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COOPERAÇÃO E O CONDOMÍNIO

Domingo, 08 de Maio de 2011
COOPERAÇÃO E O CONDOMÍNIO

(de Montevidéu – Uruguai) Eu sempre achei utópica esta idéia de moeda única, leis uniformes e outras medidas administrativas que reúnem uma determinada região geográfica em torno de um objetivo. Mesmo depois da concretização da União Européia, que já completou 20 anos, pouco de concreto se observou no Velho Mundo, salvo o Euro que permanece fazendo páreo com o Dólar, mas ainda com a desconfiança de muitas nações.

Deste lado de cá do Equador, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai também inventaram esta moda de cooperação para a formação de um bloco econômico e de livres fronteiras; nós o conhecemos como MERCOSUL, que anos depois pleiteou-se também o ingresso da Venezuela. Este modelo falido e meramente lunático, do ponto de vista prático, já completou oficialmente 20 anos e diferentemente da União Européia, nada de concreto foi efetivado por aqui; ao contrário do que se planejou, nem fronteiras, moeda ou abertura aduaneira, nada passou de mera especulação, porque com nós, os latinos; dificilmente confiamos uns nos outros!

Cooperação é um termo que poderia mudar completamente todos os destinos em que o mundo está predestinado a cumprir, mas numa conjunção de sociologia, cooperar deveria ser traduzido como colaboração, opondo-se plenamente a competição. Poderia ser o formato ideal para conseguirmos uma melhor gestão das influências mútuas humanas; algo do tipo plantado pelos modelos socialistas em desuso, mas se falarmos em socialismo como foi aplicado no Leste Europeu, podemos facilmente chegar à conclusão que haveria usurpação do patrimônio privado e isso já conhecemos muito bem e sabemos que o final é mais triste do que prazeroso!

Muitos cooperam entre si para estourarem a economia gerada pela maioria, são os famosos cartéis que prejudicam o acesso popular a verdade e o regozijo da coisa comum. A cooperação em detrimento da verdade e da probidade é a forma mais comum que ouvimos falar; e talvez seja por isso que tenhamos tanto asco desta forma justa de crescimento; deste mecanismo tão formidável de auto-ajuste de paradigmas.

Jamais haverá qualquer princípio de cooperação para a obtenção de benefícios coletivos se não houver motivação e um valor agregado ao objetivo que seja comum de fato. Posso citar com bastante autoridade uma questão tão comum no Brasil nas cidades grandes: o condomínio. Uma edificação regida pelo modelo de co-propriedade deveria haver no mínimo harmonia entre os quinhoeiros e se não há, ou raramente se ouve falar é porque as pessoas costumam profetizam a cooperação e praticam a desarmonia. Ninguém pára para imaginar que o ajuste ético se traduz em economia e pujança; ao contrário, sempre há uma ou outra pessoa de baixíssimo nível moral e intelectual que reúne força apenas para destoar o que justamente deveria ser o objetivo ou o valor comum!

A intriguista do condomínio sorri da desgraça alheia; colhe a miséria plantada por outrem e se dá por satisfeita, porque não consegue produzir nada de útil, não gere a vida pessoal de modo capacitado e sustentável; popularmente a anti-cooperativista de um condomínio é conhecida como fofoqueira.

O que nos falta, seja num condomínio onde alguém pensa que é dono de tudo, numa reunião de nações onde um governante almeja ser mais poderoso ou onde alguma pessoa imagina que semeando a discórdia consegue amigos verdadeiros; é a cultura da cooperação.

Cultura da cooperação é a conseqüência de um fazer humano ajustado na confabulação das disputas. Um diálogo que se dá numa relação de interdependência visando, invariavelmente, o bem coletivo, onde diferentes intérpretes, em lugares diferentes, em interação, complementando-se, sem se opor ou se mesclar, experimentam o desafio de serem autônomos na ação e interdependentes na missão.

Não há avanço de uma missão de cooperação se imperar o espírito maléfico da concorrência pessoal. Pessoas disputam comida, território, emprego; pessoas disputam outras quando querem acasalar, disputam até quando querem se afirmar como amigas, onde deveria haver outro tipo de facécia. Em qualquer um dos casos, esse tipo de influência mútua não favorece um processo seletivo que deveria culminar, geralmente, com a preservação das formas de vida mais bem adaptadas ao meio ambiente, e com a extinção de indivíduos com baixo poder adaptativo.

Cooperar é muito mais do que colaborar e contribuir. Pessoas que cooperam e buscam um objetivo que se adéqüe ás necessidades da humanidade, permanecem com lugar cativo no panteão dos justos; difícil é encontrar tais membros que se enquadrem nesta moderna ideologia. Deveríamos começar a cooperar ou a pelo menos sabermos que o trabalho em equipe, quando fundamentado para o bem, teria que por obrigação que nascer com o indivíduo; no mínimo começar com ações simples como a de viver em um condomínio; se isso não ocorre numa situação tão simplista como esta, o que devemos esperar daqueles que Governam nações?

Quando eu me deparo com questões onde a cooperação é o tema central me faz lembrar a psicóloga desvairada que ambicionou apenas possuir um diploma na parede e abrir um consultório para saber da vida alheia. Logo em sua primeira seção de consulta recebeu um paciente com mania de grandeza e rindo muito o conduziu ao divã. A terapeuta que não é médica, mas sonhava em ser, pediu-lhe que relaxasse e começasse a contar a sua história desde o princípio. O paciente antão desfechou: - No início eu fiz o céu e a terra...!

O psicólogo desvairado, comumente sedicioso e o sujeito com mania de grandeza são duas figuras que jamais saberão discernir entre a cultura da cooperação e o folclore do auxílio; iguais a eles há inúmeros outros. Gente que imaginar que por estar pagando pode mandar, ou pior, que muitas vezes nem paga e quer mandar mais. Onde houver gente desta estirpe não haverá qualquer traço de cultura da cooperação.

O MERCOSUL, cuja sede é aqui em Montevidéu e que o Presidente (pro tempore) é Fernando Lugo do Paraguai; para ser criado, desde 1960 passou por inúmeros ajustes, assinaturas de tratados e até hoje pouco se observou de evolução; tudo porque um país acusa o outro de tentar obter mais lucro com a união. O resultado é que no meu ponto de vista ele existe somente no papel, porque até na fronteiras, qualquer pessoa para ultrapassar, em tese precisa se identificar; coisa que não ocorre na Europa depois do Euro!

Depois de falar-se tanto em cooperação, tanto nas nações quanto até em condomínios, chagamos facilmente a acreditar no famoso calão popular que diz: - de boas intenções o inferno está cheio!

O segredo realístico para se cooperar e se chegar a um fator comum de benefício público é primeiro se desnudar da vaidade e da ganância; incorporar que probidade e honestidade não são características para se falar apenas; sem praticá-las e sem executar a ação que reúna o pólo da inteireza, de nada bastará apenas dizer e bater no peito que o é. Esta gente canalha e sem moral que vaticina aos ventos fortes que são capazes e cheios de idéias, na verdade não passam de fracos imundos cujo coração transborda o ódio e a fatuidade.

Contribuir, no sentido amplo da palavra é muito mais do que arrazoar; cooperar é fornecer ações concretas para a realização de um bem comum; e hoje estamos em falta de ações, homens íntegros, probidade, retidão e outros fatores que completam esta pintura abstrata do caráter moderno. Se um dia conseguirmos os tais homens sérios e verdadeiros, talvez tenhamos finalmente projetos mais adequados tanto de nações unidas, quanto de condomínios pautados pela seriedade, dentre outros tantos exemplos!

Este é o ranço que pagamos caro pela ideologia medíocre da superioridade falida dos homens fardados, que ainda pensam que as armas podem sobrepor a Lei e a verdade. – Pobre América Católica incompetente, desleal e desumana!

Carlos Henrique Mascarenhas Pires
 



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