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EU QUERO VOTAR PARA PRESIDENTE...

Sábado, 16 de Abril de 2011
EU QUERO VOTAR PARA PRESIDENTE...

413 – HISTÓRIA – A frase não é minha e creio que muito menos do Dan Brown, mas nós dois já a pronunciamos e irei agora repetir para iniciar este texto: “Muito melhor do que observar a história e participar dela”.

 

16 de abril é uma data tão comum tanto quanto todas as outras; fatos como a Fundação da Ordem dos Frades Menores (Franciscanos) em 1209, o nascimento de Charles Chaplin em 1889 e do Papa Bento VXI em 1927 ou a morte de Santa Bernadete em 1879 poderiam marcar algumas manifestações para celebrá-la, mas no Brasil há 27 anos, nesta mesma data, ocorria no Vale do Anhagabaú em São Paulo a maior manifestação pública que este país já teve oportunidade de enxergar, reunindo mais de 1,5 milhões de pessoas que desejaram ficar livres definitivamente do comando militar que estuprou o Brasil; foi o último comício do movimento que alguns de nós ainda lembramos com saudosismo chamado DIRETAS JÁ! Também se comemora neste mesmo dia o Dia Mundial da Voz...

 

O movimento das Diretas Já foi um aglomerado de idéias e ações enérgicas populares que exigiam eleições diretas para Presidente do Brasil, porque até a eleição de Tancredo Neves, que não conseguiu assumir, os presidentes eram eleitos por um colegiado de déspotas que só empossavam militares e que ajudaram a escrever, talvez, o capítulo mais imundo da história recente brasileira.

 

Nomes importantes da recente democracia brasileira começaram a surgir como verdadeiros furacões que devastaram toda ordem militar incrustada na frágil Brasília; Dante de Oliveira, autor da emenda constitucional rejeitada; Senador Teotônio Vilela, idealizador em canal aberto de TV do movimento e os líderes Tancredo Neves, Franco Montoro, Orestes Quércia, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Ulysses Guimarães, José Richa, Gerson Camata, Eduardo Suplicy, Roberto Freire, Luis Inácio da Silva e Pedro Simon, que foram os pilares básicos dos discursos que provocaram o ápice da movimentação; dois deles, Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio da Silva acabaram se elegendo presidente, cada um com dois mandatos.

 

Muitos ainda diziam que o então Presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo, último dos Generais a comandar o Brasil, era uma figura que desejou a abertura política, mas foi ele também quem mandou reprimir todos os movimentos rotulados como “Diretas Já”; aumentou a censura na imprensa e ordenou incontáveis prisões em desfavor dos adeptos da democracia. Somente a manifestação popular e movimentação da nova elite política brasileira puderam dar um fim às atrocidades militares. Exército, Marinha, Aeronáutica e principalmente a Polícia Militar do país inteiro tinham carta livre para prender qualquer pessoa e a acusação era o mais mistifório já visto. No Brasil, para ser formalmente indiciado e condenado por esta gente deplorável, com o aval do Planalto, bastava ser acusado e acusação é o que eles mais sabiam fazer!

 

Muitos também imaginam que a eleição de Tancredo foi tarefa simples, mas somente quem viveu a história pode afirmar que não foi! O poder concentrado nas mãos dos militares era tamanho, registre-se a custa de canhões e mortes, que eles não desistiram nem no final de tudo. Dois civis disputavam a presidência do Brasil; do lado dos militares estava Paulo Salim Maluf, derrotado por Tancredo Neves, mas para que Tancredo pudesse concorrer, nos bastidores o PDS (ARENA) e hoje PFL, pressionou a oposição (PMDB) a indicar como vice na chapa de Tancredo o então cacique da direita José Sarney. O resultado foi uma catástrofe política, pois Tancredo se elegeu, mas morreu antes da posse. O Brasil finalmente era comandado por um civil desde 1968, mas este civil possuía laços profundos e estreitos com os militares.

 

O Jornal do Brasil deu a seguinte notícia:

 

No vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, 1 milhão 300 mil pessoas (1 milhão e 500 mil, segundo a Polícia Militar) reuniram-se no último e maior comício realizado no Brasil pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, que restabeleceria eleições diretas para Presidente da República imediatamente. O povo reuniu-se às 17h30 na Praça da Sé e começou a dispersar-se cerca de três horas depois.

 

Além de Franco Montoro, de São Paulo, compareceram à passeata pelo centro da cidade os então governantes do Rio, Leonel Brizola, e de Minas Gerais, Tancredo Neves, os quais passaram momentos de tensão quando ficaram espremidos no meio da multidão. Montoro e Brizola foram vaiados alguns momentos antes de seus discursos. Tancredo Neves, o primeiro a falar, no entanto, foi muito aplaudido quando disse: “Chegou a hora de libertarmos esta pátria desta confusão que se instalou no país há 20 anos” e seguiu defendendo a aprovação da emenda no Congresso, afirmando que os parlamentares que votassem contra ela deveriam se retirar da Casa, já que não representavam mais a vontade do povo.

 

Em Brasília, o Presidente João Figueiredo, declarou numa reunião com senadores que as eleições diretas não aconteceriam imediatamente (em novembro do mesmo ano, como queria a Emenda Dante de Oliveira). “Não teremos eleições diretas já”, anunciou ele no Palácio do Planalto.

 

Apoiado pelos militares, Figueiredo propôs outra emenda, com eleições diretas para a Presidência apenas em 1988, data considerada por ele precoce, mas que ficou estabelecida após um consenso entre membros do governo.

 

O movimento das “Diretas Já” teve início em 1983, em Pernambuco. Desde março deste ano, o movimento realizou passeatas em todo o país, terminando com a maior de todas, a do dia 16 de abril de 1984. Apesar da grande mobilização popular, a Emenda Dante de Oliveira não foi aprovada. As eleições diretas para escolher o Presidente da República só aconteceram em 1988 – como propusera Figueiredo. O “Diretas Já”, no entanto, garantiu uma grande vitória no ano seguinte de seu último protesto, quando um de seus líderes, Tancredo Neves, foi eleito indiretamente ao mais alto cargo do Executivo, ocupado por militares desde 1964.

 

Na minha amada Bahia os líderes contrários a ACM a exemplo de Waldir Pires, exilado pós golpe militar reunia também outros nomes em torno do mesmo movimento e nesta época eu cheguei a acompanhar muitos destes nomes em comícios e organizações estruturais políticas para o “Diretas Já”; é neste ponto que reafirmo: melhor do que observar a história é participar ativamente dela; eu começava a enxergar que os movimentos populares podiam sim mudar todo o curso da história. Isso sempre me deu muito medo, porque ainda havia a iminência maldita dos militares retornarem e quem participou destes levantes irem todos pra cadeia, mas foi gostoso observar inúmeros canhões e fuzis serem derrotados, na época, pela caneta e pela vontade de milhões de brasileiros cansados do sofrimento e do cerceamento pleno de liberdade, principalmente a de expressão!

 

Outra movimentação parecida ao “Diretas Já” somente ocorreria em 1992, quando os “Caras Pintadas” foram às ruas exigir a saída imediata de Fernando Collor de Mello do Planalto, mesmo assim, sem sequer chegar aos pés da beleza que foi a anterior e seus 1,5 milhões de uma só vez, que hoje, 16 de Abril de 2011 faz exatos 27 anos direto da história...

 

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires

www.irregular.com.br

 



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