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DO CHEVETTE JUNIOR AOS ATUAIS POPULARES

Sábado, 10 de Novembro de 2012
DO CHEVETTE JUNIOR AOS ATUAIS POPULARES

O primeiro carrinho popular do Brasil quase ninguém lembra, mas foi o extinto Chevrolet Chevette Junior 1.0 em 1991; o Junior foi também o carro mais barato brasileiro da época, pois seus concorrentes haviam se retirado das linhas de produção, como o Fiat 147 e o Ford Corcel. O baratinho e ordinário da Chevrolet somente foi substituído pelo Corsa em 1994. De inovação, apenas o catalizador e a tração traseira; e o motor, os mais novos nem sabem o que é, mas o Junior era carburado!

Na mesma onda dos carros 1000 cilindrados, veio também o Fiat Mille; o Gol 1000 da Volkswagen e o Fiesta da Ford. Mais tarde, com a solidificação da Renault, o Clio deu um ar inovador, mas sem grandes avanços, para os carros populares. De 1991 até o ano passado, salvo algumas exceções de fábricas duvidosas, quem preferisse comprar um carro mais simples, tinha que escolher entre Fiat, GM, Ford, Renault ou VW.

Com o passar do tempo o brasileiro deixou de ser pobretão; e com isso veio o desejo de se ter um carro melhor. O sucesso de vendas versão 1.0 começou aos poucos a passar por um processo de estilização e melhoria. O Fiesta deu lugar ao Ka; o Uno deu lugar ao Pálio; o Corsa saiu para o Celta entrar; e o Gol 1000 virou dezenas de versões denominadas em gerações; mas nada disso convenceu o mercado aquecido que tinha fome de coisa boa; coisa de qualidade melhorada.

Quem não podia comprar um carro 1.6, 1.8 ou 2.0, passou a se interessar por modelos 1.3 e 1.4, porque era praticamente o mesmo valor de um 1.0. Os chineses desembarcaram com seus lixos sobre rodas, cheios de inovações e por um valor pequenininho, mas a grande guinada dos fabricantes mundiais começou com a japonesa Nissan que trouxe o March 1.0 16V Flex 5 portas. O modelo bonitinho da Nissan virou o mercado nacional e fez da montadora uma das líderes em vendas de 2011 e 2012, chegando, inclusive, a faltar carros para entregar a demanda esfomeada de novidade.

Com o lema “agora todo mundo pode ter um japonês” o March ganhou as ruas e estradas do Brasil, mas o que poucos sabem é que o motor do March é da Renault; mais especificamente do Clio. A Renault é dona da Nissan e um acordo fez com que o Clio emprestasse o motor para o March e o Fluence da Renault recebesse o supermotor e supercâmbio CVT do consagrado Nissan Sentra. Nada de mal nesta troca, pois ambas ganharam e os carros são sucesso de vendas e quase não se lê reclamações. Atualmente o preço do March na versão de entrada é R$ 26.416,00 e neste modelo até tem airbag duplo, mas não tem direção hidráulica e ar condicionado. Com ar e direção o valor do March sobre para R$ 29.890,00.

Com a Nissan levantando poeira do mercado nacional, não seria nenhuma surpresa imaginar que suas concorrentes não deixariam barato este afronto veicular. Outra líder de olhos puxados, a coreana Hyundai lançou recentemente sua versão 1.0. O HB20 Kappa Confort Flex 12V custa R$ 31.992,00. Diferentemente do March, esta versão quase popular tem 5 anos de garantia, airbag duplo, ar-condicionado, direção hidráulica. Um carro lindo que já está deixando muita gente suspirando até tê-lo na garagem!!!

Com uma japonesa e uma coreana esbanjando charme em seus novos 1.0, eis que a outra japonesa, a Toyota, também lançou sua versão popular no Brasil. Começa a invadir a mídia a notícia e as fotos do Etios 1.3 Flex. Com 3 anos de garantia, airbag frontal e nada mais, para se ter o popular da Toyota, você precisa desembolsar R$ 29.990,00; e se quiser os mesmos acessórios do Hyundai, vai ter que pagar R$ 38.790,00.

Das novidades populares a melhor compra ainda é o Nissan se o comprador não se importar com acessórios conforto; se for uma exigência ter ar-condicionado e direção hidráulica, o Hyundai vence; já aqueles mais vaidosos que preferem ter um Toyota, mesmo que numa versão popular, vai ter que pagar bem mais caro por um carro similar aos demais.

Dos nossos humilhados carrinhos “made in Brazil”, nenhuma novidade a vista, segundo a tabela FIPE; o surrado e criticado Gol 1.0, peladinho, sem nada, começa com R$ 28.408,00; o Palio Economy 1.0 2 portas, também sem nada, começa em R$ 25.255,00; O Ka 3 portas, peladinho, tem preço inicial em R$ 23.819,00; o Celta sem nada custa R$ 24.468,00; e o novo Clio 3 portas R$ 23.260,00. Sem compararmos os nossos, os nacionais, um é igualzinho ao outro; são ruins, frágeis e quase insignificantes diante dos importados; quem compra um Gol está recebendo um carro simples e pagando por um carro importado e confiável!

A chinesa Chery oferece o QQ 1.1 completo, com tudo, por R$ 23.780,00. Eu fiz o test drive no QQ e posso afirmar que é uma fria; na verdade, uma gelada. O carro é muito, mas muito frágil. O modelo que dirigi na concessionária, estava com 2 mil km rodados e parecia que tinha 200 mil km; batia tudo e a sensação do motorista é que, se colidir, morre todo mundo. Outro chinês desagradável é o M-100 da Effa. É até bonitinho por fora, mas ordinário por dentro e motor sem qualquer desempenho significativo. O M-100 está sendo oferecido por R$ 25.926,00!

Por um pouquinho mais e com um carro estilizado e melhorado, a Lifan, chinesa de coração uruguaio, oferece a falsificação do Mini Cooper com o nome de 320 Elite. Com um motor 1.3 razoável, com 88 cv de potência, todos os acessórios de conforto e ainda CD Player com MP3 e rodas de liga leve; tudo isso por R$ 28.105,00. Se eu fosse comprar um carro do nível popular, entre ter um GOL simples e um Lifan 320, com certeza ficaria com o Lifan!

Uma boa dica para comprar um carro mais completo e pagar um preço mais justo; aproveitando a baixa de IPI (não acessível para todos os carros), procure saber mais sobre aquisições em nome de produtores rurais, empresas ou profissionais cujas classes mantenham acordos com algumas montadoras. Alguns modelos como o Clio da Renault, podem ficar até 15% mais baratos. No início do ano, adquiri um Clio 2012 completo, 4 portas, inclusive com alarme de fábrica, por R$ 24.440,00.

Outra dica importante é PESQUISAR na internet sobre os problemas relatados por outros compradores. Na época em que estávamos escolhendo o Clio para servir a uma empresa de minha esposa, pesquisei outros modelos e desisti por várias razões; uma delas é a quantidade de queixas de compradores mais experientes; e a final foi o custo benefício. Muitas vezes não encontramos aquele carrinho lindo por um preço mais justo, mas podemos nos deparar com carros muito bons, sem muita estética, por um preço excelente; basta procurar que encontra.

O brasileiro que trabalha e ganha, um pouco a mais, do que a maioria não quer mais ter um só carro; em geral há dois carros numa casa e quase sempre um de melhor qualidade, seja para fazer negócios, levar as crianças a escola ou viajar; e outro de menor porte, mais barato e econômico. Quem possui perfil de dois carros é ainda mais exigente do que aquele que está comprando seu primeiro carro. Quem adquire um modelo popular atualmente, pensa em estacionamento mais fácil e baixo consumo de combustível, mas outros critérios também são relevantes. Seguro, manutenção, conforto e desempenho de motor já fazem parte do critério de escolha; e neste caso, com raríssimas exceções, os nacionais perdem feio para os importados.

A indústria brasileira deveria copiar, pelo menos a iniciativa da indústria estrangeira, fazendo carros melhores; e não importa se eles ficam um pouco mais caros; aquele que pode comprar, com certeza irá escolher o melhor; e aqueles que compram carros de baixa qualidade, se não tiverem dinheiro para mantê-los funcionando bem, o destino pode ser o mesmo da Lada, antiga e falida fábrica russa que nos enfiou goela abaixo os piores lixos asiáticos na década de 90; e transformou o Brasil num cemitério de sucatas importadas.

Não precisamos nos tornar esnobes ao ponto de querer somente o luxo, mas devemos nos afastar da humildade franciscana de aceitar apenas o lixo; afinal de contas, o brasileiro é apaixonado por carros!


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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