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PAGANINI NÃO MORREU; VIROU LENDA!

Sábado, 06 de Setembro de 2014
PAGANINI NÃO MORREU; VIROU LENDA!PAGANINI NÃO MORREU; VIROU LENDA!

Conheço os Pampas do Rio Grande, lá de Derrubadas, onde o velho Rio Uruguai faz a curva; até Porto Alegre; e quando eu descia a 116, lá na penúltima cidade brasileira, Jaguarão, lugar que sempre encontrei a felicidade; de um canto a outro, sempre alguém conhece ou já ouviu falar de Paganini. Mas quem é Paganini? Algum ex-Presidente do Brasil; Senador ou Governador do Rio Grande do Sul?

De entrada pelo Uruguai, seguindo o mesmo Pampa que nasce no meio do mapa do Rio Grande, as “Rutas” uruguaias levam, ou para as praias do Leste ou para Montevidéu; e mais uma vez, com um pouco de pesquisa, muita gente conhece Paganini! Ah! Então este Paganini deve ser um vulto uruguaio?

Nicolas Paganini Giorelli Monteiro Faccini; este é seu nome de batismo; e se me refiro a ele em tempo presente, com certeza, o dia de ontem, 5 de setembro de 2014, será lembrado como um dia de passagem, mas Paganini jamais morrerá, porque pessoas daquele tipo, viram lenda!

Poucas pessoas que tive o prazer de conhecer me disseram tão bem explicada a história do Couraçado Admiral Graf Spee, navio alemão dos Nazistas fundeado na foz do Rio da Prata durante a Segunda Guerra. Quando sentávamos na recepção de seu hotel, esta e tão belas outras histórias surgiam como se tivéssemos 100 anos de intimidade; como aquela história do T-6 da FAB que ele pilotou até Porto Alegre seguindo a linha da BR-116 como referência de bússola; e tantas outras que ríamos quando daquelas tardes de cappuccino no Uruguai...

Há alguns anos, numa noite fria e cinzenta, eu e o amigo André Ferreira, saímos de Belo Horizonte e fomos para o Uruguai; e no caminho, quando procurávamos um hotel para ficar, sem a sinalização de haver uma vaga sequer, lá estava ele e sua esposa Neiva, a nossa espera. Daquele dia em diante, falei para todos meus amigos: - Sempre voltarei a este lugar para rever estas pessoas! E assim o faço sempre. Quase coloquei Paganini na minha lista de entes queridos de tanto que estive com ele...

E de tanto ir; e de tanto as pessoas me verem com ele, fiquei afamado na cidade. Ninguém mais me via como um hóspede do octogenário Paganini; eles me enxergavam como seu amigo. Teve uma época, que eu nem me preocupava em sacar dinheiro quando au ia para Jaguarão; viajava e quando chegava no hotel, ele já me perguntava: - Henrique! Tá precisando de dinheiro? A velha raposa (no bom sentido) gaúcha sabia que eu raramente carrego dinheiro em espécie; e só sacava a grana na hora de ir embora! Estou escrevendo isso e rindo muito, porque minhas lágrimas já se foram...

Pobre de nós que somos egoístas ao ponto de querermos que estas brilhantes pessoas durem para sempre! Depois que soube de suas debilidades na saúde, fiquei triste, mas na semana passada, liguei pra ele e disse: Paganini! Você enverga, mas não quebra!

Há cerca de três meses ele teve que amputar uma das pernas; e você pensa que ele ficou triste? Não! A vida é muito mais do que uma perna! E como ele me disse: Eu tinha duas, então, uma não me fará falta! E riu muito! Eu pretendia voltar lá este ano (e vou); e quando me decidir a viajar, liguei pra ele e disse: - Estou te levando um short e um gorro vermelho; porque agora você é Saci-Pererê! Do outro lado da linha, a voz macia ria escancaradamente; e me disse: - Vem mesmo! Estou te esperando!

Antes de desligar, falei com ele que o apanharia e o poria na cadeira de rodas; e juntos, sairíamos por Jaguarão fazendo piruetas e dando cavalos de pau. Era o jeito Paganini de encarar a vida. Eu nunca o vi triste! Nem quando Curuca aprontava das dele Paganini ficava triste!

Quando saíamos a noite para beber vinho e comer Parrilla, o mais novo depois de mim tinha mais de 70 anos; e Paganini era a atração por onde passávamos. Do mais pobre guardador de carro no Uruguai ao mais rico comerciante da cidade, se o visse, parava e mexia com ele; e já podiam esperar uma réplica em forma de piada!

Outro dia eu estava em meu quarto, bem em frente ao dele, pois era lá que eu gostava de dormir. Ouço toques na porta e do outro lado, Paganini me chamando: - Henrique! Venha jantar e ouvir boa música. Ele ligou seu rádio, pôs um pen drive e ficamos ouvindo boleros antigos. Abri uma garrafa de espumante espanhol e ficamos até perto da meia noite! Que noite divertida! Que noite memorável!

O safado viajou o Brasil inteiro, mas não teve tempo de vir em minha casa. A esposa dele, Neiva, veio a Belo Horizonte e foi um quase grande prazer em recebe-la, mas faltou Paganini. Velho filho de uma égua, como se diz no Nordeste; não veio me ver; e já que ele não veio, um mês depois eu fui lá, só para encher o saco dele....!

Minha esposa me ligou e disse: - Tenho uma notícia ruim! Paganini morreu! Agradeci a notícia, desliguei o telefone e um filme passou em minha cabeça! – Onde será que aquele velho safado está aprontando agora? No inferno, ele não ficaria um dia, porque o Capeta pediria demissão; e Paganini transformaria o lugar num verdadeiro céu; então Paganini está sentado numa estrela bem brilhante; alegrando o Cosmos e ouvindo música celeste; com certeza ele está lá agora!

Hoje, a notícia que recebi, não foi uma notícia corriqueira de morte; foi a perda de um grande amigo! A perda de um grande irmão! O meu velho parceiro de dias e noites no Brasil e no Uruguai, meu estimado irmão PAGANINI, deixou uma multidão de pessoas tristes.

Eu voltarei aos Pampas; e não mais verei Paganini sentado na sala com Frajola no colo. Também não mais passarei a Ponte Internacional Mauá para jantar no Diego do La Punta com meu amigo; e nas tardes de cappuccino no "Mário" não ouviremos mais as risadas das piadas daquele pequeno grande homem. Eu voltarei aos Pampas para levar flores no lugar onde enterraram Paganini; e onde acabou de nascer um lenda!

Tenho orgulho, velho amigo, de ter feito parte tão ativa de sua vida; e reafirmo, que preferia o egoísmo de tê-lo um pouco mais, ao sofrimento de saber que retornarei sem a sua presença.

Que o Grande Arquiteto do Universo o guie pelas estrelas, Grande Irmão; E na festa que está tendo agora no céu, não esqueça de dedicar a música “Aquellos Ojos Negros” ao seu amigo que esta homenagem lhe faz. E já que você não me esperou um pouco mais, um dia destes nos encontraremos...!

 

Desculpe-me se não te fiz uma homenagem em vida! Na minha geladeira tem um imã; um imã que diz: "semelhantes se atraem". Esse imã foi presente dele, do inesquecível Paganini...

 

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires



Comentários 2

Apolonia Teresa

Segunda feira, 08 de Setembro de 2014, às 16:09
Sentida homenagem! Asseguro que a velha Cidade Heróica, berço de meus antepassados não terá o mesmo ar e nem Uruguai,minha outra metade,terá o mesmo... Saber da partida de um amigo nos deixa mais solitários no caminho... Mas tenho certeza que ele diria que pensar assim,era a nostalgia do sangue...

edson luiz pereira

Domingo, 07 de Setembro de 2014, às 09:19
Fico feliz pela oportunidade que me deu de conhecer tao ilustre figura , fomos privilegiados pela oportunidade do convívio.



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