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MÉDICO TARADO VOLTA À CADEIA

Quarta feira, 20 de Agosto de 2014
MÉDICO TARADO VOLTA À CADEIA

PROMETO: “Que ao exercer a arte de curar, me mostrarei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados os quais terei como preceito de honra; nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu a minha vida e a minha arte com a boa reputação entre os homens e para sempre; se dele me afastar ou infringir suceda-me o contrário”.

Quem disse a frase acima, a cerca de 2500 anos foi Hipócrates, o pai moderno da medicina. Tais palavras se tornaram conhecida até hoje como sendo o juramento do médico; a promissão que o profissional faz perante sua turma, mestres, parentes, convidados e desconhecidos no ato da colação de grau. Depois que o médico diz estas palavras, em tese, ele está pronto para curar os males das pessoas e fazer da sua arte a arte da preservação da vida. Mas como nem tudo é perfeito, Roger Abdelmassih, brasileiro de sangue e libanês de coração, traiu tudo que pressagiara ao concluir a faculdade de medicina.

Dia 23 de Novembro de 2010, Abdelmassih soube da sentença de 278 anos de sua prisão em regime fechado; maior parte do infortúnio por crime de estupro, porque segundo a polícia, ele vinha exercendo com suas pacientes, há anos, dentro de sua luxuosa clínica de reprodução humana em São Paulo, relações sexuais forçadas; mas aguardou a sequela de um recurso judicial em LIBERDADE, porque estava sob o arrimo de um habeas corpos, afiançado pelo Supremo Tribunal Federal, solicitado através de ninguém menos que Márcio Tomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula e advogado de pessoas como Antonio Carlos Magalhães e outros do mesmo nível. Todos devem lembrar-se da cena em que Roger Abdelmassih saiu de sua clínica de alto luxo escoltado por policiais, com algemas nos braços e posto dentro de um camburão que partiu em direção a cadeia.

Estive pesquisando antes de publicar este texto e quando busquei algumas informações sobre este médico maníaco. Eu já sabia que ele sempre foi uma espécie de celebridade no Brasil; benemérito de algumas causas sociais e um amigo de muita gente importante. Abdelmassih aparece sorridente em fotos com Roberto Carlos, Hebe Camargo, Rogério Ceni, Tom Cavalcante, Ana Maria Braga, com o rabino Henry Sobel, Pelé, Fernando Collor de Mello, Renan Calheiros e até dizem que foi ele quem conseguiu engravidar a mãe dos filhos do apresentador Gugu Liberato; dentre dezenas de outras estrelas da televisão. Ficou claro que além da medicina e dos estupros o médico taradão adorava estar na mira dos holofotes.

Seria cômico se não fosse medonho, mas quando analisamos as palavras proferidas por Hipócrates, foi precisamente o contrário que Roger Abdelmassih praticou durante a sua vida de médico. Se um dia ele curou alguém eventualmente; jamais exerceu os princípios da honestidade, muito menos foi caridoso ou contribuiu com qualquer ciência, salvo a criminal. Ao que consta nos anais policiais, Abdelmassih penetrou sim, mas seu órgão genital em suas pacientes sedadas; e sua língua, que deveria calar-se diante dos segredos da profissão, também penetrou nas bocas de suas vítimas inconscientes. Ele também se favoreceu da profissão para adulterar os costumes e patrocinou o crescimento do crime; não cumpriu em nada seu juramento e se um dia gozou, infelizmente, o fez no mais baixo nível da palavra, no sentido da concupiscência, da pornografia, lascívia e devassidão. Entre os homens, hoje, sua reputação é a mais negativa que se possa imaginar, porque não se trata de um médico que teve um lapso de caráter; trata-se de um médico que criou fama e fortuna e que se aproveitou de tudo isso para trair a confiança de quem o ajudou a consegui-los.

Como se afastou de todos os preceitos éticos, que envolvem a honra e a conduta, agora terá que encarar até o fim de seus dias o pior que uma sociedade pode nos impor, a marginalidade e as consequências jurídicas criminais. Mesmo condenado e em liberdade, sofrerá na pele a pior das prisões, que é o cárcere pessoal, mas o que todos imaginavam, aconteceu. Roger Abdelmassih fugiu; e foi para onde todos vão quando fogem da justiça, o Paraguai.

Ele até poderia ser absolvido e canonizado pelo Papa, mas ninguém mais em sã consciência iria confiar sua vida e a vida de seus futuros filhos ao exercício de sua profissão, porque não foram dois ou três casos isolados de ninfetas que foram lhe consultar; segundo dados do processo e do inquérito policial, as mulheres que se identificaram, afastando de vez o fantasma do preconceito, foram mais de 50; cinquenta mulheres usadas das formas mais sórdidas enquanto dormiam sob efeitos de seus entorpecentes.

Não se trata do vizinho que embebeda a moça na festa e a leva para um motel para uma noite de sexo forçado. Trata-se de um médico que sabe muito bem aplicar a dosagem certa de alguma droga para que sua vítima sucumba num sono profundo para que ele a abuse de todas as maneiras imagináveis. São dezenas de mulheres que confiaram a sua reputação, até então irrefutável, para engravidarem, pois tinham dificuldades numa vida rotineira. Foram jovens solteiras, casadas, noivas e até senhoras de mais idade que estiveram inúmeras vezes nas mãos do Roger Abdelmassih; algumas delas perceberam, não retornaram e nada fizeram, pois nenhum delegado, promotor, juiz ou sacristão acreditariam que aquele “santo” fosse capaz de fazer mal a uma mosca.

O Conselho de Medicina (CRM) cassou a carteira e o diploma de médico do velho tarado, mas mesmo que não o fizessem; com certeza ele não careceria mais do documento, a não ser que fosse clinicar na Coréia do Norte, Irã ou no Paraguai (lugar onde recebeu guarida); onde a mulher ainda é vista como algo descartável e inútil.

Discutir se a sentença da Justiça de São Paulo foi enorme, se é inútil, pois ele ficou em liberdade e dificilmente, pelo que se conhece do Brasil, ele voltaria ao cárcere, eu deixo isso para os renomados juristas que adoram prosopopeias homéricas e as batalhas ilíacas, onde o belo latim sobrepõe-se a língua filha portuguesa e que ao final, tudo acaba terminando numa pizzaria repleta de ébrios que não entenderam nada. Eu até cheguei a pensar no velhinho Abdelmassih numa cela comum (cela especial somente antes do julgamento), com bandidos tão depravados quanto ele, dormindo de conchinha com a galera, com o rosto colado na privada, mas a cena não ocorreu, porque o cara sumiu; até hoje, quando foi encontrado passeando num carro de luxo no Paraguai, em companhia da esposa. Roger Abdelmassih foi preso e conduzido até Foz do Iguaçu; e em seguida, São Paulo, onde será apresentado a polícia.

A clínica de Abdelmassih, pelo que consta, continua funcionando normalmente; na página da internet um comunicado assinado pelos doutores Vicente Abdelmassih e Soraya Abdelmassih, afirmam seus compromissos com o trabalho médico, com as causas científicas e com os casais que desejam ter seus filhos; difícil mesmo é acreditar, mesmo que nenhum dos dois tenha sido citado ou acusado. O peso maior neste caso é da clínica e do sobrenome!

Para se ter uma ideia do que foi o julgamento de Abdelmassih, de acordo com a sentença da juíza, foram ouvidas 250 testemunhas e o processo tem 10 mil páginas. Vítimas e testemunhas de vários estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte, Piauí e Rio de Janeiro prestaram depoimento. Segundo a sentença, o "médico constrangeu ou tentou constranger as vítimas, sempre mediante violência real, a praticar ou permitir que com elas praticasse atos libidinosos diversos da conjunção carnal".

O Ministério Público garantiu que Roger Abdelmassih cumprirá o máximo permitido da pena imposta; a acusação pediu 300 anos de prisão, mas a juíza entendeu que alguns casos não foram pertinentes ao processo; e o absolveu em sete casos. O Médico se aproveitou do habeas corpos e fugiu; agora foi preso novamente; e o que se espera é que o Supremo Tribunal Federal não lhe conceda outra carta branca para fugir, para não virar mais um dramalhão mexicano, que poderia se chamar: “O velho lobo mal que papou a chapeuzinho, a vovozinha e outras mais; ficou rico, famoso e solto; e feliz para sempre!”

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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