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ATRAENTE E PERIGOSA

Quarta feira, 01 de Junho de 2011
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A Segunda Guerra havia terminado em 1945; Hitler havia morrido e o mundo passava a conhecer duas grandes potências militares; Berlim estava dividida entre um muro, o da vergonha; Israel criara-se como Estado e ninguém mais sabia de que lado ficar, se do Ocidente ou Oriente. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que raramente os jovens de hoje conhecem, crescia muito mais como um mito do que como uma base forte de um regime autoritário, mas para se manter no panteão da mitologia moderna, precisa desenvolver projetos; projetos que retratassem o medo e expandissem a vergonha; por isso Mikhail Kalashnikov criou um fuzil de assalto capaz de revolucionar a indústria bélica e colocar seu nome no rol dos inventores que mais conhecidos da terra. Estava criada em 1947 o lendário e desejado Fuzil AK-47; em russo “Avtomat Kalashnikova odraztzia 1947 goda” e em português, “Arma Automática de Kalashnikov modelo de 1947”!

É o fuzil mais produzido de todos os tempos, isso é fato; não somente a URSS o fabricava, mas também a Bulgária, China, Hungria, Índia, Coréia do Norte e Romênia, isso oficialmente, porque em diversas outras nações esta arma letal de cobiça indiscutível, também fora produzida em locais não revelados sob a supervisão direta dos comunistas do bloco soviético. Os números revelam que desde 1947 até recente, cerca de 130 milhões de exemplares foram produzidos e alimentaram os sonhos de muitos tiranos covardes, para se manterem no poder!

Sobre os mitos em torno do AK-47 muitas histórias povoam os milhares de artigos já publicados; muitos são verdades e outros são meros folclores disseminados por uma multidão que utiliza desta peça de artilharia para intimidar exércitos inimigos. Dentre muitas verdades se sabe que Israel e Finlândia se basearam no projeto simples dos soviéticos para produzirem versões melhoradas, pelo menos é o que eles acreditam. Nórdicos e judeus criaram a M62 e Galil, fuzis de assalto que são praticamente irmãos desta ferocidade comunista!

Do ponto de vista da tecnologia o AK-47 é rústico e de fácil produção; poderia até ser uma arma obsoleta e desusada, mas a sua simplicidade de operação e manutenção, além de ser assente em baixas e altas temperaturas, fizeram-na uma excelente aquisição bélica para suprimir questões de precisão e ergonomia.

O fabricante russo que remonta desde 1807, a IZL, afirma que seu funcionamento se dá de modo similar aos demais fuzis de assalto, pelo aproveitamento indireto dos gases que são desviados da parte posterior do cano até um cilindro montado acima deste, onde pressionam um êmbolo de longo curso que aciona o recuo do ferrolho de trancamento rotativo. O ferrolho desliza sobre dois trilhos na caixa da culatra com uma folga significativa entre as peças móveis e fixas, o que permite que opere com o seu interior saturado de lama ou areia. Dispara munição 7,62 x 39 mm, no modo automático e semi-automático. Seu registro de tiro e segurança é considerado por muitos sua principal desvantagem, não corrigida nos modelos posteriores. É lento e desconfortável, exige esforço extra para operar, especialmente com luvas, e quando acionado produz um "clique" alto e distinto. Outra desvantagem é a posição do ferrolho, que permanece fechado após o último tiro.

O fuzil AK-47 é alimentado por um carregador tipo cofre metálico bifurcado de trinta projéteis, com uma retenção localizada à frente do guarda-mato. Outros tipos de carregadores como o de quarenta projéteis ou o tambor de 75 projéteis também podem ser usados. Seu aparelho de pontaria é graduado de 100 m a 1000 m, e um ajuste fixo que pode ser usado para todas as faixas de até 300 metros. Pode também pode ser equipado com lançador de granadas montado sob o cano. A versão de coronha dobrável, objeto de desejo de terroristas e assassinos profissionais, foi desenvolvida para as tropas aerotransportadas. Os AK foram concebidos com baionetas destacáveis do tipo faca, que associada a sua bainha transforma-se numa tesoura de cortar arames.

Esta arma legendária começou a ser projetada ainda em 1942 a partir da alemã MKb42, comumente usada pelo exército de Hitler. Um ano depois os soviéticos fundiram o que havia de melhor em armas nazistas e estadunidenses; mudaram mecanismos, criaram novas fusões de disparos, chegando a modificar até o calibre de seus projéteis. O sargento soviético Mikhail Kalashnikov, ferido e de licença, projetou uma espécie de pistola metralhadora e depois de muitas intervenções o que hoje conhecemos como o fuzil mais desejado do mundo foi criado.

Desde 1947 em linha de produção o AK-47 sofreu inúmeras modificações, mas aquele modelo antigo, um dois primeiros a ser fabricado, permanece sendo usado, principalmente na África e Ásia. Para se ter uma idéia de sua importância a bandeira oficial de Moçambique há um desenho de desta arma devastadora.

Hoje em dia o que se fabrica e que há uma relação direta com o AK-47 é o moderno AK-103, completamente diferente de seu irmão famoso; isso inclui peso, calibre e mecanismo, mas o formato inconfundível que se assemelha a uma lança com carregador curvado, crê-se que jamais mudará.

Quem já utilizou uma destas beldades mortíferas diz que ela é incrivelmente resistente a água, lama ou areia. Seu custo de fabricação é relativamente barato e não requer maior tempo na linha de montagem. Curiosidades que muitos não sabem: seu projétil percorre 720 metros por segundo; pesa em média 4 kg; carregador pode ter até 90 balas; comprimento de menos de 1 metro; pode cuspir 600 tiros por minuto; raio de ação eficaz é de 300 metros, mas pode balear um alvo a 1000 metros com facilidade; um projétil disparado a 100 metros pode atingir 500 kg em seu alvo; o efeito dos disparos, quando se atinge corpo aquoso cavernoso, como o corpo humano, é perfurante e dilacerador progressivo. Traduz-se que o projétil entra normal e sai abrindo o maior espaço que puder, fazendo o maior estrago na vítima!

Oficialmente o Brasil não fabrica nem importa este tipo de arma, mas no Rio de Janeiro muitas estão em circulação, principalmente nos morros onde há intenso tráfico de drogas. Os traficantes cariocas não usam a AK-47 como arma comum, mas para intimidar quem as observa em suas mãos. A polícia já apreendeu modelos modificados com banho em ouro, tamanho é a lenda que a envolve e o medo que ela provoca.

Para se ter uma pequena idéia do que este demônio militar pode provocar; testes com tiros em cofres de maior porte mostraram que o projétil não transfixa a chapa de aço, mas causa verdadeiro estrago na primeira camada, chegando a quase ultrapassá-la de forma simples e eficaz. Uma pessoa de porte mediano e sem o devido preparo para utilizar uma AK-47 pode receber vários golpes dos trancos produzidos pela arma! Um dos maiores admiradores da AK-47 era Osama Bin Laden...

Armas servem para matar; os que as utilizam como forma intimidadora são mais covardes do que se imagina. Qualquer arma, branca ou não, é capaz de produzir cicatrizes profundas numa família ou num povo, mas a AK-47 é muito mais do que isso; ela foi arquitetada para matar mais em menos tempo, gastando pouco e sendo de fácil manuseio. A história diz que este fuzil cumpriu todos os seus papéis; que já matou milhares e ainda matará milhões, porque cada vez mais haverá alguém fascinado por seu formato e sua funcionalidade.

Eu ainda acredito que armas são para bárbaros; polícias e exércitos precisam usá-las por uma questão de salva resguardar a soberania de um Estado e a justiça de um povo, mas bem que poderíamos ter educação e consciência de um mundo de paz, o que hoje é utópico e distante; pois muitas pessoas têm nas armas uma espécie de amante; uma amante perigosa! Somente desta forma ilusória e impossível é que podíamos viver sem tantas armas, amantes perigosas e sem o convívio da AK-47; armas que a princípio pode parecer que nos protege, mas que mais nos amedrontam e nos deixam vulneráveis perante o risco de morrer!


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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