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AMARRARAM O GIGANTE

Segunda feira, 05 de Agosto de 2013
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 Como se mede o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de uma comunidade? Se o indicante é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano" e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos, em desenvolvimento ou subdesenvolvidos; como então se classifica os métodos de verificação? 

Pelo que a ONU divulga, a estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e Produto Interno Bruto per capita, recolhidos a nível nacional. Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades da divisão política como estados, cidades, aldeias, etc; e no Brasil, o responsável pela aplicação destes métodos é o IBGE. Os dados colhidos pelo IBGE são processados e após análise técnica se afirma quem está melhor ou pior “na foto”. 

No dia 18 de novembro de 2010 eu próprio já havia questionado e discutido os dados do IDH no Brasil daquele ano. Em minha crônica “O Céu, o Inferno e Manari” discutia os índices catastróficos das piores cidades do Brasil para viver; e Manari, no Sertão de Moxotó em Pernambuco, se destacou como sendo a pior cidade brasileira. Eu cheguei a afirmar que, à época, Manari sobreviveria tranquilamente apenas com o lixo produzido pela melhor cidade do Brasil, segundo o IDH do IBGE, que era São Caetano do Sul e São Paulo. Além de Manari, destacavam-se também pelo TOP de pobreza, Jordão no Acre, Traipú nas Alagoas, Guaribas no Piauí ou Centro do Guilherme no Maranhão. 

Passados 3 anos, quais são as piores cidades do Brasil? Melgaço no Pará, Fernando Falcão no Maranhão, Atalaia do Norte no Amazonas, Marajá do Sena no Maranhão e Uiramutá em Roraima; e os problemas particulares de cada uma delas devem ser análogos aos de Manari em 2010; e se Manari não voltou a lista maldita, como anda hoje a cidade em que a média de ganho de cada habitante era de R$ 2,5 mil por ano? 

Os dados revelam que Manari ainda possui IDH abaixo da média das piores do Brasil, mas a renda per capita subiu para R$ 3.376,00 por ano. Mesmo traduzindo que cada habitante em média sobrevive com R$ 9,24por dia, ainda é muito melhor do que os R$ 7,10 que cada morador de Melgaço no Pará tem por dia para sobreviver. Pode parecer pouco, mas a diferença de renda de cada uma delas, R$ 2,14, quando multiplicado por 365, equivale e R$ 784,49; mais do que um salário mínimo vigente... 

A nível nacional o Brasil nunca teve uma posição privilegiada no ranking de IDH mundial. No índice atual, sequer aparecemos entre os 50 primeiros; e somos facilmente engolidos pelos nossos vizinhos Chile (40º), Argentina (45º) e Uruguai (51º). O presunçoso Brasil aparece lá no número 85º, coladinho ali na Jamaica e no Equador; e é no Brasil que estão situações tão críticas quanto a de países africanos que nunca saíram da decadência! 

As cidades brasileiras com os piores índices de IDH estão entre as regiões Norte e Nordeste; e na lista TOP Five, duas delas estão no Maranhão, Estado comandado e protegido por um dos nomes mais conhecidos da política brasileira: SARNEY! 

Melgaço é o município mais atrasado do país, com índice de IDH igual a 0,418, comparável com o índice do Malaui, pais do sudeste da África, um dos 20 países com IDH mais baixos do mundo, segundo a ONU. Isto significa que as condições e vida nesta cidade são semelhantes às condições de vida do Zimbábue, Etiópia e Ruanda. No índice, destaca-se a educação do município, que alcança baixíssimos 0,207, indicando que a cidade possui a pior média de anos de estudo do Brasil, e ainda a pior expectativa de anos de estudo. Para você conhecer Melgaço, precisa ir para Belém e depois escolher viajar até 16 horas de barco ou poder pagar por 30 minutos de helicóptero... 

Fernando Falcão é o segundo mais crítico município do Brasil. Está localizado na região central do Maranhão e dista mais de 500 km da capital São Luís. Tem menos de 10 mil habitantes; e segundo o IBGE, a média de renda de cada habitante é de R$ 7,21 por dia. Segundo o Portal da Transparência, os repasses do Governo Federal para o município em junho de 2013 foi de R$ 1.204.891,77; e o acumulado somente este ano, chegou em R$ 7.370.719,44. Somente do Programa Bolsa Família, Fernando Falcão recebe R$ 2.116.924,00... 

O número 3 em desgraça humana no Brasil é Atalaia do Norte, no Amazonas. O município é mundialmente conhecido por abranger grande parte da Terra Indígena Vale do Javari, a qual é a maior reserva de índios isolados do mundo, além de ter sido o local de uma das maiores quedas cósmicas da história moderna, que ficou conhecida como Evento do Rio Curuçá. A renda per capta deste município é de R$ 3.291,54 ou R$ 9,01 por dia. Quem mora em Atalaia do Norte e precisa ir a Manaus precisa percorrer mais de 1.100 km; e se for se virar no próprio município, não contará com delegacia de polícia, poucas e precárias escolas e no quesito saúde a chance de sobreviver após uma emergência é quase zero! 

Voltando ao Maranhão chegamos ao número 4 entre os piores do Brasil; Marajá do Sena, que tem menos de 8 mil habitantes e PIB per capta R$ 7.497,49; mas a renda média de cada cidadão é a pior do Brasil. Segundo dados de uma reportagem, cada cidadão de Marajá do Sena precisa se virar com R$ 96,25 por mês ou R$ 3,20 ao dia! 

Finalmente, chega-se a quinta mais miserável do Brasil; Uiramutã em Roraima; uma cidade que também é tríplice fronteira, pois faz divisa com a Guiana e a Venezuela. O mais curioso é que esta região é tradicionalmente rica em ouro e diamante. Apresenta também um grande potencial para a pecuária; entretanto, a beleza natural de que dispõe o município, pode vir a transformá-lo num futuro polo turístico, representando então sua principal vocação econômica, mas enquanto isso não ocorre, sua população de 8 mil habitantes padece de cuidados simples. Mesmo com todos esses benefícios, estatísticas do IBGE revelam que Uiramutã é a cidade que teve a maior queda do IDH no Brasil entre 1991 e 2000, uma queda de 4,75%. Um cidadão de Uiramutã precisa se virar com R$ 4,23 por dia. Curiosamente, esta é a média de gasto com pães por uma família pequena nos grandes centros, apenas no café da manhã... 

A situação é tão ou mais crítica do que todos os jornais, televisões ou rádios anunciam; o índice de miséria que se encontra incrustado na alma deste gigante chamado Brasil é alarmantemente superior a tudo que se possa medir ou que se imagine; pessoas e mais pessoas morrem todos os dias por causa desta miserabilidade abjeta que insiste em sobreviver mesmo em tempos de alta tecnologia e até pouco tempo atrás, com altos índices de desenvolvimento econômico. Enquanto eu compro carne vermelha para comer no almoço, porque ela baixou de preço, milhares e milhares de famílias de todas as regiões do Brasil sequer sabem o que é isso; e isso não é praticamente nada diante do absurdo maior. 

Eu conheço de perto toda esta realidade; nasci em uma cidade grande, mas que possui altos índices de miséria (Feira de Santana – Bahia); e pertinho de onde nasci, eu já vi com meus próprios olhos, a pobreza plena e atroz; já vi famílias que saíram do inferno para tentarem a vida no purgatório e vice-versa; perto de onde nasci há também a miséria igual ou pior do que em Melgaço, Fernando Sena, Atalaia do Norte, Marajá do Sena ou Uiramutã, mas inexplicavelmente elas não aparecem em índice algum. Eu já presenciei secas intermináveis em setores que durante as chuvas escassas produzem malmente o alimento de sustentação pessoal de seus lavradores; e isso é a desgraça e a desdita traduzida em verdade... 

Quando saio do Brasil observo que a pobreza e a miséria de outras nações são diferentes da nossa, e não preciso ir muito longe, posso citar a Argentina e o Paraguai; existem os pedintes de rua e os pobres sem teto, que vivem de esmolas ofertadas, mas você não vê gente morrendo de fome. Sempre cito de quando estive no Marrocos, África árabe, e notei muita gente necessitada; gente de vive à margem da sociedade e que sobrevive com o mínimo possível. O Marrocos é um país onde não se produz nada, mas que seu povo se une em torno da manutenção da vida de seus irmãos. Visitei mercados milenares de Tétouan, Marrakesh, Casablanca e Rabat; e em todos eu vi gente pedindo esmola, casas pobres as margens da rodovia, mas eu também notei muita dignidade nos olhos destas pessoas; que de uma forma ou de outra, elas não me pareceram tão infelizes como são nossos irmãos brasileiros mais necessitados. 

Ver o Brasil miserável e sequer poder compará-lo ao menos com a pior miséria africana, para mim é desonroso, sem reputação, inglorioso e desumano; mas tenho que voltar a citar que nosso Governo é tão zeloso com o Haiti e com tantas outras nações que acreditamos dever obrigações, e não lembra que aqui mesmo há locais piores do que aqueles que apadrinhamos e gastamos tanto. 

Isso tudo me faz perceber que a miséria é um problema grave; que pelo pobre ser analfabeto e não pagar impostos necessita ficar como estão, porque disso, desta miséria, desta desgraça, eles, os políticos, colherão milhares de votos que os farão permanecerem mais duas, três décadas, comendo caviar, passeando com motorista e vivendo em mansões do Lago Paranoá. 

Pode parecer uma crítica ao Governo, mas não é só isso! O Brasil precisa abrir os olhos para os famintos e os necessitados; pessoas de bem que vivem muito mal e que geralmente estão no Nordeste e no Norte do país; pessoas que muitas vezes são identificadas como brasileiras apenas pelos documentos e nada mais. Quem chega a São Paulo ou no Rio de Janeiro e observa milhões de pessoas comendo bem, curtindo a vida com seus laptops modernos e suas redes wireless, não imagina que ali bem pertinho, como nas cidades citadas, às vezes tem que se comer cacto cozido em sal para matar a fome; e beber água de cacimba, poço comum no Nordeste, para não morrer de fome ou de sede. 

Está duvidando? Toma coragem e vai lá ver de perto! Vá nas cidades pobres do Brasil; lugares onde a palavra “sorte”, além do dicionário, significa viver um pouco mais! 

 

Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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