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PAPO DE HOMEM...!

Quinta feira, 13 de Novembro de 2014
PAPO DE HOMEM...!

Papo de homem! Lá pelos idos de um mil e novecentos e tantos, meu pai me levava para cortar o cabelo no barbeiro do bairro, seu Ezequiel. Na Bahia, as barbearias antigas eram chamadas de “tendas”. Uma vez por mês, meu pai me acordava, sempre aos domingos e dizia-me: - Vamos, Rique! Vamos cortar este cabelo, porque homem cabeludo é malandro! E lá íamos, eu e papai, subir a Rua Trinta para ir na tenda de seu Ezequiel cortar o cabelo!

Logo na chegada da tenda simples, seu Ezequiel sempre ocupado! Cortava o cabelo de um, com tesoura e pente de osso. Outra hora, amolava a navalha numa sola e fazia a barba de outro; e quando era chegado a minha vez, meu pai sempre dizia: - Bem baixinho, seu Ezequiel! Era o sinal para o barbeiro quase tosar minha saudosa cabeleira. Meu pai queria um corte, sempre estilo militar. Primeiro, porque era descente na época; e depois, porque evitava piolho...

O ritual era sempre o mesmo! Eu sentava na cadeira Ferrante; seu Ezequiel levantava a cadeira para ficar na altura de seus olhos; ele punha o avental; borrifava o cabelo com água e começava a tosa. Ao final do corte, de navalha amolada na sola, seu Ezequiel fazia o pé do cabelo; e eu pensava que estava fazendo a barba! Era delicioso me imaginar barbudo, homem feito; fazendo a barba! Eu já sonhei, naquela época, que eu era adulto, chegava em seu Ezequiel e dizia: - Bom dia seu Ezequiel! Por favor; faça barba e cabelo, mas não corte baixinho, por favor!

O tempo passou e aos 16 anos eu comecei a fazer minha barba. Ela veio com força, grossa e farta. Era o sinal que eu esperava para ser adulto! Com 16 anos eu ainda não ia ao seu Ezequiel, mas quando saí de casa e comecei a trabalhar, descobri outros barbeiros magníficos que puseram as mãos em meu rosto e fizeram o mesmo que fazia seu Ezequiel; mas com o passar do tempo, mudaram-se as ferramentas e as técnicas...

Logo a navalha de amolar em sola foi substituída pelas navalhas com lâmina móvel. Haviam poucas marcas de lâminas, mas a Wilson era divina! Fazer a barba com lâmina Wilson, era como as melhores navalhas de amolar em sola. Tinha a Gillette também; mas a Wilson era o suprassumo das lâminas...

Adulto, trabalhando e conhecendo o mundo, eu também conheci inúmeras formas usadas por barbeiros para tirar os pelos do meu rosto. Outro dia, eu fui a Canudos, alto sertão da Bahia, para as comemorações dos 100 anos de morte de Antonio Conselheiro; e antes de visitar as homenagens oficiais, saí do hotel e entrei na primeira barbearia que vi. Um moço jovem me atendeu, preparou a cadeira e sacou da gaveta uma destas lâminas horríveis, uma amarelinha, que não corta nem papel; e preparou para fazer a minha barba. Era um insulto! Eu me recuso a deixar alguém fazer minha barba com lâminas de cabo plástico. Levantei da cadeira, agradeci ao moço e fui ver as homenagens com a barba por fazer...

Em Ipirá, também interior da Bahia; lugar que visito sempre, por questões familiares, toda vez que eu chegava, ia na barbearia de Creones. O velho Creo era perito em barba! Sempre sorridente, de jaleco branco; tinha inúmeras folhinhas de mulheres peladas na parede; e quando não havia mais ninguém, Creo dizia: - Companheiro! Já viu a Playboy deste mês? Depois eram sorrisos e navalha na cara...

Mas nem sempre eu tinha tempo para ir ao barbeiro; então, para me manter sempre barbeado, seu tive que desenvolver minha própria técnica; e como a minha barba cresce numa rapidez espantosa, preciso fazê-la e em seguida, entro com a técnica do polimento ou como se diz, repuxar, para que a pele fique lisinha...

Mas qual é a melhor maneira de fazer a barba? Como você pode deixar sua pele bem confortável após o barbear?

Veja bem! Pele e barba são como impressões digitais; cada um possui uma diferente e exige técnicas bem pessoais. De modo geral, seguindo uma tendência moderna e eficiente, todo barbudo precisa seguir passos importante...

Prepare o rosto antes de começar a barbear. O primeiro passo é estar com a pele limpa. Lave bem o rosto e use um hidratante ou algum produto específico para amaciar os pelos da barba. A pele limpa e bem preparada, torna o ato de barbear sempre mais confortável.

O uso de toalha quente ajuda abrir os poros. Um minuto é o suficiente. A barba feita após o banho também se beneficia desse mesmo efeito, provocado pela água. Quem tem pele seca deve evitar água muito quente, pois pode ressecar ainda mais; e cuidado com toalha molhada quente! A temperatura deve ser bem abaixo da fervura, para que não provoque queimaduras em sua pele!

Aplique a espuma de barbear e espere agir por pelo menos um minuto. Aproveite para fazer pequenos movimentos circulares e contínuos para que ele aja de maneira eficaz. Isto suaviza a pele, amacia os pelos e os ergue, para que o barbear seja mais rente e com menos irritações.

Preste atenção no sentido em que os pelos crescem; e saiba que isso é fundamental para um barbear perfeito! Eu sempre começo pelas costeletas, depois pela face e pescoço. Muito cuidado nas áreas ao redor da boca. Deixe por último o queixo, onde os pelos demoram mais para amolecer. Entre a boca e o queixo são os locais de maior facilidade para cortes...

Esticar a pele enquanto faz a barba ajuda a evitar ferimentos. Use as duas mãos. Uma para segurar o barbeador, a outra para esticar bem a pele. Isso evitará cortes.

Controle seus movimentos e não pressione a lâmina demais sobre a pele. Barbeie-se com movimentos curtos. Isto permite mais precisão e irrita menos a pele.

Depois de cada passagem de lâmina, é importante lavá-la rapidamente com água morna para retirar o excesso de creme e pelos; e em seguida, lave bem o rosto após fazer a barba com água morna, para retirar o excesso de creme. Sinta se nenhuma área foi deixada de lado. Cuidado ao retocar, pois quanto se passa a lâmina em um determinado local, mais irritada a pele fica. Use um pouco de creme de barbear novamente nesta área.

Depois de barbear, lave o rosto com água fria, para fechar os poros. Evite esfregar a toalha. Seque-o levemente. Para finalizar, passe uma loção pós-barba sem álcool, de acordo com seu tipo de pele.

Se sua pele é muito sensível, evite usar bronzeadores ou filtros solares imediatamente após o barbear. Evite também fazer a barba no mesmo dia em que irá nadar, pois o cloro e o sal da água irritam a pele. Durante o fim de semana dê um descanso para sua pele e evite fazer a barba; isso ajuda e muito na preservação de uma pele saudável!

A profissão de barbeiro está quase em desuso! Meu atual barbeiro, Ribeiro do Salão Ribeiro, em Belo Horizonte, se queixa dos poucos clientes que ainda o visitam para este fim. Em geral, meia dúzia de antigos fregueses, como eu e o Dr. Gilmar Xavier; que ainda vamos lá, muito mais para ver as histórias de Ribeiro e Vanderci; e por falar em Ribeiro; este sujeito é um dos poucos deste lado de cá do Brasil que ainda usa talco após fazer o pé do cabelo; pedra umes após o barbear, para estancar micro ferimentos; e que ainda distribui folhinhas no final do ano; e por falar nisso, estou precisando lhe visitar para buscar minha folhinha de 2015...

A melhor barbearia que eu já fui, sem a menor sombra de dúvidas foi em Nova Iorque. Ouvi a fama do barbeiro Alex Nuñez em West Village e fui lá conferir. Dei de cara com uma casa decorada em estilo dos anos 30; servindo bons uísques aos clientes; pude ouvir jazz em caixas de som com acústica cristalina; toalha aquecida em água perfumada, óleo finíssimo após o barbear; e uma massagem facial impagável que me fez relaxar e dormir. No final do serviço, a conta de U$ 50,00, cerca de R$ 135,00. No Ribeiro, atualmente eu pago R$ 15,00; e tudo bem que não tem uísque no serviço, mas tem um cafezinho sempre quente!!!

Hoje quem fez minha barba, ou parte dela, foi minha filha Mariana; e um dia eu também já fiz a barba de meu avô Judicael; e assim vamos tocando a vida, de barba em barba; cada um com sua técnica e com seus instrumentos. Alguns preferem barba aparada, outros raspada; alguns fazem arte na barba; outros nunca fazem nada. Seja de barbeador plástico, navalha ou máquina, o mais importante é você se sentir bem!

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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