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OLHAR ÁRABE

Sábado, 26 de Novembro de 2011
OLHAR ÁRABE

O menino mimado e egocêntrico que insiste em não largar o filé das mordomias sírias, Bashar Al-Assad, tem berço nesta questão do triunfo da tirania, afinal de contas, recebeu de presente de morte de seu pai Hafez Al-Assad, outro ditador, a cátedra de “proprietário” de seu país.

Hoje este menino birrento com sede de poder e fome de matar tem 46 anos, mas esta ocupação pra lá de carismática ele assumiu quando ainda nem tinha completado 35 anos. Bashar nasceu em Damasco e se formou médico oftalmologista; estudou em Londres onde dizem que foi reconhecer seu diploma acadêmico. Em casa sempre viu seu irmão mais velho ser doutrinado para ser o dono da Síria, mas a morte de seu consanguíneo o fez sonhar com a possibilidade de sê-lo.

O mundo árabe, com raras exceções, é um verdadeiro conto de fadas. Todo mundo pode ser tudo e aquelas histórias de fadas madrinhas acabam sendo ridículas diante de tantos mitos que eles criam ao redor de seus heróis enlatados. No caso de Bashar Al-Assad não foi diferente! Da noite para o dia ele se viu na incumbência não somente de ser o presidente do país, mas precisava demonstrar coragem e possuir valores incontestáveis. O menino médico deixou Londres para se tornar, logo de cara, General do Estado Maior e Chefe Supremo das Forças Armadas Sírias. Logo ele, que nem conhecia armas ou sequer imaginava do que se tratavam as estratégias de guerra; sem sequer ter sido soldado, de médico virou General.

O general, filho do ditador, então se submeteu ao crivo de uma eleição pelo Partido Árabe sírio. O mais incrível é que ninguém mais quis ser presidente. As inscrições para a candidatura foram encerradas e adivinhem quem foi o candidato único? Sim, ele mesmo! Bashar Al-Assad se elegeu e passou a ter posse da terra que lhe pariu...

Como todo ditador é um medroso natural, que o digam Hugo Chaves, Fidel Castro e tantos outros facínoras vivos ou mortos; Bashar prometeu reforma populares e ampla democracia ao seu povo, mas isso foi somente para conquistar força para se manter no poder. Para pagar as promessas de eleição o satanás da Síria mandou matar o Premier libanês, detonou as poucas regalias de seu povo, dentre estas a educação; e veio para o lado de cá, na América, fazer par romântico com Hugo Chávez, Fidel Castro , Nestor Kirchner da Argentina e ele, “o cara”, Lula!

Pelas bandas de lá as pessoas o apelidaram de “o demônio da Síria”; eu o apelidaria de “o estuprador dos sírios”, ele e o pai! Hafez deu golpe de Estado e contra tudo e contra todos, esquecendo-se daquilo que ele chamava de religião, se aliou a extinta União Soviética apenas para obter poder bélico. Sempre quis uma Palestina livre, mas a queria para si, no território que ele morreu chamando de Síria do Sul; e achando-se o dono de tudo nos arredores de Israel, ocupou e devastou o Líbano, gastando tudo que seu país possuía e deixando seu povo a beira da mais triste miséria. Seu filho apenas deu continuidade as suas sandices e por isso é que se pode rotular ambos como estupradores...

Pessoas alienadas falam que esta gente age em nome de Deus, porque para eles tudo é guerra santa; muitos insanos também dizem que Bashar e qualquer outro líder daquela região age matando pessoas para protegerem seus tronos, como uma forma de justificar esta sede de Poder; mas na verdade tudo está relacionado ao dinheiro. Na Síria de Bashar, dos 90 bilhões de dólares de seu PIB, quase tudo está relacionado aos recursos minerais como os derivados de petróleo. Quem os alimentam de esperança são aqueles próprios que desejam derrubá-lo; Alemanha, Itália, França, Arábia Saudita e Turquia são seus maiores e melhores parceiros comerciais. São estes países e seus líderes que pagam a Bashar pelos produtos que saem da Síria e o deixa cada vez mais rico, poderoso e querendo mais...

A média que cada sírio ganha por ano (renda per capita) é R$ 7.500,00 ou algo em torno de R$ 630,00 por mês. Sabe-se que muitos (os amigos de Bashar) ganham mil vezes mais, enquanto outros (a maioria), não ganham quase nada. É justamente este povo humilhado, sofrido, descrente e surrado que está tentando com o próprio sangue reescrever a história moderna do país, promovendo a perpetuação da Revolução de Jasmim ou Primavera Árabe que começou na Tunísia e já derrubou vários ícones da política da região e fez até a Liga Árabe repensar em seu futuro.

Aos trancos e barrancos já tiraram do poder o talibã do Afeganistão; depois caíram: Saddam Hussein no Iraque; Hosni Mubarack do Egito; Muammar Kadafi na Líbia; Zine El Abidine Ben Ali da Tunísia e estão por um fio o próprio Bashar Al-Assad e muitos outros. Gente que mente para seu povo e que usa o nome de Deus para se manterem líderes.

O sentimento atual do povo mulçumano, aquele que trabalha arduamente para alimentar as riquezas de seus líderes, tem mudado gradativamente e a permanência deles no Poder já se torna insustentável diante de tantas mortes. Já não é possível, para o povo do mundo árabe, mentir uns aos outros. Acabou-se o tempo das mentiras, porque a comunicação é mais rápida do que qualquer tentativa de encobrir os fatos.

As palavras daqueles líderes – que desgraçadamente são também as mesmas palavras do mundo; esgotaram-se. Os árabes levaram estas palavras ao ponto de que cada líder falso e vigarista, caso flagrante de Bashar Al-Assad, fosse derrotado. O próprio povo árabe mentiu para si próprio por muitos anos, aceitando esta escória como seus líderes; e se de todas essas mentiras, ninguém antes jamais conseguiu recriá-las é porque agora é o tempo de mudar, mesmo que a verdade ainda tarde em chegar!

Bashar Al-Assad em seu último discurso em público disse ser “amigo do povo sírio”; William Shakespeare também disse: “Quem cedo e bem aprende, tarde ou nunca esquece. Quem negligencia as manifestações de amizade, acaba por perder esse sentimento”. O povo sírio perdeu o sentimento de amizade e de esperança em Bashar há muito tempo e agora o quer vê-lo como inimigo, pois somente assim lhes restarão uma oportunidade de haver esperança.

Seus aliados da Liga Árabe já o abandonaram, porque sabem o final disso tudo; e porque querem permanecer sendo a Liga Árabe e são inteligentes. O fim de Bashar Al-Assad, infelizmente, ou felizmente, poderá não ser diferente do fim que teve Kadafi; pelo menos se ele permanecer insistindo em ser um asno...


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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