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A DELEGADA DILMA

Segunda feira, 15 de Agosto de 2011
A DELEGADA DILMA

Oficialmente ela tomou posse no primeiro dia de 2011, mas há quem diga que o cargo de Presidente do Brasil já lhe havia sido confiado desde o primeiro dia em que pisou no Planalto como Ministra das Minas e Energias. Controvérsias e folclores a parte, Dilma Vana Rousseff vem de um tempo em que a vida era muito dura; foi acusada de pertencer a organizações criminosas na época da ditadura e até de ter sido assaltante de banco. A oposição quis rotulá-la como ladra antes mesmo dela entrar pela porta da frente do Palácio do Planalto e não seria de muito bom tom ou politicamente correto de além do rótulo, ela também possuísse o diploma.

O mundo inteiro sabe que o governo de seu antecessor e padrinho foi um dos mais escandalosos da história recente do Brasil; todo mundo sabe também que Dilma participou ativamente do governo Lula e que de certa forma contribuiu para a jactância que a imprensa pintou nos meios de comunicação; eu mesmo acreditei que ela, após ser empossada, continuaria com o rumo populista adotado por Lula; mas o inevitável acabou não ocorrendo e hoje o Brasil vive dias, finalmente, de intolerância quando o tema é a corrupção.

A contrafação com os cofres públicos incrustada em Brasília não é um tema recente e também não se pode creditar tudo a Lula; o histórico de adultério ao caráter e a ética pública brasileira é tão antiga quanto perturbador. Aqui no Brasil nos acostumamos a ver de tudo e principalmente a tolerar tudo que esta sânie gerou ao longo dos anos. O povo humilde jamais teve oportunidade de falar ou de ser ouvido; mesmo durante eleições o voto de protesto sempre foi encarado pelas raposas do Poder como motivo de chacota. Dos mais ricos, poucos estiveram se lixando para qualquer movimento vergonhoso; isso porque sempre haverá uma chance deles ganharem mais; e assim ia o Brasil descendo a ladeira...

Brasília sempre foi uma farra; eu me recordo perfeitamente quando a visitei pela primeira vez, ainda me fazendo valer de uma pequena pensão da Asa Sul e sempre ouvi falar que naquela cidade sempre se dava um jeitinho pra tudo; e mesmo quando passei a freqüentar os escalões mais superiores a retórica era sempre a mesma: - se tiver um problema, haverá sempre alguém na Capital Federal que conhece outro alguém que arranja um jeitinho para a solução. Nos ministérios, nas autarquias, no judiciário, Planalto ou no Congresso, esta reunião de gabinetes sempre pareceram mais como oráculos do que administradores, juízes e legisladores.

Durante o período vergonhoso dos militares também havia corrupção; talvez a mais indigna e imoral de nossa história, pela própria eloqüência militar de moral para se manterem no poder; mas depois da ditadura a coisa se tornou incoercível, insuportável, precário, abjeta e temerosa. A instituição da corrupção putrefata que gerou discípulos do passado também gerou os catedráticos e pós-doutores nesta arte de defraudar através de seus cargos e seus amigos. Cada gabinete em Brasília virou um lugar suspeito de facilitação para algum esquema de alívio do erário público. A Praça dos Três Poderes, composta de três oficinas importantes para a formação concreta de nossa jovem democracia começou a dar sinais de convulsão e do jeito que a coisa anda, jamais vamos saber se aquela praça é símbolo de ordem e progresso ou de declínio e burburinho.

Com todo respeito que possuo pela Presidenta Dilma, eu sempre tive medo depois que Lula assumiu o Poder; não pela capacidade engenhosa e humana que ele sempre teve de corrigir os problemas que tínhamos, mas pela inaptidão irrestrita do partido que o gerou. O Partido dos Trabalhadores têm em seu quadro, associados do mais alto gabarito, mas estes são ínfimos diante da enorme necessidade que o Brasil teve com as mudanças feitas por Lula. Não poderíamos contar com milhares de Eduardo Suplicy, Aloísio Mercadante ou Plínio de Arruda Sampaio (dentre outros poucos). Lula teve que tecer uma rede de aliados da mais alta periculosidade para se manter no Poder e é aí que tudo começou a tomar um rumo devastador.

Todos os partidos, exceto parte dos Democratas e parte do PSDB, iniciaram uma verdadeira excursão, uma caravana para se instalarem no Planalto; de certa e desonrosa forma eles todos conseguiram. Parte desta gente jamais teve a menor oportunidade de manobrar qualquer parte de um orçamento público, a outra parte sempre se esgueirou entre ocupar e bajular. Lula precisou de todos eles e os manteve fielmente os alimentando de dinheiro e esperanças até a sua saída. Dilma também precisou firmar acordos prévios para se eleger, porque não era popular e jamais soube lidar diretamente com uma eleição tão importante, mas ninguém se preocupou em uma cláusula; o artigo que dizia que Dilma deveria ser exatamente igual a Lula!

Quando a primeira mulher a ocupar a presidência do Brasil assumiu, ela sabia exatamente o que enfrentaria e com certeza deve ter dado seu recado para que a farra pelo menos se mantivesse em profundo silêncio, mas político que é político de verdade não liga pra estas coisas. O cara quando é mau caráter e já está acostumado com a impunidade histórica, rouba, não faz nada e ainda ri da imprensa, porque aqui no Brasil, basta dizer que não sabia de nada para que tudo fique exatamente do jeito que sempre esteve.

Dilma Rousseff tinha em sua frente um dilema! Apostar suas fichas em seus aliados bandidos, inclusive a própria gente de seu partido, ou promover uma faxina geral sempre que um caso de corrupção fosse deflagrado e notadamente concreto. Apostar na mesmice é o mesmo que apostar que a corrupção ficará sempre impune. Pelo visto a Presidenta Rousseff apostou exatamente no contrário e está dando no que falar!

Em menos de um ano Brasília, aliás, os aliados do PT, deve ter posto em Dilma pelo menos mais 30 rugas e um molho de cabelos brancos. Dois ministérios praticamente dizimados entre acusações, prisões e demissões. Os atuais projetos do Turismo e o do Transportes já não conta mais com a credibilidade dos poucos probos que ainda habitam Brasília e mais denúncias continuam chegando para a apreciação da delegada Dilma. Uma delegada que até tentou agir com parcimônia, mas que viu o seu trabalho sendo minado por gente que sequer ela tolera; daí o segundo dilema: agindo sem energia será que ela consegue se reeleger?

Dizer que Dilma Rousseff não pensa em reeleição é balela; ela e qualquer um que tenha o Poder nas mãos, não só pensa em reeleição como também em fazer o sucessor e a Presidente Dilma tem uma rara oportunidade de deixar seu nome também gravado na história pela parte mais singular. Ela deseja, pelo menos é o que se aponta atualmente, que Rousseff seja o sobrenome da retidão, da probidade e da ética; e que sua intelectualidade seja lembrada como um fator gerador para o crescimento de fato de nosso país.

Eu sinceramente não acredito que Dilma Rousseff faça o mesmo caminho de Lula que sempre afirmava nada saber; que sempre riu muito de tudo de ruim que lhe fora apresentado e que soube tirar proveito de todo o malfazejo chancelado pelo Distrito Federal para conseguir sair sem arranhões. Eu ainda acredito que a Presidenta faça um estilo mais agressivo, tentando reunir o melhor entre os mais humildes e o melhor da classe média; que sua gestão será baseada em execuções tradicionais de obras e geração de renda, mas também que cobrará ações de combate à corrupção.

Sendo eu ainda mais antagônico a nova ordem indutiva de nossa atual política, posso afirmar que desde a saída de João Baptista Figueiredo até hoje, e veja que já são quase 10 mil dias, ninguém agiu com tamanho rigor depois de fundamentadas denúncias de corrupção no Poder. Passamos por Tancredo (que não assumiu), Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula; todos enfrentaram turbulências entre seus aliados; Lula foi o que mais colecionou crises; mas é Dilma que melhor está administrando esta austera tarefa de por ordem na casa, mesmo que tenha que cortar na própria carne.

No passado ninguém acreditava que Lula fosse ser um super star; ninguém jamais imaginou que ele fosse se reeleger, quanto mais fazer um sucessor. O pensamento petista foi de arrecadar tudo que podia, porque naquela época eles imaginavam que no máximo duraria 4 anos a farra. Apostaram equivocadamente e quase no final, com o advento do Mensalão, todos nós sabíamos que o barbudo seria arrasado; mas não foi isso que ocorreu e se acendeu uma luz para a permanência do PT e aliados no Planalto. Com a candidatura de Dilma aconteceu praticamente a mesma coisa e somente próximo das eleições é que eles, os aliados, resolveram assumir publicamente que apoiavam ela.

O jogo deu certo para todos, mas se tem uma coisa que eu tenho certeza é que Dilma Rousseff não é trouxa, muito menos burra. Ela sabe bem quem tem culpa no cartório; sabe quem é bajulador; sabe quem está lá apenas para tirar proveito; sabe bem quem a quer vê-la pelas costas; e acima de tudo, sabe bem que ao menor cochilo seu maior aliado depois do PT, irá fazê-la lamber o chão ou beijar a lona, porque este é o objetivo do PMDB.

Dilma Rousseff já foi presa, humilhada, execrada e ainda assim se tornou Presidente do Brasil; ela sabe bem que jamais se tornaria algo mais do que Ministra se não fosse, além de sua autoridade, o apadrinhamento de Lula; mas também sabe bem que se cochilar sai pior do que entrou e é agora que ela precisa começar a solidificar sua base; ela precisa fazer uma base mais sólida do que diamante, porque também sabe que até mesmo do PT ela é vista com desconfiança. Seus inimigos são em maior número do que pensamos; os amigos de Lula não são seus amigos e sim aliados e uma pessoa técnica como ela está se demonstrando, dificilmente irá deixar de ter problemas desta ordem, na ordem da corrupção ativa.

Quem detém a confiança da Presidente a faz uso da corrupção automaticamente a coloca também sob suspeita, porque é dela o dever máximo de fiscalizar ativamente os atos de seus agregados; porque já tivemos num passado bem próximo um exemplo claro que muita gente age em nome do Presidente e de fato o ajudava com o fruto deste adultério às Leis.

Eu jamais gostaria de afirmar isso, mas quando um ato corrompido executado por um alto funcionário do Poder fica impune, como ocorreu no Mensalão e em tantos outros episódios modernos, só me faz crer, cada vez mais, que aquele logradouro que tem o nome de Três Poderes, numa oficina as mãos estão atadas, noutra os olhos vendados e noutra a boca calada; e em todos faltam coragem e moral de empunhar a caneta e fazer valer a Lei.

Parabéns Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff, por pelo menos estes gestos singulares que nos fazem acreditar que aqui ainda tem jeito!


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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