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IPHONE: SONHO DE CONSUMO!

Domingo, 04 de Abril de 2010
IPHONE: SONHO DE CONSUMO!

O mundo voltou-se completamente para a face mais consumista e mais vaidosa que se possa imaginar; quem tem um bom carro e o adquiriu a menos de um ano já faz cálculos para comprar um mais novo, mesmo sabendo que perderá uma fortuna na hora de vender aquele que já é considerado velho; no campo da telefonia os celulares são lançados no mercado como raios flamejantes; alguns aparelhos só faltam despir-se e fazer amor com seus donos, e lembrar que em menos de 15 anos só tínhamos tijolos que mal “pegavam” embaixo das antenas das operadoras...!

 

A verdade é que as pessoas perderam de vez a noção do plausível; ninguém mais sabe quanto custa alguma coisa e mesmo antes deles serem lançados a moçada já está entrando em filas virtuais para adquirirem estes bens tecnológicos; DVDs, celulares, câmeras fotográficas e filmadoras, televisores ultra modernos, automóveis, GPS e wallk mans, que agora deixaram de ser MP3 para serem MP10, entopem as cestas de sonhos destes novos consumistas e tudo que é considerado velho, ou acaba indo para as páginas de leilões virtuais, a exemplo do E-Bay e Mercado Livre ou são literalmente jogados no lixo, como se o dinheiro que os pagaram fossem um objeto irrisório e de nenhum valor.

 

Uma breve olhada nestes sites de leilões virtuais, que eu já retratei aqui como MLC (Mercados Livres para o Crime), pode-se observar verdadeiras aberrações; diplomas de faculdade em nome do comprador, carros, celulares de todos os tipos e que prometem todas as façanhas, manuais que ensinam como furtar e até um pedaço do tecido que envolveu Jesus na cruz; o que você precisar hoje, desde uma simples marmita até um avião, você encontrará sem muito esforço nestes sites suspeitos; um dos itens mais cobiçados deste tipo de anúncio é o Iphone Apple 3Gs; os jovens cobiçam esta peça até mais do que seus amantes e por incrível que pareça, fazem verdadeiros absurdos para comprá-lo e é nesta hora que aparecem três tipos de comerciantes; o lojista oficial, o comprador arrependido e o esperto.

 

As lojas que vendem oficialmente estes aparelhos de telefonia, que são na verdade uma unidade de processamento de dados com a função de celular; aproveitam para oferecerem seus serviços de dados e torpedos, afinal de contas, não se faz praticamente nada com eles se não tiverem conectado 24 horas na internet. Eu mesmo fiz uma pesquisa e encontrei preços que vão do mais simplório até o mais escancarado, como se pode ver a seguir:

 

Na operadora TIM o preço mais baixo para uma peça de 16 GB é de R$ 749,00, mas 10 parcelas de R$ 299,00 pelo pacote de serviços, quem escolher a modalidade pré-paga pagará R$ 1.860,00; Na operadora Oi o mesmo aparelho custa R$ 2.399,00 e o cliente receberá até R$ 2.000,00 em créditos na conta do plano escolhido; os planos da Oi variam entre R$ 120,00 e R$ 600,00 por mês. Na Claro o mesmo aparelho pode custar R$ 822,00 se você pagar um plano de R$ 223,00 por mês ou R$ 2.351,00 se o seu plano for pré-pago. Na Vivo o menor preço é R$ 749,00, mais o plano de R$ 589,00 por mês; se você escolher o plano pré-pago então pagará R$ 2.099,00. É bom lembrar que os planos são para fidelidade de no mínimo 12 meses e algumas operadoras, como a Claro, exigem 18 meses da mesma fidelidade para alguns planos. No final das contas o seu Iphone 3Gs custará R$ 3.748,00 na TIM, R$ 3.599,00 na Oi; R$ 3.052,00 na Claro e R$ 6.639,00 na Vivo. O mesmo aparelho se for comprado sem fidelidade sairá muito mais barato e se você se arriscar a comprar nos sites de leilões, este preço cairá para R$ 1.200,00 em média, a maioria sem nota fiscal e sem nenhuma garantia de procedência.

 

O mais engraçado disso tudo que envolve este sonho de consumo moderno é que praticamente menos de 1% dos usuários não conseguem utilizar nem 50% do que ele oferece; a maioria dos recursos oferecidos são jogos e entretenimentos e o que há de mais atrativo é a capacidade de armazenamento de músicas e vídeos; para ver seus e-mails sem ter plano de dados à conta no final do mês pode atingir facilmente R$ 1.200,00 e se for pré-pago os crétios acabam num piscar de olhos.

 

Uma boa opção para suprir esta sede de Iphone é comprar o Ipod Touch 3ª geração; este modelo faz praticamente tudo que seu irmão telefone, mas não é aparelho de telefonia; para estar conectado na mesma velocidade que o Iphone, basta conectar-se a uma rede Wireless; inclusive se pode fazer ligações através dos inúmeros programas gratuitos disponíveis, como por exemplo, o Skype e o preço é pelo menos 1/3 do valor do Iphone. Eu mesmo utilizo o Ipod 1ª geração em vários lugares do mundo, em hotéis, shoppings, aeroportos e bares e consigo fazer quase tudo sem o menor problema.

 

Alguns profissionais que precisam receber dados imediatamente e enviar planilhas por meio remoto e que não estão com note books ao alcance das mãos usam muito o Iphone, mas é bom lembrar que estas pessoas ganham dinheiro ou perdem muito dinheiro se não tiverem uma solução mais poderosa às mãos, mas como justificar a utilização de um aparelho destes por um estudante?

 

O fabricante do Iphone, a Apple, é campeão em anúncios polêmicos e lançamentos de produtos recheados de mistérios; a publicidade em torno destes brinquedinhos é tão grande que faz das cabeças mais fracas, meros instrumentos de manobra para ganharem muito dinheiro. Recente eles lançaram virtualmente uma versão crescida do Ipod Touch, no formato livro, que também se conecta a internet e que se chama Iped; segundo especialistas o brinquedo será lançado até agosto deste ano nos EUA e sairá ao preço (de lá) de R$ 900,00; com certeza, se a moda pegar, ele aportará no país do Lula com preço superior a R$ 2.500,00 e muita gente brigará para ter os primeiros.

 

Eu volto ao passado e me recordo de alguns mitos que praticamente poucas pessoas vivas conseguem lembrar que um dia existiu; posso citar inclusive, aquilo que eu tive e que foi um sufoco para poder pagá-lo na época, como o LD (Laser Disc); para os que pensam que se trata do CD eu digo não; LD eram os primos ricos do LP (Long Play) ou os antigos bolachões de vinil; eram brilhantes como os CDs atuais e armazenavam áudio e vídeo e eram enormes; foram lançados simultaneamente aos atuais CDs e custavam os olhos da cara, tanto as mídias raríssimas no mercado do Brasil, quanto os plays. Os LDs não duraram muito tempo e pimba, sumiram do mercado! Trouxas iguais a mim perderam muito dinheiro e depois da chegada do DVD, estas peças não serviram nem para museus.

 

Na mesma linha de música já existiu um aparelho ultra revolucionário que não durou mais do que três anos de vida, era o MD (Mini Disc), versão reduzida do CD que prometia ser a febre dos anos 90, principalmente por serem regraváveis. Carros e residências de pessoas abastadas compraram estas máquinas de reproduzir músicas imaginando que estariam na crista da onda. Na época os discos custavam razoavelmente baratinhos e todos eram virgens, mas os plays, estes custavam caro, muito caro, algo em torno de R$ 1.500,00 como se fosse hoje e quem mais produziu estas peças foi a japonesa Sony, que mais tarde admitiu a derrota do projeto.

 

Tudo que é muito novo e promete milagres no mercado tende a atrair afoitos compradores que logo-logo viram arrependidos donos; é nesta hora que os preços despencam e aparecem os pobres coitados que imaginam estarem fazendo os melhores negócios do planeta; que o diga quem pagou R$ 25 mil numa televisão de plasma de 40 polegadas há 10 anos; hoje não valem praticamente nada e suas substitutas, as de LCD, já estão sendo vendidas a preço de banana pois já foram lançadas as televisões de LED.

 

Nem bem as fitas de VHS foram retiradas das prateleiras das locadoras para darem lugar aos modernos DVDs, já lançaram os Blue Ray, que chegaram muito caros e hoje já disputam os preços com os bons aparelhos de DVD e assim continuará a marcha da charanga louca do consumismo desenfreado, criando novos e velhos espertos, bons e razoáveis trouxas e enriquecendo docemente a indústria de sonhos.

 

Quem se submete a comprar hoje um Iphone da última geração pagando no mínimo R$ 2.000,00 pela operadora de telefonia, eu considero um louco, um abastado ou um fabricante de dinheiro; se pensar bem no assunto, este é o preço de um razoável notebook ou ainda 8% do preço de um carro popular; por outro aspecto o preço deste telefone é igual a 4 salários mínimos, sem contar no custo que ele acarretará todos os meses com o pacote para funcionar.

 

Pensando por esta ótica da ostentação absoluta e do alto preço praticado por um produto desejado, será mesmo que ele sobreviverá por muito tempo? Ou será que alguém já não está preparando algo ainda mais revolucionário e brilhante aos olhos?

 

Antes de comprar um Iphone caríssimo todos deveriam fazer algumas perguntas para si mesmo, tipo, eu preciso? Eu tenho como pagá-lo? Eu tenho como mantê-lo funcionando? Eu posso? Eu devo? E a pergunta mais importante: se houver danos, como em qualquer outro aparelho, onde se busca a assistência técnica devida?

 

Tenho certeza que muitos não sabem, mas os aparelhos Apple somente são reparados por pessoas altamente qualificadas e no caso específico do Iphone, 99,99% dos técnicos de celular sequer sabem como abri-lo, muito menos repará-lo. O meu Ipod precisou de um check up para atualização de dados; a assistência técnica autorizada me cobrou R$ 80,00 por meia hora de análise!

 

Sem dúvida alguma que este e tantos outros aparelhos são elegantes, funcionais e chamativos; há muito tempo que o celular deixou de ser uma peça para ligar e receber ligações; os artistas puseram câmera digital, rádio, diário, processador de computador, alguns tem diamantes e são folheados a ouro, alguns tem gravador de vídeo, GPS e em breve eu não me surpreenderei se encontrar algum com airbag duplo e fazendo comida numa cozinha qualquer.

 

Por serem tão desejados e por provocarem frisson em alguns os ladrões já estão de olho neste tipo de aparelho; ao contrário de outros celulares que quando são roubados não valem praticamente nada no mercado criminoso, um Iphone roubado consegue um valor incrível e é isso que também preocupa!

 

Terminado o meu desabafo, ficam aí as dicas e compra aquele que se julgar capaz; se um dia baixar pelo menos 50% do valor, talvez eu compre um usado, de fonte segura, com nota fiscal e após uma análise minuciosa!

 

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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