meninas que sequer deixaram de brincar de bonecas são submetidas no campo sexual é inimaginável e inexplicável.

Quando da minha passagem pelo Ceará no início de 2001, tive o privilégio de ser hospede de um apart-hotel na famosa Praia de Iracema e foi lá que pude perceber até onde era o envolvimento dos poderes constituídos na exploração sexual de crianças. No mesmo bairro, há duas quadras do apart-hotel em que fiquei, havia inúmeras boates com garotas de programas. A maioria daquelas senhoritas eram maiores de idade (civilmente falando) mas era muito comum que italianos, portugueses, alemães e ingleses pedissem aos donos das boates que lhes conseguissem meninas com menos de 15 anos para noitadas nos (todos) hotéis da orla onde eles se hospedavam ou nos muitos motéis da capital cearense.

A coisa era pública e notória e quando eu de oficio notifiquei às autoridades policiais, acabei recebendo várias cartas que pediam para eu me afastar daquele problema, que não era meu, e que se acabassem as tais boates de Iracema, muitas daquelas meninas morreriam de fome e suas famílias não teriam como sobreviver.

Não conformado, pedi para o então Governador Lúcio Alcântara que fizesse algo para conter a pratica que só manchava a imagem do Ceará e do Brasil e em resposta resumida o governador me informou, através da sua assessoria, que a Polícia Civil do estado já estava trabalhando para “minimizar” o tema. Finalizou.

A omissão dos poderes infelizmente só conspurca o conceito do Brasil, principalmente no exterior, como uma pátria de “putas” fáceis, baratas e novinhas. O famoso “gringo” vem pra cá para “traçarem” nossas criancinhas por 10 ou 20 euros no máximo (quando ganham alguma coisa). Como este dinheiro, em seus paises, não conseguiria sequer uma “masturbação” de um travesti recém chegado.

Ainda em Iracema, eu conheci “Patrícia”, uma garçonete de dia e prostituta à noite. Patrícia era quem me servia normalmente em um restaurante português que sempre fazia refeição e foi ela quem me apresentou as gaúchas “Renata” e “Natasha”. Elas faziam um trio de muito chamamento naquele restaurante e a noite, seus outros clientes as convidavam para programas sexuais. Renata e Natasha vieram fugidas do Rio Grande do Sul (pelo menos foram o que disseram) e encontraram em Fortaleza uma oportunidade de trabalharem como modelo (profissão para disfarçar a pratica da prostituição). Renata tinha na época 16 anos e havia falsificado um documento de identidade com a ajuda de um português que já estava em Fortaleza havia cinco anos e Natasha já contava mais de 25 anos.

Quem levou as gaúchas de corpos belíssimos e olhos azuis para o trabalho de prostituição foi Patrícia, uma mulata de 17 anos que já tinha uma filha de 2 sem saber ao certo que era o pai biológico. Patrícia me informou que delegados, juizes, promotores e muitos, muitos agentes de polícia, civil e militar, ajudavam os muitos portugueses e italianos que comandavam a industria do sexo em Iracema. Ela me falou ainda que toda semana, ela que era free lancer, era obrigada a pagar cerca de R$ 150,00 para alguém nomeado pelos “poderosos” para poder continuar trabalhando naquela área. Segundo ainda a Patrícia, todos os hotéis, bares, restaurantes e boates, pagam uma taxa (não sabia informar quanto) para que os tais “poderosos” não retaliassem ou até mesmo expulsassem os estabelecimentos que não pagassem.

Da mesma forma que eu encontrei este tipo de problema na Bahia, no Ceará e em tantos outros locais que já visitei ou morei, também no sul do país a situação não foge a regra. Por ser muito mais rico não quer dizer que os sulistas são menos pervertidos ou não exploram suas moças menores de idade. Eu morei em Curitiba e não fosse o frio algoz e a cidade plana e limpa, com certeza pensaria que eu estava em Petrolina, Juazeiro ou Fortaleza, pois o número de prostitutas infantis é tão grande e preocupante quanto nas cidades já citadas; aliás, Curitiba me surpreendeu pela facilidade de “aquisição” de um serviço de prostitutas. Ao se registrar num hotel de médio ou grande porte da cidade o hospede homem se estiver sozinho já recebem no ato do registro as boas vindas com um catálogo atualizado com as moças disponíveis, suas condições e preços. Nas muitas luxuosas e ricas boates de Curitiba, em sua maioria de propriedade de policiais, o que não é incomum é vermos garotas com faces demonstrando a sua idade inferior aos 18.

Outra pratica muito comum, desta vez nas grandes cidades, são meninas universitárias anunciando seus serviços de “acompanhante” em jornais de grande circulação ou em sites de internet. Segundo estas universitárias, elas fazem isso para pagarem suas universidades e poderem sobreviver até o dia da formatura, mas algumas delas ganham tanto dinheiro que esquecem do “canudo acadêmico” para seguirem carreira na profissão que dizem ser a mais antiga do mundo.

A Lei 11.106 do Código Penal de 29 de junho de 2005 regulamenta o processo sexual mediante fraude e prevê pena de até quatro anos nos casos em que a vítima for menor de 18 e maior de 14 anos e para quem seduz ou corrompe as mesmas menores (pasmem), de 1 a 4 anos de reclusão, mas enquanto isso sequer é cumprido pois necessita haver queixa ou ação penal promovida pelo agente público, os bordeis do mais alto e baixo nível por todo Brasil continuam aliciando meninas de todas as idades, inclusive as crianças, falsificando documentos e as vendendo para todos os tipos de pessoas, principalmente homens, que as usam e as descarta como se fossem folhas de papel higiênico sujo, deixando-as à sorte numa rua ou casa qualquer, até que depois de maquiadas, alguns outros as compre novamente, inclusive quem é pago para protegê-las e assegurá-las o acesso à justiça.

 

DENUNCIE: LIGUE 100

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires

 



Comentários 0



Nossos Parceiros

© Copyright 2011 - Crônicas do Imperador. Todos os direitos reservados. Desenvolvimento de sites