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MULHER X VIOLÊNCIA - COSTUMES DO MUNDO

Quarta feira, 13 de Dezembro de 2006
MULHER X VIOLÊNCIA - COSTUMES DO MUNDO

Em “Mulheres de Atenas” Chico Buarque retratou bem a história das mulheres ao longo dos milhares de anos que se passaram até chegarmos em 2006.

A submissão feminina começa mesmo pela primeira mulher, na versão divina onde Deus sentiu a necessidade de criar um ser para fazer par ao Adão e ajudá-lo no povoamento do mundo. Pôs seios, arrancou-lhe o pênis, mudou seus hormônios e como a própria versão divina descreve, a mulher Eva deveria TOMAR CONTA DOS FILHOS e GERAR MAIS FILHOS. Traduzindo, a mulher foi concebida na Bíblia Sagrada como um ser humano diferente do homem, que deveria viver para a família e respeitar o marido.

Esta versão arcaica da mulher objeto e imprestável durou até bem pouco. Se voltarmos um pouco na história, na década de 70, o mundo inteiro ainda estava sob domínio masculino e a mulher só servia para esperar o marido bêbado em casa, abrir as pernas e deixá-lo ejacular. Ela não podia aspirar sonhos que a fizesse sair dos limítrofes do lar; no máximo a mulher poderia ser “normalista”, como se falava antigamente.

Se lembrarmos um pouquinho da história antiga e medieval, salvo algumas rainhas inglesas e as rainhas do Egito (poucas), as mulheres não se destacaram em nenhum campo das artes ou das ciências. -Mas será que era por falta de aptidão? Claro que não! Os homens de época sufocavam os valores femininos e as deixavam a beira de um fogão ou apenas para procriarem (nas camas) e muitas vezes quando uma ou outra se destacava, a sociedade ou o clero tratava de matá-las, condená-las às masmorras sujas ou nas fogueiras “santas” como Joana D’Arc.

Mais uma vez citando “Mulheres de Atenas”, Chico Buarque escreveu que éramos para nos espelhar nos exemplos daquelas mulheres de Atenas pois elas viviam pros seus maridos e quando eram amadas, se perfumavam; quando eram fustigadas não choravam, pediam, imploravam; mulheres que teciam longos bordados. Citou que os soldados de Atenas, esposos das mesmas mulheres, quando se entupiam de vinho arrancavam carinhos de outras falenas, mas no fim da noite, aos pedaços, voltam pros braços de suas pequenas Helenas. Disse que elas não possuem gostos ou vontades, nem defeitos, nem qualidades, têm medo apenas. Não possuem sonhos, somente presságios. Escreveu ainda que as jovens viúvas e gestantes abandonadas não faziam cenas, se vestiam de negro, se encolhiam, se conformavam e se recolhiam em suas novenas e por fim, para que tivéssemos como exemplo as mulheres de Atenas, pois elas secavam-se por seus maridos.

Todos sabem que Chico Buarque jamais pensou em criar uma irmandade brasileira de mulheres submissas. A música foi uma apologia à ditadura militar brasileira e uma forma de incentivo para que as nossas mulheres não baixassem as cabeças, mas Buarque de Holanda descreveu sem faltar nenhum ponto ou traço a forma de tratamento dispensada a mulher, desde Atenas antes de Cristo até o Brasil de Médici.

Depois da década de 70 a mulher deixou de ser apenas um banco de esperma ou uma espécie de escrava do lar e começou um processo evolutivo de mudanças múltiplas que culminou com eleições que as conduziram a inúmeros palácios presidenciais, assembléias legislativas, primeiros ministérios e a maior de todas as conquistas, a técnica comercial que fez da mulher uma parceira igual a qualquer homem nas ciências e na administração de grandes empresas.

A mulher saiu do lar para ocupar as faculdades e o resultado desta operação é que elas passaram a ser mais respeitadas e tratadas (nem sempre) como pessoas normais, capazes e suficientemente fortes para disputar vagas importantes com homens tradicionalistas. Foi desta forma que Margareth Thatcher chegou ao primeiro ministério da Grã Bretanha por longos 12 anos.

Mas a mulher a nível mundial ainda vive conforme regras de mil anos atrás. No Oriente Médio quase nada mudou desde os tempos de Maomé. Em alguns países como o moderno e rico Kuwait as mulheres são obrigadas a se vestir com trajes milenares e a exposição de suas faces, por exemplo, a depender da situação podem levá-las a morte.

Nos paises africanos, em quase todos eles o tratamento dispensado para as mulheres também é brutal e desumano. Podemos dizer que cães e cavalos são melhores tratados em muitas nações africanas do que as mulheres...

Mas e aqui no Brasil? Será que a mulher é tratada de forma igual pelos homens e pelas próprias mulheres?

Um estudo recente da ONU revela que a mulher brasileira evoluiu como as demais mulheres de paises emergentes mas os homens ainda costumam tratá-las como objetos sexuais e escravas em grande parte da sociedade, sobretudo as camadas mais pobres. Outro tema muito discutido que é preocupante no Brasil é o crescimento da onde de violência contra a mulher. O estupro é uma das violências mais praticadas ainda hoje e cerca de 90% dos casos são disfarçados de “amor” pois são descendentes dos próprios maridos, noivos ou namorados.

As mulheres continuam sendo usadas e educadas em muitos locais do Brasil para serem subservientes e passivas, registrando mais uma vez, pelas camadas mais pobres da sociedade. No Nordeste ainda é raro notarmos uma mulher que tenha prestígio entre seus próprios vizinhos; é pouco comum o uso da justiça ou da policia especializada nos momentos de prática de violência contra elas, mas as mulheres brasileiras estão reagindo e núcleos de informação estão sendo formados e estão ganhando adesão de muitos homens e, são claro, mulheres.

A Lei 11.340/2006, chamada carinhosamente de Lei Maria da Penha, em homenagem a uma brasileira que ficou tetraplégica após agressão do marido, passou a valer em setembro ultimo e nasce com a promessa de punir severamente todos os que utilizarem de força bruta desigual contra qualquer pessoa do sexo feminino. Isso é muito pouco, mas é o começo.

No dia que o Governo Federal abrir os olhos e der à devida importância às questões de raízes como as prostitutas de oito anos do Ceará ou as milhares de mulheres indígenas que saem das suas aldeias também para a prostituição, com certeza a questão já estará menos pretensa de piorar. No dia em que a EMBRATUR começar a não vender a imagem do Brasil na Europa através de bundas, peitos e marquinhas de biquínis nos cartões postais ou o Comitê Gestor de Internet não permitir a exibição de imagens de crianças brasileiras nuas nas páginas de provedores como Terra e Uol, quem sabe a importância da mulher seja de fato uma questão de ética e reconhecimento que elas só são diferentes de nós na anatomia?

A problemática deverá ter sua “solucionática” de ações sérias e de educações de base, como por exemplo, na nossa própria casa.

 



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