É muito digna a atitude do Presidente Lula quando autorizou que seis aeronaves da Força Aérea Brasileira fizessem o transporte de passageiros encalhados nos aeroportos mais freqüentados do Brasil que vivem uma crise tempestiva desde a queda do Boeing da Gol; com certeza Lula fez a sua parte para ajudar estas pessoas que no período de festas natalina tentaram se deslocar para diversas cidades e chegaram a ficar três dias parados e esperando voar.
O problema foi de fato criado pela TAM que segundo a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) vendeu mais passagens do que disporia suas aeronaves e o gesto presidencial somente ajudou a minimizar o problema de alguns poucos passageiros que já voaram, mas no final, quem pagará a conta desta caridade do Planalto?
Os aviões da FAB que farão o transbordo dos passageiros com certeza possuem um custo alto pois não estão adaptados e preparados para este tipo de serviço; entre manutenção obrigatória, combustível e reposição de peças, estas aeronaves gastam em média 35% a mais do que os jatos comerciais, segundo um amigo da FAB, e esta conta em tese deveria ser repassada para a TAM e outras companhias que iniciaram esta problemática, mas todos nós sabemos que esta conta, no final, será integralmente nossa. Sim, a conta desta baldeação já está paga por cada um dos brasileiros que contribuem com impostos e com certeza será repassada para o próximo orçamento do Brasil pois a FAB não poderá ficar (em tese) com esta despesa e com mais certeza ainda os oficiais generais que administram o orçamento da FAB pedirá ao concessor da gentileza (Lula) que reponha aos cofres o dinheiro gasto com a operação.
O diretor da TAM, Paulo Castelo Branco, informou numa entrevista que de fato algumas aeronaves foram postas na manutenção, sem previsão de saída, e que a estratégia é acomodar o volume de duas aeronaves em uma, mas como as aeronaves não são elásticas, não cabe o número de passageiros programado. Fazer o que?
Paulo Castelo Branco esqueceu que o transporte aéreo nacional é uma concessão federal, que pode sofrer desde sansões até a cassação definitiva. O diretor esqueceu também que o gesto irônico dele a da companhia que dirige causa prejuízos enormes ao Brasil e que por causa da irresponsabilidade e do furto da consciência que eles promoveram, eu que não tenho nada a ver com este problema, estou ajudando a pagar de alguma forma; pagar inclusive regalias que ele, administrador da TAM, costuma ter o ano inteiro.
O presidente Lula, mais uma vez registrando, fez a sua parte, em parte, pois deveria mandar que o Ministro Waldir Pires multasse a princípio a TAM pelo gesto aziago de vender mais passagem do que sua capacidade (ou capacidade de seus aviões) e todos estes dólares que serão gastos na operação de resgate da TAM não poderia ter sido gasto na compra de cestas básicas para os famintos que passarão o natal sem nada para comer? Com certeza nem Lula nem Waldir Pires, aliás; deixando clara a minha admiração pelo Ministro Waldir que é meu amigo dos tempos da política baiana, mas que recebeu um presente de grego quando assumiu o Ministério da Defesa em substituição ao Vice-Presidente Alencar; fariam qualquer esforço para multar a TAM ou qualquer outra companhia aérea brasileira para não serem responsabilizados no futuro por um possível fechamento de qualquer uma destas que ainda sobreviveram ao efeito 11 de setembro ou efeito Bin Laden. O mais certo é que Lula e Waldir Pires e também o Castelo Branco da TAM não terão nenhuma dificuldade para passarem as festas de final de ano com seus entes queridos, seja onde for neste Brasil enorme e aliás, valendo lembrar que eles não viajam em aviões de carreira por possuírem prerrogativas federais e o ultimo por ser diretor da empresa.
Em 2007, quando nós recebermos os aumentos das contas de água, luz, telefone ou do imposto de renda, é bom lembrar que centavos a mais de todas elas, de cada brasileiro, serão destinados ao pagamento das contas do uso destes aviões do governo para salvar a imagem de uma empresa privada, cujos lucros não voltam em benefício para nenhum de nós.
Este Brasil é uma vergonha!
Carlos Henrique Mascarenhas Pires