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O PRIMEIRO MUNDO É AQUI

Quinta feira, 02 de Fevereiro de 2012
O PRIMEIRO MUNDO É AQUI

O Brasil, que não gosta de festa, agora pode festejar! Ultrapassamos, finalmente, a riqueza intocável da Rainha Elizabeth II; nossos cofres já estão mais abarrotados do que os da Grã Bretanha; isso significa que somos um país de primeiro mundo; e vale lembrar que até pouco tempo éramos de terceiro mundo, quarto, sei lá! Demos um salto triplo mortal carpado hermenêutico e pulamos direto para o primeiro, ignorando o segundo e outros mundo paralelos. Agora somos ricos, inteligentes, honestos e muitos felizes; por isso temos mesmo que comemorar, de preferência com champanhe francês e caviar escandinavo, porque isso sim é coisa de rico!

O senhor que tem uma Belina 79, agora já pode comprar uma Ferrari; a senhora que mora na favela, por favor, mude-se para a Vieira Souto; e você, amigo jovem boêmio; deixe esta vida de baile funk e de agora em diante, seus problemas acabaram; seu caminho de curtição agora é na Boate Billionaire em Mônaco; afinal de contas, sorriam, porque somos ricos!

Pilhérias a parte, será mesmo que podemos nos orgulhar deste título, o de pertencer ao seleto grupo dos mais ricos do planeta?

Pela soma das riquezas a fila começa com os EUA e é seguida por China, Japão, Alemanha, França, Brasil, Grã-Bretanha, Itália, Rússia e Índia; mas se analisarmos outros fatores, como por exemplo a renda per capita, amargamos uma humilhante 84ª posição. Estudos econômicos afirmam que a média que cada brasileiro ganha por ano é de cerca de R$ 20 mil, ou algo em torno de R$ 1.600,00 por mês. Um cidadão estadunidense aufere cerca de R$ 8.000,00 ao mês; já o cidadão do Qatar, primeiro do ranking, cerca de R$ 15.000,00, quase 10 vezes mais do que um brasileiro. – Por mero acaso, seu filho ou seu vizinho, sabem onde fica o Qatar?

Em nossa frente estão Romênia, Venezuela, Líbano e até a falida Grécia. Por estes dados, pesquisados pelo banco Mundial, é óbvio que qualquer pessoa afirmaria que somos miseráveis, pobres, insignificantes; mas nossos políticos usam o contrário para simplesmente fazerem propaganda eleitoral. Eles querem que de fato acreditemos que deixamos o ranço da pobreza, inclusive de espírito, e mergulhamos num oceano de bonança...

Culpa exclusiva da Presidente Dilma? Óbvio que não! Qualquer que fosse o partido ou o presidente que estivesse em exercício durante o advento de uma notícia desta faria o mesmo barulho com propaganda pesada; mas a verdade que este tipo de comentário somente interessa aos grandes investidores internacionais que qualifica nosso país como mais ou menos confiável; e aos analfabetos brasileiros, que para nossa infelicidade são maioria, para ilustrarem suas conversas inúteis e gabarem-se de agora pertencerem a um país de primeiro mundo.

Da lista dos 10 primeiros países mais ricos do planeta, salvo a bagunçada e explorada China, o Brasil é o que mais apresenta sinais de miséria; e quando eu cito “miséria”, não quero dizer apenas sobre as cenas tristonhas de pessoas na mais completa necessidade; eu quero também citar que não temos uma educação sequer razoável; nossa segurança pública é um modelo para a vergonha; nosso sistema judiciário é a desonra em modelo; nos lugares mais esquecidos do Brasil como Norte e Nordeste predomina a fome, o medo e a completa falta de estrutura básica para se viver com o mínimo de dignidade, simplesmente inexiste.

Os mesmos problemas das milhares de favelas encravadas em todo tipo de morro ou até mesmo no plano, como observamos nos arredores de Brasília, traçam um verdadeiro mapa da condição financeira geral do povo brasileiro; e não venham me dizer que eles, os moradores de favelas, são ricos, mas resolveram “tirar uma onda”!

Parte desta nossa pobreza, inclusive de espírito, parte do princípio que ficamos vulneráveis após ocorrências inusitadas, como ganhar um dinheiro extra. Ao primeiro indício de que mudamos de vida, para melhor, em geral partimos para a gastança e queremos logo mostrar que estamos bem. Tudo isso por que quase ninguém se precavi ou trabalha para se satisfazer; a maioria de nós quer é viver de aparência; apresentar uma imagem falsa apenas para ganhar elogios. Nosso problema é gravíssimo e cultural!

É quase impossível, para mim, acreditar que o povo brasileiro, é capaz de produzir um modelo de gestão capaz de nos colocar entre os mais ricos do Globo, pelo menos nos próximos 100 anos. Não possuímos civilização de poupar nada; e se assim o é, se não conseguimos entender o termo “economizar”, nem mesmo a vida, como é que podemos chegar neste tal de primeiro mundo?

Dois fatos bobos, dentre tantos, que muitos podem não aceitar a comparação com cultura ou “riqueza”, mas que determinam bem a nossa ignomínia com relação a outros povos atende pelo nome de “dengue” e “enchentes”. Não conseguimos entender que água parada em vasos simples prolifera um mosquito que mata pessoas; ou ainda que jogar lixo na rua provoca enchentes que igualmente aos mosquitos da dengue, também mata centenas de pessoas por ano; será mesmo que estamos preparados para ingressar neste primeiro mundo?

Citar a dengue e o lixo na rua é apenas uma provocação simplória para não alongar o texto com questões como educação, saneamento básico, segurança pública, saúde, justiça, energia e políticas públicas. Em todos estes temas, infelizmente, amargamos sempre as piores posições entre os que se rotulam emergentes.

Estar no Primeiro Mundo nada mais é que conceito; o termo surgiu com a criação da Teoria dos Mundos, originado durante a Guerra Fria, para descrever o conjunto de países que posicionaram-se à favor do capitalismo e se aliaram aos Estados Unidos durante. O termo também é usado para descrever os países desenvolvidos, já que a maioria dos países que compõem o primeiro mundo tem um considerável desenvolvimento econômico e “social”, e dessa maneira a maioria dos países hoje considerados desenvolvidos eram os que pertenciam ao Primeiro Mundo.

Ter considerável desenvolvimento econômico e social é o ponto chave desta nossa epopeia lírica imaginária; e como diria o Ministro Ayres Britto, um salto triplo carpado hermenêutico do ponto onde estávamos, e sempre estivemos, para esta redoma seleta que atribuem agora a nossa chegada.

Podemos sim ter alcançado um patamar formidável econômico; dado ao empenho de vários Governos desde a implementação democrática de FHC, passando por Lula e chegando a Dilma Rousseff, mas daí a alcançarmos o sonho do desenvolvimento social vai muito mais além do que o Governo ter dinheiro no cofre. Impetrar um selo de qualidade social de um povo tão numeroso como o nosso e tão disperso de movimentos capazes de lutar por um objetivo é um tarefa árdua e necessita muito mais de empenho daqueles que fazem a propaganda de hoje, do que do próprio povo.

O dinheiro que mobilizamos e contabilizamos como nosso, do Brasil, precisa passar por canalização onde gargalos o impeçam de jorrar em terras nada férteis como as da corrupção; se faz necessário que este dinheiro seja canalizado de forma responsável para o melhoramento de temas como saúde, educação, saneamento, segurança e justiça; salvo em contrário, perceberemos em um futuro breve que esta história de sermos ricos é mera história da Carochinha e que na verdade somos miseráveis, analfabetos, mal educados, cegos, surdos e mudos.

Os ricos daqui são poucos e estes poucos ganham dinheiro no Brasil e se orgulham de morar nos Estados Unidos e veranear nas praias cálidas da Cote D’Azul. Os que pensam que são ricos aqui e que alardeiam este rótulo de Primeiro Mundo, são aqueles que até ontem tinham um Fiat Uno e que agora conseguiram comprar um Sedã semiluxo; ou os que deixaram a vela TV de tubo por uma de LCD, somente porque esta baixou de preço no bazar da Ricardo Eletro. Os que pensam que são ricos no Brasil são aqueles que ganharam mais e se comprometeram em 24 prestações do carro, 12 parcelas dos móveis e 120 meses do apartamento, apenas imaginando que isso vai durar a vida inteira. No meu ponto de vista isso não é ser rico; é ser burro!

Quem ainda desejar conhecer este Brasil cheio de grandeza para poder dizer a verdade, precisa conhecer a vida dos nordestinos que vivem do Bolsa Família; um nordeste imaginário que está presente em todos os Estados e que sinaliza estender por mais e mais lugares.

No vídeo em destaque, um documentário da época em que Dilma Rousseff era apenas uma candidata; vídeo de sua campanha a Presidente, em que é afirmado que ainda temos 18 milhões de miseráveis. Será que estes 18 milhões de miseráveis também passaram todos para o Primeiro Mundo?

Pobre povo brasileiro que ama medalhas, que coleciona láureas e que se gaba de ser aquilo que nunca foi e de pertencer a uma cultura tão distante de nós!

Você mora neste Primeiro Mundo?


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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