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JAGUARÃO FOI MEU DESTINO

Sexta feira, 01 de Outubro de 2010
JAGUARÃO FOI MEU DESTINO

(de Porto Alegre – RS) A vida é assim mesmo; o mundo está sempre nos preparando alguma posição particular; algumas vezes esta conjuntura pode ser triste, mas há também aquelas ocasiões onde a surpresa é tão agradável que supera qualquer ocorrência não planejada. 

Eu abri meu e-mail e lá estava uma mensagem da Azul Linhas Aéreas oferecendo passagens para qualquer lugar do Brasil ao custo de R$ 5,00; na mensagem dizia que a promoção teria tolerância de até 17 horas daquele dia e o horário em que recebi o e-mail já passava das 15:30, portanto, caso eu me interessasse em viajar a um baixo custo, teria menos de 2 horas para tentar o impossível, que era conseguir vaga em um dos aviões. Tentei ligar para alguns amigos, mas ninguém se predispôs a sair ao esmo, exceto André, um velho amigo de longas conversas. 

Tentei por mais de uma hora efetivar a compra, mas não tive sucesso; eu já estava me dando por vencido, quando liguei para a Azul e a atendente me disse que sim, que eu viajaria com aquela tarifa; imediatamente escolhi Porto Alegre, por ser um vôo direto e por eu querer imensamente conhecer algumas cidades gaúchas. 

Dois dias depois e lá estávamos embarcando a bordo do moderno e confortável Embraer 195 e duas horas depois pousávamos em Porto Alegre; depois foi só retirar o carro do pátio da locadora, ligar o GPS e partir para mais uma aventura insueta. Restava saber então se partiríamos para Santana do Livramento ou Chuí. Entre uma cidade e outra há uma topografia irregular com inúmeras composições lacustres, mas ao meio, eis que surge um nome pouco conhecido, pelo menos de nós dois, os aventureiros; era Jaguarão e foi para esta cidade que rumamos a partir de Pelotas; nossa aventura teria que nos levar ao Uruguai e Jaguarão seria a porta de entrada; depois iríamos conhecer as outras duas da programação; ledo engano! 

Chegamos quase sem combustível e quando entramos na cidade já era início da noite; precisávamos resolver uma questão primordial, onde ficar aquela noite; todos os hotéis estavam lotados, menos o Hotel Paganini, dos simpáticos e amáveis Neiva e Paganini; esta foi nossa primeira adorável surpresa. Quase enfrente ao hotel, na verdade, do lado, a segunda e majestosa maravilha, a Ponte Visconde de Mauá, da década de 30 e do outro lado do Rio Jaguarão fica o Uruguai, que nos recepciona através de “Río Branco”, uma pequenina cidade ordeira que vive do arroz e das lojas de importados que fazem a cabeça dos brasileiros. 

Viajar mais de 2 mil quilômetros, mesmo que a bordo de um confortável jato, para dar de cara com uma jóia perdida é de fato um achado incomum; não sabíamos nada sobre aquela cidade em que apontava num canto do GPS e por estarmos numa região recortada por arroios e lagos, sair de Jaguarão para rumar para uma cidade conhecida, poderia ser uma tarefa árdua pela distância, mas para nossa sorte, chegamos num destino onde o povo é receptivo, cheio de boas histórias dos tempos de Mauá, monumentos indescritíveis a exemplo da própria ponte que divide os dois países e casario secular, sendo que muitas destas edificações são tombadas pelo Patrimônio Histórico. Não bastasse tudo isso, estávamos numa região de fronteira internacional onde não se fala de drogas ou roubos de carros; e do outro lado a simpatia uruguaia e seus temperos culturais; chegamos a presenciar um pequeno desfile de carros antigos escoltados pela polícia de motocicletas e visitamos as ruínas da velha estação de trens que fazia a ligação entre o Brasil e o Uruguai. 

Fomos privilegiados por tudo que encontramos e brindamos sempre pela descoberta inusitada. Quem chega a Jaguarão pode, inclusive, dar um pulinho do outro lado da ponte e comprar numa das tantas lojas de importados uma boa garrafa de espumante francês por menos de 20 Reais; ou ainda comer torradas francesas com caviar da Dinamarca por menos de 30 Reais; quem gosta de eletrônicos vai encontrar uma diversidade incrível e para mim, amante inveterado das camisas pólo, uma de boa marca pela metade do que se encontra por estas bandas do Brasil. 

Mas a região entre Jaguarão e Río Branco não é só compras; há história pura de uma época de ouro onde as escolas não ensinam nas suas classes; durante minha estada na cidade houve até um congresso de arqueólogos que faziam estudos de uma construção importante que passará a ser museu em breve. A comida é típica dos pampas, mas não pensem que todos andam com um espero de churrasco nas costas e uma cuia de chimarrão; as pessoas de lá me apresentaram inúmeros pratos e opções diversas de bons doces; para quem for a Jaguarão, peçam ao Paganini por uma dose de Jurupiga, um licor da região muito apreciado. 

A história de Jaguarão como cidade brasileira remonta desde o início do Século XIX, mas em 1777 a região pertencia à Espanha; para quem observa no mapa do Brasil, acima um pouco do ponto mais ao sul, que é o vizinho Chuí, Jaguarão é o segundo ponto mais ao extremo sul brasileiro. Segundo traços históricos a cidade foi criada para facilitar o acesso da justiça a região e seus primeiros moradores investiram em muitas coisas belas para marca a nova cidade, mas as portas das casas e dos armazéns foram esculpidas de modo muito especial, dando aos moradores, até hoje, muito orgulho destas peças únicas em todo Brasil; algumas delas, mesmo que vagamente, me fizeram lembrar das portas marroquinas que encontrei em Casablanca. 

Andar pelas ruas de Jaguarão é como voltar ao passado; apesar de seus mais de 30 mil habitantes e uma frota grande de veículos automotores, ainda se observa tranqüilidade no Centro da cidade e na orla do Rio Jaguarão; a visão da Ponte Internacional Barão de Mauá é um dos pontos altos para quem chega e quando vamos descobrindo as histórias que esta ponte possui em quase cem anos de existência, passamos a admirar ainda mais alguns personagens de nossa história e nos entranhar nas curiosidades de cada raridade cultural, em cada sabor, cada prosa, enfim, mergulhar na diversidade cultural daquela região é como se conhecêssemos um Brasil completamente destino, deste que estamos acostumados, que compreende o Sudeste, região mais densamente populosa. 

Para os aventureiros das compras, não se pode esquecer que o limite de compras é de U$ 300,00 por pessoa e há regras e limites quanto a quantidade e tipo de produtos; a fiscalização sobre o vão da ponte é simples, mas abusar desta condição pode gerar conseqüências sérias perante a Receita Federal e Justiça Federal.

Para se chegar a Jaguarão somente por via terrestre e a cidade mais próxima que tem aeroporto é Pelotas, mas os vôos são em geral feitos por aeronaves pequenas e com hélices; na cidade há alguns hotéis, mas eles estão sempre lotados, portanto, pesquise e reserve com antecedência. Praticamente todos os lugares aceitam cartões de crédito, mas antes de consumir, mesmo observando um adesivo que indique, pergunte antes. No hotel Paganini eu paguei com cheque, mas em geral eles não aceitam. 

Após chegarem a Jaguarão, se estiver de carro e quiser conhecer o interior do Uruguai após Río Branco, procure o posto do Banrisul no Centro (Sr. Costinha) e compre a Carta Verde, que é o seguro para terceiros exigido pela autoridade uruguaia; para 3 dias a apólice custa menos de R$ 70,00. Vá conhecer Melo, uma linda cidade uruguaia distante cerca de 70 km de Jaguarão. Você ficará ainda mais deslumbrado! 

Por último, não custa lembrar que a região, por mais que possua um apelo turístico, não está preparada para grandes excursões ou grupos de sacoleiros. Eles recebem muitos gaúchos que vão se divertir com a família e aproveitam para comprar algumas coisas. Ande sempre com seus documentos, respeite as leis locais, respeite a cultura gaúcha, as leis federais e sirva-se do que há de mais agradável no Brasil e no Uruguai, a hospitalidade. 

Aproveite para descobrir um Brasil que Cabral jamais imaginou existir; visite o quanto antes Jaguarão e me conte somente boas histórias; assim como foi a minha! 

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires

 

Agenda:

Onde ficar: Hotel Paganini (53) 3261.2551

Onde Comer: No Brasil Restaurante Red’s (comida a quilo) e no Uruguai o simpático La Punta (Pizzaria e Parilla).

Onde comprar: No Uruguai a maior loja é a Neutral e quem me atendeu foi Noelia. O shopping The Place há enorme variedade de artigos de luxo com bons preços, procure por Gabriel ou Susy.

O que fazer: Visitar o casario, monumentos e a Ponte Internacional (Brasil – Uruguai). Aproveite para treinar o espanhol! 



Comentários 3

Vander

Quinta feira, 29 de Novembro de 2012, às 22:31
Boa noite Carlos, fiquei de boca aberta com a descrição de sua viagem. Pretendo ir a RS no final de ano e estou querendo dar uma esticadinha até o Uruguai. Mas estou preocupado com o carro que vou alugar. As locadoras dizem que não é possível esse feito, pois os carros locados no Brasil não podem trafegar no Uruguai. O que você me diz disso, porque quero ir até Montevidéu passando por Chui e saindo em Riviera / Santa do Livramento. !! Um grande abraço, Vander

Thaiane

Terça feira, 19 de Julho de 2011, às 20:18
Carlos,fiquei emocionada e ao mesmo tempo orgulhosa pela forma como descreveste a tua experiência na "minha terrinha".Gosto muito de Jaguarão! Espero que outras pessoas, assim como tu, possam conhecer e desfrutar da cultura, arquitetura e hospitalidade jaguarense.Sejas sempre bem-vindo!

Janine

Domingo, 03 de Julho de 2011, às 15:16
Carlos, foi com muito prazer que li o seu post. Sou natural de Porto Alegre mas, de coração, sou de Jaguarão e quero que esta linda cidade se torne mais conhecida como polo turístico devido a todas belezas naturais e arquitetônicas. Volte sempre! Lhe aguardaremos de braços abertos! Forte abraço, Janine



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