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O BRASIL SEM TUPETE

Sábado, 02 de Julho de 2011
O BRASIL SEM TUPETEO BRASIL SEM TUPETE

Ele nasceu Itamar Augusto Cautiero Franco; ao contrário que se pensa, nasceu no mar, a bordo de um navio mercante e foi registrado na Bahia em 28 de junho de 1930 e não nas Minas Gerais como se imaginava; mas era de Minas que o rapaz sagaz, Oficial do Exército, que revolucionou a política de Juiz de Fora foi Engenheiro Civil e logo que saiu da Universidade Federal em 1955, três anos depois ingressava na carreira política como candidato a vereador e Vice-Prefeito; nos dois pleitos não obteve êxito!

Itamar Franco não conheceu o pai devido ao falecimento do mesmo logo após seu nascimento. A família mineira de origem humilde, aturdida com a morte do esteio encontrou guarida na casa de um parente na Bahia...

Contraditório e firme em suas decisões, muitas vezes Itamar Franco contrariava até mesmo os aliados, principalmente se fosse para sustentar uma tese. Entrou na política através do partido de Vargas, o PTB e durante o advento maléfico da Ditadura Militar filiou-se ao extinto MDB. Pela sigla do Movimento Democrático Brasileiro foi prefeito de sua cidade por adoção, Juiz de Fora em duas ocasiões. No meio do segundo mandato como chefe do Executivo renunciou para se eleger Senador da República por Minas Gerais em 1975. Minas Gerais e o Brasil conheciam o baiano de pulso firme e mãos valentes; naquela ocasião Itamar Franco saía de Minas Gerais para permanecer na história!

Pela ativa ação contrária ao movimento militar foi reeleito Senador, desta vez já pelo PMDB. Fez campanha aberta pela eleição de Tancredo Neves e viu seu amigo vencer a eleição para Presidente do Brasil e logo em seguida sucumbir a uma enfermidade até hoje não explicada. Migrou-se para o Partido Liberal e quis realizar um sonho antigo, o de ser Governador de Minas Gerais, mas o sonho foi adiado; voltou ao Senado pela terceira vez e já estava se consolidando como um dos mais influentes do Congresso.

Em 1988 atou-se em ideais políticos com o então Governador das Alagoas, Fernando Collor de Mello e foi seu par na chapa das eleições presidenciais de 1989. Em pouco tempo o político muito conhecido no meio do Poder passaria sem nem imaginar e sem nenhum planejamento, de humilde coadjuvante do Planalto a Chefe Mor do Brasil em decorrência do impeachment de Collor. Aquele que desejou ser Governador de seu Estado de adoção se tornava Presidente do Brasil e teria o maior desafio que um chefe desta nação já teve em 50 anos.

Durante sua estada no Planalto muito precisava ser mudado; traços da história recente precisavam ser apagados e um planejamento inédito de crescimento brasileiro precisou ser parido em tempo recorde. Com ou sem a ajuda de aliados foi exatamente isso que fez Itamar Franco, a começar pelo plebiscito da forma de governo. Consolidado a República Presidencialista o Presidente pretendeu mudar a moeda e conseguiu. Poucos lembram que o Real, hoje muito forte e respeitado mundialmente, nasceu pelo casamento político entre Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco em 1994.

Itamar veria ainda o seu Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso; sucedê-lo na presidência brasileira, um dos feitos que na época, ele sempre citou com muito orgulho e que anos mais tarde virou ferrenho opositor de FHC por questões ideológicas e há quem diga que com toques de ciúmes. Verdade ou mito Itamar não apoiou FHC no segundo mandato; ameaçou ser candidato a presidente em oposição a Serra, mas de última hora resolveu apoiar Lula e se eleger Governador de Minas Gerais.

Depois dos episódios de rixa política com FHC a carreira política de Franco deu uma guinada contrária e o levou a exilar-se para reflexões em Juiz de Fora. Foi derrotado das prévias do PMDB que escolheu Antony Garotinho como candidato a Presidente e não ele; no Senado perdeu para Newton Cardoso e em 2009 saiu do PMDB com muita animosidade.

Dentre as muitas polêmicas que ajudou a dar vida, Itamar Franco foi radicalmente contra a Pena de Morte e a prorrogação do mandato de José Sarney como Presidente do Brasil. Flagrado com uma atriz que usava uma mini-saia sem calcinha ao seu lado num palanque, enfrentou a imprensa e a opinião pública sempre afirmando que sua vida privada não pertencia a ninguém. Durante seu curto mandato como Vice-Presidente, assim que tomou posse já foi logo se afastando de Collor por divergências administrativas e ideológicas. Quando percebeu a incursão de colaboradores do regime militar no partido, afastou-se definitivamente do PRN e passou a criticar publicamente Collor.

Da vida curta como Presidente do Brasil, herdado por um retrocesso político inigualável, Itamar Franco acabou se consolidando como o único Presidente a não colecionar escândalos na história republicana de nosso país; saiu do Planalto com 84% de aprovação pública, número maior do que o atingido por Lula recentemente! Itamar também foi Embaixador do Brasil em Portugal e depois foi o Embaixador do Brasil junto a Organização dos Estados Americanos – OEA.

Nas últimas eleições enfrentou Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte cotado como favorito ao Senado; sagrou-se vitorioso ao lado de Aécio Neves e assumiu pela quarta vez uma cadeira no Senado; em maio último recebeu a notícia que tinha leucemia e hoje, dia 02 de Julho de 2011, dia da Independência da Bahia, faleceu em São Paulo em decorrência da enfermidade.

Durante uma das minhas tantas passagens por Minas Gerais, estive em Juiz de Fora e fui jantar na Restaurante Brasão, pertinho do Parque Henrique Halfeld; sem nem imaginar que não iria apenas comer um espaguete ao sugo, encontrei numa mesa de canto o político Itamar Franco. Meu sotaque baiano lhe chamou a atenção e durante alguns instantes trocamos dois dedos de prosa; encontramos-nos outra vez no estacionamento da Gráfica Esdeva e ele lembrou-se de nossa conversa; depois disso jamais voltamos a nos ver novamente. Eu jamais imaginei que ali estava o futuro Presidente do Brasil e homem de tantas polêmicas...

A história de Itamar Franco dá para se fazer vários livros e muitos filmes. Muitos diziam que ele sempre foi sensacionalista, outros o veneravam por suas decisões polêmicas; fato mesmo é que possa tê-lo acusado de tudo durante sues 81 anos, menos de corrupção, enriquecimento ilícito, inércia, preguiça ou omissão. Itamar era uma espécie de homem que já não enxerga mais, quiçá se ouve falar. Ele sempre falou aquilo que lhe vinha à cabeça, doesse em que fosse. Cobrava retidão e seriedade de seus colaboradores e se dava sempre ao respeito, quando de suas ações políticas. Fazia o estilo “escreveu não leu é analfabeto”; amigo para ele tinha que ser leal e não aproveitador; muito comum nos dias atuais.

A imprensa sensacionalista já chegou a acusá-lo de homossexualismo; - e se assim o fosse, o que mudaria no estilo arrogante, firme e justo que ele fazia questão de manter? – Nada! Quem nutria por Itamar o sentimento da execração, assim o fazia por despeito, ciúme, medo; eram e são aqueles que não têm coragem de falar nada; que se escondem atrás de uma porta frágil chamada vergonha.

Vingativo? – Talvez! Excessivo? – Quem sabe? – Medroso? – Creio que jamais o foi, nem quando se viu diante da morte há 4 meses; muito menos quando ressuscitou o Fusca. Itamar é uma daquelas pessoas que conhecemos uma única vez e que demorará séculos até surgir outra. Se foi bom administrador, isso eu não tenho capacidade de discernir, mas que foi um excelente estadista, isso a história já provou!

A Bahia que jamais pode se orgulhar de ter parido um Presidente pôde por um simples traço histórico acidental afirmar que Itamar Franco nascera no mar e fora registrado lá. Mineiro dos bons, tradicionalista; firme nas ações e conclusivo nas decisões; Itamar Augusto Cautiero Franco deixa o cenário político brasileiro para entrar definitivamente na história de nosso país!


Carlos Henrique Mascarenhas Pires


Fotos: Senado



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