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DE BOLIVAR A MARTÍ - DE FIDEL A CHÁVEZ

Sexta feira, 29 de Dezembro de 2006
DE BOLIVAR A MARTÍ - DE FIDEL A CHÁVEZ

Quatro nomes fizeram história na América Latina; Simon Bolívar, José Martí, Fidel Castro e Hugo Chávez. Mas quem são estes senhores, de onde eles vieram, o que eles fizeram e por qual propósito eles deixaram suas marcas profundas na história das Américas?

 

SIMON BOLIVAR

 

Simon Bolívar era venezuelano e nasceu em 1783 quando a maior parte do território americano era um domínio espanhol. Bolívar era filho de pais aristocratas e viu o pai morrer quando ainda contava três anos e a mãe quando completou dez. Morou com o avô e também viu este morrer, quando foi morar com o tio, Carlos Palácios. Aos doze anos o menino Simon fugiu de casa e foi morar com a irmã, por quem nutria um sentimento mais afetivo. Em 1797 o jovem Simon ingressou como cadete num batalhão de milícias onde seu pai havia sido Coronel e se destacou por seus feitos de estratégias. Dois anos depois viajou para a Espanha para adquirir conhecimentos educacionais e militares. Em Madrid aprendeu a língua francesa e casou-se com uma espanhola. Ficou viúvo em 1803 na Venezuela e voltou a Europa em 1804, desta vez, fixando-se em Paris e foi na capital francesa que Simon Bolívar iniciou sua seqüência de ideais libertadores, quando jurou perante alguns amigos que “jamais descansaria enquanto não visse a América livre da Espanha”.

Bolívar visitou os Estados Unidos da América e de volta a Paris ingressou na Maçonaria. Em 1807 ele regressa mais uma vez a Venezuela durante os episódios napoleônicos em 1810 quando a Junta de Caracas declarou a independência, Bolívar foi enviado a Inglaterra numa missão diplomática. Depois disso, Bolívar foi exilado em Cartagena e anos mais tarde, liderou a invasão a Caracas, quando recebeu o epíteto de El Libertador.

Muitos foram os episódios heróicos que envolveram a história da Venezuela e de outros países que foram comandados por Simon Bolívar; não se pode deixar de lembrar o Congresso do Panamá em 1826 que deu início as Conferências Pan-americanas.

Simon Bolívar foi um homem de ideais firmes e posições semelhantes; jamais fugiu a uma briga e estava sempre conspirando para ver a América espanhola livre, da Espanha. Tive glórias e desgraças mas foi o nome mais marcante na libertação da Venezuela, Bolívia e Equador e se tivesse se unido a San Matin (que libertou Argentina, Chile, Equador e Peru da Espanha) talvez a América latina fosse hoje uma grande e única nação, mas um não confiava no outro.

Bolívar foi criticado como Presidente da Colômbia pois semeava ideal de libertação e democracia, mas invadiu vários países e foi ditador no Peru e na recém formada Bolívia (pais que recebeu o nome em sua homenagem). Após realizar seu sonho de libertar seu país e outras nações sul-americanas do controle espanhol, o objetivo seguinte de Simon Bolívar foi de o de se tornar um líder e estadista sul-americano. Bastante impressionado com os Estados Unidos da América, onde diversos estados haviam se unido para formar um único país, Bolívar planejou realizar uma federação das nações da América do Sul. De fato, Venezuela, Colômbia e Equador já constituíam a República da Grande Colômbia, sob a presidência de Bolívar. Mas diferentemente dos Estados Unidos, as tendências de independência nacional no continente não podiam ser ignoradas. Quando Bolívar convocou o Congresso das Nações da América Hispânica, em 1826, apenas quatro países compareceram.

No entanto, ao invés de mais países se unirem à Grande Colômbia, o oposto ocorreu: a república começou a se repartir. Para agravar a situação, uma guerra civil irrompeu na Colômbia em 1826. Bolívar tentou evitar uma separação definitiva das regiões em conflito. Ele conseguiu que ocorresse uma reconciliação temporária e convocou uma nova assembléia constituinte em 1828, mas não concordou com as deliberações do corpo legislativo e assumiu poderes ditatoriais temporariamente. A oposição a Bolívar começou a crescer repentinamente e em 25 de setembro de 1828, ele escapou por pouco de uma tentativa de assassinato.

Bolívar não conseguiu manter a confederação dos países da América do Sul. Por volta de 1830, Venezuela e Equador já haviam deixado a união, e Bolívar, percebendo que suas ambições políticas era uma ameaça à paz regional, renunciou em abril do mesmo ano. Quando faleceu, em 17 de dezembro de 1830, ele estava deprimido, pobre, e havia sido exilado de seu país de origem, a Venezuela. Ele morreu de tuberculose em Santa Marta, na Colômbia.

Simon Bolívar morreu odiado por seus inimigos e exilado de seu próprio país. Todavia, após sua morte, sua reputação foi restaurada e ele obteve fama de proporções quase mitológicas. Foi, sem dúvida, um líder marcante. Um homem ambicioso, às vezes assumia posturas de ditador; porém, ele esteve sempre mais preocupado em preservar a democracia e assegurar o bem-estar de seu povo do que com suas ambições pessoais. O trono lhe foi oferecido, mas ele o recusou. Presume-se que ele considerava seu título de “El Libertador” maior que qualquer título real.

 

JOSÉ MARTÍ

 

José Martí foi o grande mártir da independência da Ilha de Cuba do domínio bi secular da Espanha e o mais engraçado é que ele era espanhol, mas ao contrario de Pedro I no Brasil, que era português e se viu obrigado a declarar o rompimento dos laços do Brasil com Portugal para não se ver humilhado e quem sabe, preso, Martí sempre foi um revolucionário desde a infância e quando viu seus amigos sendo presos e deportados de Cuba, cristalizou a sensação rebelde, revolucionária e libertadora.

Com apenas 16 anos José Martí publicou sozinho um impresso separatista e uma revista de nome “La Patria Libre”. Anos mais tarde foi preso e processado pelo governo espanhol por causa dos mesmos papéis que ele escrevia e distribuía. Foi preso e condenado a seis anos de trabalhos forçados mas ficou somente seis meses. Com a saúde debilitada a família de Martí conseguiu um indulto que transformou a pena em deportação para a Espanha.

Recuperado, José Martí publica outras obras em segredo e se diplomou Mestre em Direito pela Universidade de Zaragoza E em 1895 quando já estava de volta a Cuba, Martí fez uma pequena tropa de nacionalistas cubanos e numa frente de choque com tropas espanholas, foi morto e seu corpo foi mutilado e exposto ao povo de Cuba e mais tarde, enterrado na cidade de Santiago de Cuba.

 

HUGO CHAVEZ

 

Esta figura sensacional que tenta desde a sua primeira posse se tornar algo parecido com Simon Bolívar é o atual presidente da Venezuela pela segunda vez consecutiva e uma das mais controversas figuras da atualidade mundial, como veremos a seguir.

Hugo Chavez é filho de professores venezuelanos e sempre teve uma vida normal até se destacar nas forças militares. Como Bolívar, Chavez foi morar com os avós e ingressou na academia militar aos 16 anos. Graduou-se em Ciências e Artes Militares e em 1975 graduou-se em Engenharia e na carreira militar, chegou ao posto de Tenente Coronel. Casou-se duas vezes e durante seu primeiro casamento manteve um romance com outra pessoa que duraram dez anos, aliás, a fama de mulherengo vem de longas datas e neste quesito Chavez não se assemelha com Bolívar.

Em 1992 o então militar Hugo Chavez protagonizou um dos episódios mais conturbados da Venezuela desde os tempos de Simon Bolívar, quando tentou um golpe de estado fracassado contra o então presidente Carlos Andrés Peréz. Chavez foi preso e permaneceu na cadeia por dias anos e somente foi libertado depois do afastamento de Carlos Peréz.

Após a saída da cadeia, cheio de cartaz e contando com um dos piores momentos econômicos da história do país, Hugo Chavez se afastou da farda militar para se dedicar integralmente a política e em 1998 após as eleições gerais para Presidente, Chavez conseguiu nas urnas 57% dos votos válidos e consagrou-se Presidente eleito da Venezuela pelo Partido Movimiento V República e após a posse em 1999, dissolveu o Congresso e convocou imediatamente a Assembléia Nacional Constituinte cujo objetivo era de devolver paz e harmonia ao povo que sofria por 40 anos de corrupção e desastres econômicos.

Os congressistas pró Chavez ocuparam 120 das 131 cadeiras do Legislativo venezuelano e um dos primeiros atos conjuntos entre o executivo e legislativo após a confirmação da assembléia constituinte foi mudar o nome oficial do país, que passou a se chamar REPUBLICA BOLIVARIANA DA VENEZUELA. Depois disso, os constituintes afirmaram mais poderes ao presidente e eliminou o senado.

Por conta da nova constituição da Venezuela, Chavez voltou a ser testado nas urnas e desta vez teve 55% dos votos e se consolidou como o Grande Presidente. Daquele momento em diante o que se viu foi pura vaidade em nome de uma democracia disfarçada. Chavez governa por decreto, demite profissionais do mais alto gabarito para colocar pessoas da sua confiança no lugar e começa a divergir com integrantes do seu partido e também começa a perder seus aliados mais estratégicos e fortes.

Em 2002 setores das Forças Militares, industria e comercio venezuelano começam uma onda de protestos e greves e milhares de pedidos de afastamentos de Chavez da presidência e no dia 11 de abril daquele ano, milhares de ativistas prós e contra Chavez se enfrentaram diante do Palácio Miraflores e 15 pessoas são mortas e mais de 100 são gravemente feridas. Hugo Chavez dá uma ordem para que nenhum canal de TV ou rádio transmita os acontecimentos e as altas patentes militares começam a conspirar contra o Presidente por acharem que ele não era de confiança e estava se envaidecendo do cargo, e pedem a demissão dele.

Um dia depois do episódio fatídico o Chefe das Forças Armadas venezuelanas declarou que Chavez havia se demitido. Após o comunicado, que foi recebido pelo povo como sendo um outro golpe de estado, milhares de ativistas prós Chavez e militares leais ao Presidente, foram às ruas de Caracas e tomaram de volta Miraflores e o vice-presidente que havia ficado leal à Hugo Chavez, ficou no poder provisoriamente. Em novembro de 2003, após uma consulta popular que nada teve de eleição direta, 59% dos assinantes de uma lista consultiva apoiavam a permanência de Hugo Chavez como Presidente da Venezuela até o fim de seu mandato. Observadores internacionais como o ex Presidente americano Jimmy Carter declararam que o plebiscito era válido e legal e ajudaram a legitimar a permanência de Chavez no Miraflores por mais dois anos e meio.

Em 2006, após a conformação do Partido Socialista Unido, Hugo Chavez obteve nas urnas 62% dos votos e mais uma vez tornou-se presidente do seu pais com uma votação esmagadora .

O grande sonho político de Hugo Chavez é ver a América Latina formando um só bloco político e econômico para combater o imperialismo estadunidense, sonho similar ao de Simon Bolívar, seu grande inspirador.

Na ultima Assembléia Geral das Nações Unidas, um dia depois do discurso de George W. Bush, Hugo Chavez em um discurso inflamado e marcante, disse que sentia muito que naquele lugar houvesse em data anterior discursado “o demônio”, e finalizou fazendo o sinal da cruz. Assim é á figura de Hugo Chavez desde o dia que ele se viu presidente da Venezuela; utiliza-se do forte potencial de suas jazidas monstruosas de petróleo e seu pavor pelo modelo político estadunidense para se aliar às figuras controversas como Muammar Kadafi da Líbia, Mahmoud Ahmadinejad do Irã e Fidel Castro de Cuba, todos inimigos ferrenhos dos Estados Unidos da América.

 

FIDEL CASTRO

 

O atual ditador cubano nasceu Fidel Alejandro Castro Ruiz em 13 de agosto de 1923 na ilha linda e maravilhosa do Caribe chamada Cuba e mantém-se contestado por milhões e amado e endeusado por outros milhões pelo mundo inteiro.

Filho de um imigrante da Galiza com uma cubana, Fidel teve infância pobre mas nunca miserável e estudou em colégios católicos e chegou a ser ajudante do pároco de Santiago de Cuba. Por sua alta estatura se destacou nos esportes e durante a carreira acadêmica na Universidade de Havana, assim como José Martí, seu ídolo, teve seu periódico editado por ele mesmo e rodado em seu próprio mimeógrafo, os quais distribuíam gratuitamente entre seus colegas.

Graduou-se em Direito em 1949 e foi líder estudantil e participou entes da tomada de Cuba de incursões frustradas em países da América Latina como a República Dominicana, quando na mesma época conheceu Alfredo Guevara.

Fidel no final da década de 40 dedicou-se exclusivamente a oposição aos governos, denunciando corrupções e outros atos ilegais, até que em 1952 Fulgencio Batista tomou o poder em Cuba e ele condenou veementemente em jornais e rádios, inclusive contestando a legitimidade daquele governo e querendo que fosse apreciado em um tribunal.

Em 1953, Fidel com amigos do movimento estudantil, se uniu a outros poucos cubanos e, fundaram o Movimento Revolucionário 26 de julho e sob seu comando, assaltaram vários quartéis militares de Cuba, dando início a Revolução Cubana.

Por sua audácia, foi preso e condenado a 15 anos de reclusão. Fidel assumiu a sua própria defesa e em um dos mais célebres impressos da sua autoria está “A História me Absolverá”. Castro foi anistiado da pena em 1955 após uma evolutiva onda de protestos que tomou conta de toda ilha mas teve que se exilar no México onde preparou os primeiros passos profissionais da revolução.

Fidel Castro viajou aos Estados Unidos para buscar apoio dos cubanos imigrados e a bordo de um iate, saído de um porto mexicano, partiu em direção a Cuba para desembarcar a 2 de dezembro de 1956 e permanecer por mais dois anos em Sierra Maestra onde desenvolveu táticas de guerrilha e sobrevivência e após inúmeros pequenos combates com as tropas de Batista, finalmente conseguiu chegar ao centro do poder da ilha e declará-la livre do domínio batistiano.

Após 1956 a história de Fidel Castro é mais conhecida de nós do que até mesmo a nossa história pois o líder cubano deixou de ser simplesmente o estadista que chegou ao poder pelo golpe necessário; Fidel Castro virou mito ou uma espécie de semideus, e como eu já citei, Deus para uns e demônio para outros, mas o fato é que há cinqüenta anos que Fidel Castro comanda Cuba e incomoda todos os presidentes dos Estados Unidos desde JFK até George W. Bush. Alguns mais românticos e apaixonados chegam a citar a história de Davi e Golias, mas é fato também que Cuba jamais provocou os Estados Unidos ao ponto de haver um conflito entre os dois e em se falando de poder bélico, nem mesmo Raul Castro ou alguma reencarnação de Che Guevara poderia acreditar que numa luta entre as duas nações, algum deles apostaria em Cuba como vencedora.

Cuba nestes 50 anos de ditadura de Fidel Castro já se aliou à outras nações mas não obteve nenhum sucesso na prática pois os Estados Unidos da América impôs sansão econômica para quem ajudasse Cuba enquanto Fidel Castro se mantiver no poder. A maior esperança de Castro e de Cuba foi o modelo da União Soviética, única capaz de fazer frente a uma suposta briga com os EUA, mas em 1989 o sonho se despedaçou durante a Perestroika e Cuba padeceu mais uma vez junto às esmolas que o resto do mundo lhe envia todos os anos e Fidel ficou acuado, com uma pátria para comandar, mas sem nenhuma razão para seguir enfrente pois já não há mais ideais. Cuba está estagnada; parada num tempo remoto que já não vemos nem nos filmes épicos e o que ainda salva a ilha além das esmolas e lixos enviados são os atletas, os charutos e pasmem, O TURISMO. O turismo cubano representa hoje 85% do seu PIB, mas a enquanto a estrutura hoteleira se expande a cada ano, falta-lhe investimento em transportes.

Fidel Castro é um morto vivo que se arrasta no poder mas que fez seu nome e o pôs na história do mundo para se somar aos outros ilustres, dois mortos (Simon Bolívar e José Martí) e um vivo (Hugo Chavez); que já não apresenta nenhuma ameaça significativa a ninguém, muito menos aos EUA, mas que no passado, junto com Che Guevara, lideraram milhões de cabeças revolucionárias e sacudiram o globo em busca de mais revoluções.

Hoje a revolução, infelizmente, é islâmica!

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires

 



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