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EU QUERO ME MATAR!

Quarta feira, 17 de Outubro de 2012
EU QUERO ME MATAR!

(de Lima - Peru) A cabeça do ser humano abriga um dos enigmas mais complexos que se conhece: o cérebro. É neste órgão muito discutido, demasiadamente conhecido e raramente entendido, que ativamente refugia-se 100 bilhões de neurônios ligados por mais de 10 mil conexões elétricas, que servem de estradas, que conduzem durante toda a vida, as mais distintas percepções que todos os corpos possuem.

Da ótica filosófica, pode-se dizer que a cátedra mais importante do cérebro é servir como arcabouço físico, subjacente da mente. Já pelo prisma biológico a função mais importante do cérebro é a de causador de procedimentos que agenciem o “bem-estar” de um animal. O cérebro controla o comportamento, seja ativando músculos, seja determinando a secreção de valimentos químicos, como os hormônios.

Todas as nossas sensações primárias, como olfato, paladar, visão, equilíbrio e audição, são gerenciadas primordialmente pelo cérebro; mas, além disso, há também o gerenciamento de nossos comportamentos, todos eles; e dentre estes milhares de procedimentos sociais, um deles chama a atenção especial: o suicídio!

O sujeito nasce, cresce e durante sua vida, naturalmente ele é doutrinado a percorrer um caminho único, aquele que marca os pontos primordiais da vida: nascer, crescer, se multiplicar e morrer de velhice. Muitos morrem ao nascer; outros morrem sem se multiplicar, e ainda muito jovem; e outra parte cumpre fielmente a doutrina filosófica da vida. Ocorre que uma parte destes indivíduos prefere dar cabo da própria vida; e isso é uma obra meramente cerebral, que de alguma forma e pressionado por algum distúrbio, manda o comando mortífero ao ocupante de “seu corpo” para que haja um fim imediato...

Um sujeito que está sendo perseguido por 20 leões famintos numa selva, sem a menor chance de abrigo; se depara com um precipício; ele pula ou espera que os leões ataquem-no? O bandido trocou tiro com uma facção rival e feriu gravemente vários bandidos adversários; em fuga seus rivais atiram sem parar, sem acertá-lo; quando ele entra numa rua sem saída. Sabendo que irá morrer e com uma arma carregada na mão, ele se entrega ou se mata? Um prédio de 30 andares em chamas abriga várias pessoas; o socorro não chega e os desabrigados já estão no teto, quando as chamas chegam perto; eles esperam para serem queimados ou se jogam do prédio?

Se houve a aplicação de lógica em todos os casos citados, há uma probabilidade mínima daquilo que popularmente se chama “milagre”; e é óbvio que poucas pessoas tenham conseguido, mas há sim a chance de não morrer, mesmo aplicando primariamente o princípio do ato intencional, ou suicídio. Pular do precipício ou do prédio em chamas, pode gerar uma força inesperada que salve a vida; de igual forma que um tiro na cabeça pode não matar a pessoa; e se a facção rival acreditar no suicídio, pode haver uma chance de sair vivo; mas todos estes exemplos são de suicídio involuntário; que é quando a pessoa tenta se matar para escapar da morte certa; e mesmo que se afirme que os leões podem regressar; o fogo cessar; e os bandidos se arrependerem, o cérebro, em geral, não entende desta maneira!

O suicídio voluntário, aquele em que a pessoa está; aparentemente sã e sem a iminência de passar por qualquer risco de vida, com ou sem aviso, programa sua própria morte; este sim desperta curiosidade forense nas áreas da psiquiatria e criminologia. São pessoas que hoje estão felizes e que amanhã são encontradas suicidadas nas formas mais trágicas possíveis!

Como explicar tais atrocidades contra si próprias? Que tipo de comando o cérebro envia para que o sujeito cometa o autoextermínio? Depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo ou abuso de drogas?

Sabe-se claramente que uma ou todas as alternativas do parágrafo acima são causas óbvias de algum tipo de transtorno mental; e que diversas outras dificuldades emocionais e materiais também podem gerar o desligamento lógico do cérebro, levando a pessoa a se matar; e poucas, destas pessoas que se matam, deixam tudo bem anotadinho para que a ciência os possa estudar.

Outro dia uma moça me visitou em casa; a convite de minha esposa. Era uma moça jovem, de origem humilde, que ganha à vida como manicure. Rapidamente me disse que veio do interior, que tivera um filho e resolveu assumi-lo sozinha após um casamento breve e fracassado. Já quase terminado o seu trabalho, esta moça também me disse que sua mãe havia morrido há dois anos; e como bom ouvidor de pilar criminológico aguçado; não pude conter e perguntei-lhe o motivo do óbito. Vera me disse que sua mãe, de 50 e poucos anos, saudável e sem qualquer problema aparente, fora encontrada enforcada numa mangueira em um sítio de sua propriedade.

O caso desta senhora, relativamente jovem, despertou-me ainda mais curiosidade; e no caso do suicídio, eu gosto de saber de fatos minuciosos, para quem sabe, poder entender mais os motivos que levam uma pessoa a se matar. Sem qualquer cerimônia a moça me disse o essencial; que sua mãe havia tomado três banhos naquele dia; deixou preparados dois bules de café em sua casa; pediu a seu filho para retirar uma moto que habitualmente ficava estacionada próxima da árvore; a cena seguinte foi seu marido a encontrando, cerca de meia hora depois do fato, presa pelo pescoço numa corda grossa a cerca de três metros do chão, já morta!

Segundo a filha desta senhora, sua mãe não tinha dívidas, não nutria qualquer rancor por alguma pessoa em especial; nenhum de seus filhos estava vulnerável a algum risco; não havia problemas com seu casamento; e não se sabia de nenhuma enfermidade que ela possuísse. Era mais uma, dentre milhares de donas de casa que vivem para a família; que num dia qualquer, sem qualquer sinal de premeditação, resolveu por fim na sua vida.

Dados da ONU afirmam que mais de um milhão de pessoas perpetram suicídio a cada ano, tornando-se esta a décima causa de morte no mundo. Trata-se de uma das principais causas de morte entre adolescentes e adultos com menos de 35 anos de idade. Entretanto, há uma estimativa de 10 a 20 milhões de tentativas de suicídios não fatais a cada ano em todo o mundo; pessoas que falam, escrevem e tentam se matar, mas não conseguem. Infelizmente não foi este último dado o caso da mãe da Vera!

Os escólios acerca do suicídio têm sido estudados pela ampla vista cultural em temas existenciais como religião, filosofia, psicologia, honra e o sentido da vida. O filósofo argelino Albert Camus escreveu certa vez: "O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia”.

As religiões monoteístas, em geral, consideram o suicídio uma ofensa contra Deus devido à crença religiosa na santidade da vida. Até pouco tempo, na maior parte do mundo, foi considerado como um crime grave. Por outro lado, durante a era dos samurais no Japão, o “seppuku” era respeitado como uma forma de expiação do fracasso ou como uma forma de protesto. No século passado, o suicídio sob a forma de autoimolação, foi usado como uma forma de protestar, enquanto que na forma de kamikaze; e de atentados suicidas como uma tática militar ou terrorista. Os mulçumanos de algumas linhas fundamentalistas incentivam o suicídio, mas desde quando aquele que irá morrer o faça para matar pessoas consideradas como impuras ou inimigas de sua causa.

Alguns hindus, praticantes do “sati”, fazem com que a viúva se autoimole na pira funerária do marido, seja voluntariamente ou por pressão da família e/ou das leis da tribo; e neste caso, muitas delas não suicidam, mas são mortas em flagrante homicídio doloso; e quase numa mesma linha, há que se lembrar da eutanásia ou do direito de morrer, que é quando a morte é autorizada por quem vai morrer, mas não é executada por ele próprio; em muitas culturas isso é chamado de “direito de morrer”, já em outras, homicídio. Controvérsias a parte, trata-se de algo de caráter suscetível, ético e que perfaz uma decisão difícil para ambas às partes!

Ao longo dos anos e relacionando as causas primárias mais prováveis, ouvimos histórias de pessoas que se matam, principalmente após fracassos de casos amorosos, problemas familiares e financeiros, mas sem a menor dúvida de que, seja em um ou em todos os casos citados, o sujeito, possivelmente tenha algum problema de distúrbio relacionado entre o hipotálamo, tálamo e cerebelo; muito embora muitos psiquiatras relacionem as causa do suicídio com o pálio.

A psicologia, poética como sempre, afirma existir várias condutas que sugerem a possibilidade de plano suicida. Dentre eles o relato de querer desaparecer, dormir para sempre, ir embora e nunca mais voltar ou mesmo objetivamente, o descrevo do desejo de morrer, mesmo quando falado num tom de brincadeira, devem ser considerados indícios significativos e levados a sério. Pessoas que estiverem no convívio de outras que citem com frequência tais comportamentos, devem, de modo muito sutil e responsável, indicar um tratamento imediatamente, para que não seja tarde demais!

São também fatores de risco: planejar, ler métodos, tentativas anteriores, eventos de emprego de muito estresse, idade entre 13 e 19 anos, poucos amigos, nível social baixíssimo, nível educacional baixíssimo, traumas como abuso sexual, baixa estima, questões de orientação sexual, controle da impulsividade, doenças físicas como AIDS e exposição ao suicídio de outras pessoas.

Quando estudamos os métodos se chega a uma conclusão diferenciada por cada região do planeta. Em muitos lugares um método é mais usado do que em outros, mas os mais usados são o enforcamento, o envenenamento e o emprego de arma de fogo. Algumas pessoas, de características de alta crueldade, preferem o afogamento, acidente de veículo, choque elétrico e até fome intencional.

O suicida em geral se mata por meios que ele acredita que não haverá fracasso nem dor. Exceto os que praticam a fome, choque, afogamento e similares, a pessoa que decide se matar, acredita que irá passar para um plano melhor e que esta transição é completamente indolor, fato que jamais poderemos comprovar, mas que se deduz, com base em estudos sérios, que a dor começa antes mesmo do ato; e que durante este ato, por alguns poucos ou muitos segundos, toda pessoa que comete suicídio, sofre bastante antes de morrer.

Classificando dados também da ONU, sabe-se que os homens se matam mais do que as mulheres, mas é delas o maior número de tentativas. Os homens empregam métodos mais rápidos e irreversíveis; já as mulheres, em geral usam métodos mais lentos, como consumo excessivo de remédios. Dados dos Estados Unidos mostram que as pessoas brancas se matam mais do que negros e hispânicos; e alimentando os dados da curiosidade, os países do Leste Europeu são os recordistas nesta prática. A Lituânia é o país que se conhece como ter o maior índice de suicídios no mundo com 41,9 mortes por grupo de 100 mil habitantes, mas em números absolutos, os chineses são campeões com mais de 200 mil suicídios todos os anos. No Brasil a média é de 4,9 pessoas a cada grupo de 100 mil habitantes, uma das menores taxas do mundo.

Precaver o suicídio não deve ser apenas uma preocupação exclusiva de médicos psiquiatras, mas de toda a sociedade. É uma questão conjunta de saúde, segurança pública e de todos os outros setores da sociedade. Um suicida pode se matar e com ele levar outras pessoas inocentes ou alheias a sua causa nefasta. O sujeito que programa um suicídio gera despesa ao Estado e promove baderna social na maioria dos casos, portanto, se alguém souber de algo, mesmo que de brincadeira, deve imediatamente comunicar a família e pedir para que estes familiares providenciem uma intervenção parcial ou total deste indivíduo através de um médico psiquiatra; único profissional capacitado a cuidar de casos desta natureza.

O jurista Saulo Ramos diz que devemos esquecer para sempre; e nunca se lembrar de que esqueceu. Na minha humilde filosofia, todo ser humano possui encantos e dificuldades. Se fizermos um breve esforço para sempre lembrar que há sempre uma saída; aí sim podemos aplicar o esquecimento eterno das confusões mentais que muitas vezes nos fazem pensar em suicídio. Entender a mente é complexo; viver com suas múltiplas confusões, na maioria dos casos, é simplesmente possível!


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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