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PELADO, PELADO, NU COM A MÃO NO BOLSO

Sexta feira, 23 de Janeiro de 2009
PELADO, PELADO, NU COM A MÃO NO BOLSOPELADO, PELADO, NU COM A MÃO NO BOLSO

Este verão no Brasil de fato enlouqueceu; o fenômeno La Niña deu a louca no tempo e a temperatura de todas as regiões brasileiras pirou de vez. Um dos maiores setores prejudicados foi sem dúvida a indústria do turismo, que emprega milhares de pessoas e proporciona a venda direta das imagens de muitos lugares como o Rio de Janeiro, Santa Catarina e todos os estados do Nordeste para o resto do mundo; mas nem tudo está perdido e uma categoria turística em especial não sucumbiu aos dissabores do tempo; falo diretamente do NATURISMO.

 

A palavra naturismo vem do francês “naturisme”, que é a doutrina filosófica que se baseia num modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente.

 

Difundido a partir do período de entre guerras em alguns países da Europa, especialmente Alemanha e Países Baixos, o naturismo chegou ao Brasil e se notabilizou pela sua prática mais marcante: o nudismo. Em Portugal foram oficializadas algumas praias para a prática do nudismo, no entanto, esta prática acontece de forma livre em muitas outras praias do país de forma mais ou menos generalizada e aceite, em particular em zonas mais afastadas dos restantes banhistas.

 

Segundo o relato do Gênesis, “tanto o homem como a mulher estavam nus e não se envergonhavam.” (Gên 2, 25). Mas, logo a seguir, não resistiram à tentação e pecaram. “Abriram-se então os olhos de ambos e reconheceram que estavam nus; coseram folhas de figueira e fizeram cinturões para si.” (Gên 3,7). A iconografia ocidental encarregou-se de ilustrar o contraste entre antes e depois da queda. Antes, Adão e Eva, no esplendor da beleza, viviam nus no paraíso. Depois, constrangidos, procuram ocultar os órgãos genitais. Na interpretação da exegese, oficializada pela Igreja, isso ocorreu devido ao despertar da pornografia, primeira manifestação da desordem que o pecado introduziu na harmonia da criação.

 

Do século II até o final do IV, os romanos, sem excluir os cristãos, banhavam-se de forma comum, nus em banhos públicos, com homens e mulheres banhando-se juntos. Na Grécia antiga era comum a prática de esportes ocorrerem sem nenhuma peça de roupa. Algum do sentido de pudor que hoje vemos disseminado na sociedade moderna foi essencialmente legado que as religiões nos deixaram ao longo dos tempos.

 

O naturismo moderno, da forma que conhecemos hoje, surgiu no início do século 20, na Alemanha e França. Na França (especificamente na Ilha do Levante) foi criada pelos irmãos Duvalier uma "Clínica Helioterapêutica" onde se pregava que a nudez ao ar livre com alimentação natural (sem nenhum produto animal, drogas, cigarros e bebidas) e contato com outras pessoas ajudava na cura de todos os males físicos. Na Alemanha, que é tida como verdadeiramente a iniciadora do naturismo, um professor de educação física, Adolf Koch, propôs aos seus alunos que estes deveriam fazer os exercícios ao ar livre e sem roupas. Depois de algum tempo, os jovens deste professor passaram a ser mais corados, ter mais saúde e alegria, as famílias dos mesmos vendo as mudanças inclusive comportamentais dos mesmos resolveram aderir aos exercícios e criaram o que a princípio foi chamado de nudismo. No ano de 1906, surge nesse mesmo país o primeiro campo oficial para a prática do naturismo. Nessa época, alem dos exercícios ao ar livre em completa nudez, havia também uma grande preocupação com a alimentação, que deveria ser saudável, geralmente baseada nos vegetais.

 

Após a segunda guerra mundial, o naturismo começou a se difundir, não só na Europa, mas também nos Estados Unidos. Hoje são poucos os países que ainda não possuem adeptos do movimento. Em 1974 a Federação Internacional de Naturismo (INF) definiu os princípios naturistas, que é a definição atual de Naturismo adotada por todas as entidades naturistas do mundo: “Um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente.”

 

O Brasil, pioneiro em quase tudo nas questões artísticas e culturais, Luz del Fuego ou Dora Vivacqua, uma capixaba hiper liberal nascida em 1917, iniciou a prática naturista ainda na década de 50, quando fundou a Ilha do Sol no Rio de Janeiro.

 

De 1954 até hoje, dezenas de praias reservadas aos naturistas estão espalhadas pelo Brasil, mas Tambaba na Paraíba; Abricó e Olho de Boi no Rio de Janeiro e Pinho em Santa Catarina são as mais famosas e as mais freqüentadas. Na década de 80, Trancoso em Porto Seguro – Bahia, também lançou moda com alguns poucos pioneiros dispostos a tirar as roupas, mas a prática não vingou como as demais; hoje o que podemos observar são algumas estrangeiras praticando o topless.

 

O conceito principal dos naturistas está na "aceitação do corpo", ou seja, na descoberta de que o corpo humano é um todo não havendo partes honrosas e partes indecorosas. Os naturistas, ao conviverem com a nudez do próximo não são chocados nem agredidos pelo corpo e sentem que o respeito é possível mesmo sem artifícios. Entrando em contato com a própria essência e deixando para trás o que é acessório. Para os naturistas somos todos iguais, apesar das diferenças.

 

No Brasil já existem dezenas de associações muito bem fundamentadas e respeitadas; pousadas, clubes, restaurantes e serviços especializados e destinados exclusivamente aos naturistas, o que movimenta uma tímida, mas crescente fatia do turismo nacional. Pessoas do mundo inteiro já programam as viagens de nosso verão para curtirem as belezas inigualáveis das praias brasileiras e para praticarem o naturismo.

 

Pode parecer, aos olhos dos preconceituosos, uma prática dissoluta, onde homens e mulheres fazem sexo nas praias; onde prostitutas transmitem AIDS ou ainda, locais privados para a prática da pedofilia; tudo isso é mito e inverdade. As praias regulamentadas e geridas pelas associações sérias do setor, não só proíbem, mas expulsam, refreiam severamente e denunciam todas as pessoas que desrespeitam suas regras. Nas praias sérias que permitem o naturismo se podem fazer tudo que nas outras praias comuns, somente seus visitantes precisam estar pelados e isso não quer dizer LIBERDADE DO SEXO, afinal de contas, praia nenhuma é motel regulamentado.

 

Todos os tipos de cidadãos são vistos nas praias de naturismo: anciãos, crianças, adultos, homens, mulheres, enfim, qualquer pessoa que freqüenta as praias convencionais também freqüenta os locais exclusivos dos naturistas.

 

E você, teria coragem de chegar numa praia exclusiva dos naturistas e tirar sua roupa para um banho de mar e de sol? Antes de sair por aí procurando uma destas aldeias naturistas, pesquise as regras de cada uma; algumas praias não permitem, por exemplo, homens solitários; ou ainda, cobram uma taxa para a entrada; outras não permitem a utilização de câmeras filmadoras ou de fotografias; e muito cuidado com as falsas associações de naturistas que convidam para locais sem regulamentação onde podem induzir os visitantes ao crime de atentado ao pudor. A nudez ainda não é permitida em locais públicos no Brasil sem que haja permissão oficial.

 

Agora, sabendo de tudo isso, desnude-se dos preconceitos, assuma sua condição corporal, respeite as regras e entre nesta tribo; eu fui duas vezes, gostei e na próxima oportunidade, com certeza retornarei.

 

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires

Fotos: Jorge Barreto – www.abrico.com.br



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