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EU E STEVE JOBS...

Sexta feira, 07 de Outubro de 2011
EU E STEVE JOBS...

Eu e Steve Jobs...

Eu jamais o conheci, mas de certa forma sempre o admirei; muitas vezes, como no início de tudo, sem ao menos saber quem era este admirador. Um processo simples, porque eu não sabia quem era o gênio por trás daquelas invenções que eu sempre desejei; e muitas vezes, usei de fato!

A primeira vez que me contaminei com o efeito maçã foi ainda na década de 80, mas eles começaram a contaminar o mundo com a sua inovação desde 1976 com o Apple 1, uma caixa esquisita que não teve o sucesso almejado por seu criador.

1976 veio o Apple 2, muito mais parecido com uma máquina de escrever mais moderna. 1980 chegou o Apple 3, mais parecido com um velho desktop. O Apple 2E chegou em 1983 com inovações, mesmo ano que nasceu o Lisa. Seguindo uma linha fabulosa em 1984 foi criado àquele que ainda me trás boas lembranças, o Macintosh. As revistas internacionais destacavam esta novidade que prometia revolucionar o mundo e estar em todos os lares em pouco tempo.

De 1984 até 1989 quando a Apple lançou Macintosh Portable e quando eu pude de fato ser apresentado a esta revolução, outros sete produtos foram ao mercado; cada um com uma novidade sediciosa que apaixonavam fãs de Norte a Sul, Leste a Oeste do globo. Até aquela data eu sabia da Apple, mas desconhecia um de seus fundadores e o maior braço de força da firma, Steve Jobs...

Em 1993 chega outra revolução, o Color Classic que apresentava cores nítidas nas telas que antes somente conheciam um verde empobrecido e nostálgico. Raros e caros eram os computadores que tinham tela monocromática com o preto e branco, mas Jobs lançou o colorido. Até esta época foram mais nove outros produtos lançados.

Oito novos lançamentos antecederam o Newton em 1994. Newton era nada menos que o segundo bem sucedido Palm da história, pois o primeiro foi o mono Newton Message em 1993. Eu queria ter um Newton, mas o dinheiro não dava para apostar em uma invenção que não tinha muito sentido para o que eu fazia. Somente para quem tem mais de 40 anos para imaginar o primeiro iPad lançado há 17 anos. Pode parecer pouco para alguns ou insignificante para quem não dá a mínima para tecnologia, mas para um garoto do interior que até pouco tempo antes de tudo aquilo bebia água de moringa ou filtros de barro com velas de carvão para filtragem; que sempre teve em sua casa os pesados televisores valvulados em preto e branco ou que ouvia músicas em enormes rádios também valvulados sintonizados em Amplitude Modulada, ter nas mãos uma espécie de computador que se carregava no bolso, era o mesmo que estar vivendo nas cenas dos filmes Jornadas nas Estrelas!

Em 1996, passados por outros sete lançamentos, chega finalmente o Powerbook com leitor de CD. Eu ainda não tinha um Apple, mas já trabalhava com um destes e estar com ele em público era como dirigir uma Ferrari nos dias atuais. Todos queriam vê-lo, tocá-lo e numa cidade do interior onde fomos eu e alguns colegas desempenhar uma jornada de trabalho, uma moradora simpática e humilde me pediu para tirar uma foto com aquele computador nas mãos. Estamos falando de um notebook lançado há apenas 15 anos, idade de meu filho Victor!

Depois de outros sete produtos lançados depois do Powerbook, em 1998 chega finalmente o mercado a revolução que deu início a tudo que conhecemos hoje. Chega ao Brasil o iMac, bisavô do iPad! Em 1999 o Powermac G3 e o G4 deram novos ares aos desktops com linhas arrojadas e já fazendo convergência ao desaparecimento de molhos e molhos de fios. Em 1999 também é lançado o avô do iPad, o iBook e junto com ele o iMac DV. Em 2001 o iMac Patterns prometia muito, mas quem roubou a cena foi o iBook; de quebra Jobs matou o mercado com o revolucionário iPod que podia carregar até 1000 músicas e de forma ordeira e simples. O iPod foi meu primeiro produto comprado e foi quando eu percebi que por trás de tudo aquilo havia a genialidade de Steve Jobs. Fomos apresentados um ao outro simbolicamente através de sua invenção, o iPod; e eu nem imaginava que viraria um fã; moderado, mas fã...

Seis curtos anos se passaram até que eu pudesse trocar aquele meu velho e surrado iPod por um outro produto da Apple. 26 produtos foram lançados neste período curto para a história e enorme para os aficionados por tecnologia, mas em 2007, quase que simultaneamente ao lançamento nos Estados Unidos eu comprei aquilo que imaginava ser o próprios Zeus no Olimpo; o iPhone! Foram longos dias de manejo nesta revolução que reunia computador, internet e telefone com tela ativa pelo toque dos dedos. Era um privilégio poder atender a uma ligação e todos perguntarem: - É o iPhone? Deixa-me ver?

Nesta etapa que não faz muito tempo eu já era íntimo de Jobs, mas ainda não o conhecia. Meu novo e útil HP Pavillion pedia-me para que fosse trocado por um Macbook, mas nossa intimidade ainda não era tão aguçada a ponto de me fazer trocar de tecnologia tão radicalmente; e quando eu vendi meu iPhone por motivos técnicos, tratei logo de comprar um iPod Touch para colocar mais de 3 mil músicas e jamais conseguir repeti-las em 2 anos de uso contínuo.

No ano passado eu me rendi aos apelos de Jobs e comprei meu iPhone 4, logo depois que eles corrigiram aquele problema do sinal e da antena interna. Falei sobre ele em 4 de abril de 2010 na crônica “A Jóia da Maçã” (http://www.irregular.com.br/cronicas/iphone-sonho-de-consumo-341), logo depois do meu chegar em casa, um dos primeiros do Brasil. Era o ápice de intimidade entre Jobs e eu, mas ainda não havíamos tido oportunidade de um diálogo, mesmo que simples...

Esta semana eu pretendi ter ainda mais intimidade com Steve Jobs; pretendi adquirir um moderno iPad para dar de presente para minha filha de 7 anos, o que não foi possível por razões pessoais e de metodologia psicológica. Dias depois de eu não ter aderido a mais um chamamento de Jobs ele deixou o convívio terreno. Jobs cumpriu sua missão e deixou além de um legado rico em tendências para o futuro, uma consciência ainda mais renovada de que temos que nos conter em muitos impulsos e viver a vida com mais responsabilidade e credibilidade naquilo que plantamos.

O cara que era fã de Sócrates e que também filosofou tão engenhosamente acerca dos pensamentos mais espúrios que costumamos ter, como tentar viver a vida dos outros, saiu de cena como um dos mais ricos do mundo, mas que soube aproveitar cada momento de seus cinqüenta e poucos anos de vida; foi também uma espécie de Sócrates pós-moderno que somente enxergou o futuro, mas que soube bem viver cada presente que passou em sua carreira como pessoa.

Eu nunca conheci Steve Jobs; sequer pretendi que isso um dia ocorresse; mas sua história, do jeito que nos foi contada, com certeza me fez muito mais íntimo do que se fôssemos velhos e bons camaradas. Dele eu segui poucos passos tecnológicos, mas o suficiente para saber um pouquinho deste universo tão enigmático. Dele eu e muitas outras pessoas recebemos lições importantes do pós-vida; uma delas é que este visionário que um dia foi humilhado e adotado, preferiu jamais ser o cara mais rico do cemitério, mas que sabia que iria ser depositado nele após sua morte; o cara que sabia que toda sua fortuna não lhe compraria a vida, mas pode ajudar a proteger milhares delas; e assim o fez...

A genialidade de Jobs pode ter ficado guardada numa pasta em seus arquivos, mas um gênio não passa sua gene para seus descendentes. A grande maçã que conhecemos por Apple tem agora o seu maior desafio; criar uma estratégia pelo menos capaz de manter vivo o espírito de Jobs para poder continuar crescendo e trazendo para nós cada vez mais inovações que facilitem, inclusive, manter vidas ativas e criar novos gênios. O mundo espera que não haja um control alt del, mas um control C e control V, pois assim é a vida!

Luz na sua trajetória pelo Cosmo com os mais sinceros Votos de Paz Profunda...


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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