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JEAN CHARLES, HERÓI OU SANTO?

Sexta feira, 29 de Julho de 2005
JEAN CHARLES, HERÓI OU SANTO?

Se buscarmos pesquisar de forma criteriosa a história do Brasil notará que estamos sempre buscando mitos e heróis para justificarmos ou protestarmos qualquer assunto do momento. Isso aconteceu com Tancredo Neves, Chico Mendes, Ayrton Senna e tantos outros que se tornaram heróis e mitos após a morte. Se a morte for trágica é um passo para a canonização, pois o brasileiro necessita destes vultos para gritar ao amanhecer e esquecê-los em poucos anos.

Agora a “bola da vez” é o Jean Charles de Menezes, o mineiro que morava ilegal na Grã Bretanha e por uma ação confusa da polícia metropolitana de Londres foi morto confundido com um terrorista.

Mas quem era o Jean Charles de Menezes? Mais um mineiro que sonhava com o eldorado dos dólares americanos e que não teve coragem de seguir pelo caminho dos coiotes e resolveu tentar a vida nas “terras da rainha Elizabete” de forma ilegal. O rapaz era eletricista e tinha uma vida pacata lá na Inglaterra e até conseguia juntar algumas libras esterlinas para ajudar a família pobre em Gonzaga, interior mineiro que faz parte de um conglomerado de pequenas cidades ao redor de Governador Valadares que “exporta” milhares de néscios desguarnecidos de bilhares de neurônios para o exterior.

Segundo a inteligência da New Scotland Yard, Jean havia falsificado um carimbo no passaporte brasileiro e vivia ilegal na cidade de Londres e após uma batida policial no bairro onde ele morava, onde eram buscados suspeitos dos ataques terroristas que mataram mais de 70 pessoas em duas ocasiões diferentes. O brasileiro estava saindo de casa quando viu a movimentação policial intensa e ainda segundo relato policial, ficou assustado e correu, quando foi alvejado por sete tiros a queima roupa.

A ação nefasta da rigorosa polícia londrina, conhecida como pacífica, não é justificada sob nenhum prisma de justificativa, mas nós brasileiros abusamos muito quando estamos em terras estranhas. Estamos sempre pensando que tudo lá fora é como aqui, uma bagunça em que ao final, senta-se num boteco e bebe-se uma cerveja gelada.

Jean Charles foi morto e o Brasil, começando pela imprensa, tratou de transformá-lo em mártir, começando pela ida do chanceler brasileiro Celso Amorim a Londres para tomar satisfação das autoridades daquela cidade. Pelo evento o premier brasileiro acabou não sendo recebido pelo Primeiro Ministro inglês e só recebeu explicações do chefe de polícia que ao final, pediu desculpas e reiterou que o moço era ilegal e que as ações daquela polícia iriam continuar sendo aplicadas da mesma forma. Era o princípio de uma ação isolada de pessoas que gostam de aparecerem na imprensa para protestarem e era só se falar no moço morto que logo apareciam pessoas cantando o hino nacional sem conhecerem a letra e empunhando bandeiras do Brasil.

Volto a afirmar que os fins não justificam os meios, mas esta história de feriado municipal para receber o corpo do rapaz já é o cumulo do absurdo. A cidade parou na verdade por causa da imprensa que focou suas luzes lá e metade daquelas pessoas que choraram aos pés do alaúde sequer conheciam o falecido e o prefeito de Gonzaga, que jamais tivera a oportunidade de mostrar sua cidade para o mundo, resolveu dar uma de preguiçoso e aproveitador e parou todo o comércio local, inclusive escolas e outras repartições, em sinal medíocre de solidariedade.

Agora, alguns primos de Jean disseram que irão processar o governo britânico para que a família de Jean não fique desamparada, imaginando que as leis de lá são como as daqui, toscas e hilárias, onde os benefícios de ações danosas é uma prática cada vez mais comum entre os mais espertos.

O estrado encampado por pelegos, sensacionalistas e oportunistas chegou ao ponto de cortejo com bombeiros, avião da FAB e vários carros de polícia no esquema que foi do "nada para lugar algum" e pago com o dinheiro público. Volto a afirmar que a família e amigos mereceram o apoio do governo brasileiro, uma vez que não possuem condições de assumirem os trâmites legais do translado fúnebre, mas os excessos aplicados conseguiram desviar o foco das atenções até do mensalão.

O fato é que algumas polícias tratam os ilegais como ameaça a soberania e numa época onde qualquer um é suspeito em nações ligadas aos Estados Unidos, Jean estava na Inglaterra num momento fatídico onde aquele país, auxiliar dos EUA na guerra do Iraque, acabara de sofrer algo parecido ao acontecido no 11 de setembro e assim como os primos americanos de mesma língua, caça a qualquer custo os culpados e para se dizer à verdade, nenhuma corte inglesa ou internacional condenaria aqueles policiais pela prática equivocada que vitimou o brasileiro. No máximo, eles conseguirão (a família) uma soma em dinheiro de baixa relevância como espécie de “cala boca”.

Recente, os Estados Unidos modificou suas leis federais através de uma emenda parlamentar que diz que “toda pessoa ilegal naquela nação poderá ser considerado como suspeito de terrorismo” e tal pressuposição deixará qualquer polícia para agir da forma que melhor lhe convier.

Pobre povo miserável brasileiro que pensa que qualquer país é igual ao nosso onde tudo termina em pizza!

 



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