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A ÁRVORE DOS SEGREDOS

Terça feira, 05 de Julho de 2011
A ÁRVORE DOS SEGREDOS

Quem nunca desejou decifrar um enigma? Quem nunca contou um segredo e ficou com receio dele vazar? Quem pode afirmar que jamais se sentiu curioso para saber algo tão intrigante a ponto de sacudir os pilares de uma sociedade? – Saibam que tem certas coisas que não devemos falar...

Perguntas sem respostas que seguem através dos tempos; segredos que morrem com quem os possui e que se fossem revelados poderiam reescrever inúmeros capítulos da história; tudo isso está ligado ao sigilo, mistério, revelações e senhas. Secreto é o modo de dizer que alguma coisa, ou alguém, é confidencial; não é público; pode até ser descoberto, mas não é recomendado, pois há informações tão valiosas que se reveladas publicamente podem comprometer algo ou alguém. Muitas vezes este comprometimento pode chegar ao ponto de ameaça da vida.

Há segredos em todos os cantos, em todos os lugares e envolvendo praticamente todas as pessoas do globo. Os sigilos estão em casa, nas ruas, nos escritórios, nas igrejas, nas ordens fraternais, nas escolas, tribunais, cemitérios, mas onde são gerados os maiores sigilos e que não deveriam ser assim, são nas instâncias mais variadas do Poder e o Brasil não foge a regra!

No Brasil de ontem a instituição “Poder” era dividido em partes desproporcionais entre a Igreja Católica, os Nobres advindos do Império e o Governo. Um mandava no outro e todos comandavam uma massa tão dispersa que imaginávamos que éramos uma nação de gado comandada por fazendeiros que só enxergavam o lucro e capatazes ferozes que somente viam o seu lado; cada porção poderosa fazia valer a sua força e dela, muitas vezes tudo era gerado por algum segredo mítico.

Com o passar do tempo e como costumo dizer, que tudo muda; tudo passa e tudo se molda ao redor das mudanças; o gado começou a exigir um pouco mais de atenção. Para que o estabelecimento do Poder permanecesse nas mãos de poucos necessitou criar novas instâncias e novíssimas figuras; talvez tenhamos criado também os novos segredos! A República exigiu isso de forma categórica para que se mantivesse a ordem interna e o controle absoluto do Estado. Obviamente que nem tudo sai como o planejado, mas era preciso se tentar mudar mais uma vez, para não se correr o risco de ver tudo indo pros ares e o comando geral brasileiro em mãos “erradas”.

De um lado do país, faminta e sedenta de domínio, permaneceu a blindada Igreja Católica com seus padres escroques e seus bispos atrozes. A Santa Sé soube bem permanecer, nos mais altos degraus do Poder pelo mundo desde o concílio de Nicéia na Turquia em 325 da Era Cristã. Se Pedro, o covarde, não conseguira impor a sua palavra sem validade no Concílio de Jerusalém, precisava de alguém mais inteligente e menos inerme para fazer valer a palavra da nova ordem mundial, a igreja cristã. Este personagem que foi valente e conseguiu dar uma reviravolta nos capítulos do Poder da época foi Constantino I; imperador romano que enxergou além da sua época e acendeu uma vela para Deus e outra para o Diabo; tudo isso, é claro, apenas para permanecer poderoso e mais uma vez, prevalecendo-se do maior segredo dos últimos dois mil anos. A vida e morte de Cristo precisaram ser retocadas e acrescentadas de temperos mentirosos, blindados de segredos e ameaças...

Naqueles 30 dias de discussões sobre que rumo à cristandade deveria seguir, dirigido por Constantino, se falou de tudo; acredita-se que até a data em que Jesus teria supostamente nascido fora mudada, porque até então, Cristo teria nascido entre Abril e Maio de um ano completamente sem notícia óbvia.

Se eu fosse católico justaria de forma categórica para declarar Constantino I como o Primeiro Papa, mas na época dele o Papa oficial foi Silvestre I, que morreu no mesmo ano do Concílio de Nicéia e foi precedido por Marcos. Não fosse a agudeza e insídia de Constantino I, provavelmente a Santa Sé seria mais um apostolado, como milhares de outros existentes, que malmente mandaria em si própria. Também posso afirmar que foi necessário que um estadista criasse o lacre perfeito para a manutenção da crença e tudo isso, com certeza, envolveu muito mais do que o Poder de Roma; a fé idealizada por Constantino fazia frente ao avenço da outra fé, do mesmo Deus e de outro profeta!

Eles queriam discutir e formalizar um documento único que tratasse dos temas: arianismo, páscoa, batismo de heréticos e o estatuto dos prisioneiros na perseguição de Licínio, ou como a história o conhece, VALERIVS LICINIANVS LICINIVS; imperador romano que muitos afirmaram terem sido perseguidos somente por que eram cristãos. Há quem afirme categoricamente que esta perseguição foi meramente uma invenção de autopromoção. Verdade ou mentira, os que se afirmaram perseguidos por Licínio, muitos viraram santo e ganharam fortunas com o Poder concedido pela igreja depois de Nicéia; pelo menos é o que acreditava Fernando Pessoa em Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. O autor brilhantemente afirma que as perseguições ficaram sendo das variadas invenções dos propagandistas primitivos do Cristianismo.

Depois de Nicéia o que o cristianismo conseguiu reunir de Poder ele o fez; não importava se alguém tivesse que morrer; ser torturado ou amargar todos os bens roubados; se fosse em nome de Jesus, era santo e válido e ninguém podia sequer questionar. Para consolidar efetivamente todo este poder os cristãos católicos precisaram apenas de mais três atos; o primeiro era estar ao lado do Estado participando das suas decisões; o segundo era ser o próprio Estado; eles conseguiram tudo e se consolidaram como sendo a principal fonte de consulta, fosse para uma simples construção, reforma de imóvel a até decisões jurídicas. Para se instituir o terceiro ato, talvez o mais decisivo de todos; a relação entre o Poder e os segredos mais restritos precisariam ser estreitados e partilhados apenas com as mentes mais privilegiadas da época; pessoas tão comprometidas com o embuste, mas que eram rotuladas como santificadas, caso específico dos Papas.

Quem se atrevesse a revelar os segredos que sustentavam o Poder com dinheiro, glórias e temores certamente seriam no mínimo enclausuradas para sempre; no máximo eram queimadas vivas ou açoitadas até a morte. Para os descridos ou inábeis com as letras é sempre bom lembrar que a Igreja foi uma das mais interessadas nos meios de torturas humanas nos tempos medievais; o pior de tudo é que eles matavam publicamente e revelavam a todos que se tratava de ações demoníacas.

Quem bem retrata tudo isso foi o polêmico Malleus Maleficarum, ou Martelo das Bruxas. Este livro que data de 1487 na Alemanha e de autoria de dois clérigos católicos, Heinrich Kraemer e James Sprenger; é dividido em três partes: a primeira ensinava os juízes a reconhecerem as bruxas em seus múltiplos disfarces e atitudes; a segunda expunha todos os tipos de malefícios, classificando-os e explicando-os; e a terceira regrava as formalidades para agir “legalmente” contra as bruxas, demonstrando como inquiri-las e condená-las a morte. Oficiosamente o Martelo das Bruxas foi utilizado pela Santa Sé para matar milhões de pessoas inocentes até meados do Século XVII, mas há quem afirme que até pouco tempo o manual satânico ainda fora utilizado em nome de Deus para manter firme todos os segredos da Igreja.

Dissimulada e covarde a Igreja e o Poder dos reis jamais admitiram a utilização do Martelo das Bruxas, provavelmente com receio de uma manifestação popular que pudesse insuflar o povo de modo generalizado a banir as atrocidades e deixar em xeque todos os outros segredos escondidos por trás dos tronos e altares.

Desde muito antes de Cristo até os dias atuais, aquele que pensa, caso pense em ideais mais libertários, dificilmente conseguirá êxito em expô-los de forma manifesta. Se o pensador nutrir uma linha polêmica, basicamente do tipo de minha escrita, torna-se impossível conseguir apoios para seus textos ou seus trabalhos, salvo se por iniciativa própria e contando meramente com a sorte para vê-los sendo difundidos. O círculo do Poder que resguarda os segredos para sua manutenção é tão forte, que muitos acabam aderindo para não se verem derrotados. É nesta hora que se diz que há certas coisas que não devemos falar!

Esta semana aqui em Minas Gerais um Desembargador do TJ foi preso acusado de venda de sentenças para traficantes de drogas, a mídia local noticiou de forma branda e quase imperceptível. Hoje um grupo de policiais militares do Rio Grande do Norte foi flagrado roubando gasolina de um quartel onde trabalhavam e ainda são acusados de venderem proteção permanente para empresários. Entre os envolvidos e presos estava um Tenente Coronel e outros oficiais; a notícia entrou na mídia nacional, mas não vai dar muito que falar. Em breve, quem sabe, teremos de volta ao TJ aquele juiz que soltava traficantes de drogas em troca de uma graninha; bem como teremos no comando da PM potiguar o Tenente Coronel que usava a gasolina do Governo em seu carro e ainda mandava viaturas escoltar os amigos empresários. – Eu não duvido de mais nada nesta vida!

Podemos mesmo encobertar os fatos desta e de outras naturezas somente porque há poderosos envolvidos? É justo que a mulher que trai o marido seja anunciada em rádios como prostituta, enquanto Presidentes da República encobertam amigos salafrários e se beneficiam de seus maus feitos?

Golpes ocorrem em segredo, traições acontecem à poucas luzes; vidas são ceifadas por atos sigilosos; destinos são traçados na calada da noite; e mesmo que tudo seja revelado haverá sempre uma chance da criação de novos mitos para que paire a dúvida quanto a veracidade da primeira informação; estas são características típicas de covardes, aleivosos, falsários, tiranos, déspotas...

Alguns segredos somente devem pertencer a um grupo seleto de homens. São segredos milenares que dificilmente a maioria poderia compreender de forma ajuizada. Os mistérios místicos e as tradições ritualísticas são abertos somente para os que conseguem desenvolver as emoções que o coração e a mente fazem surgir das essências do consciencioso. Por mais que pareça esnobe e execrável para muitos, existem sim os nobres esforços que merecem uma estima tão sagrada, que sustenta os segredos do universo.

Símbolos, senhas, ensinamentos e traços do sagrado mistério, infelizmente, não foram feitos para serem revelados a todos, porque nem todos conseguem discernir entre a razão e a emoção. Quem perfaz o caminho da ignorância nem sempre o é ignorante pleno; o universo sempre dá oportunidades para que todos possam percorrer os caminhos do plausível, mas pela ordem natural, como há o verso e o reverso, alguns não conseguem enxergar por causa da cegueira perdoada; outros são voluntários claros da necedade...

Alguns segredos são necessários para que possamos prosseguir com o coração puro; para que haja a insurreição diante da luta repugnante entre um filósofo débil e uma teologia pervertida, e suplicarmos que ambos sejam para sempre enterrados sob a imperante preterição do homem.

Quando desejamos falar sobre certos assuntos, precisamos estar certos de que isso não atentará contra a vida das pessoas inocentes, porque sobre este aspecto, não somos capazes ou doutrinados para decidir. Na certeza, evolutivamente discutido com os sábios, se soubermos de um segredo que atenue o sofrimento da maioria, este sim deve ser revelado; deve ser publicado e preterido cada vez mais a publicidade negativa, para que os homens de bem consigam enxergar não somente a luz, mas a verdade abstrusa, que muitas vezes é também indigesta...

A censura do homem pela fumaça da boa verdade por ele patenteada é um dos atos mais pusilânimes que se têm notícia, pois todo homem deve ser patente, fraternal e côngruo; homens com estas qualidades não são covardes, muito menos merecem a punição dos medíocres ou a reprovação pública.

Este texto são partes de meu livro “Todo Poder é Efêmero” e em breve estará completamente publicado na internet, com muitos mais segredos intrigantes que já foram e os que ainda não foram revelados. Oportunamente será mostrado a todos que o Poder muitas vezes acende uma vela para Deus, outra para o Diabo e isso também inclui os poderes da religião. Ao final ficará a certeza de que há certas coisas que nem sempre podemos falar...


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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