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511 ANOS DEPOIS DE CABRAL

Segunda feira, 25 de Abril de 2011
511 ANOS DEPOIS DE CABRAL

414 – HISTÓRIA – Que me perdoe à República Federativa do Brasil, mas a República Imaginativa da Bahia, Terra de Todos os Santos e de todas as magias, raramente participa destas festas comemorativas do aniversário do Brasil comemorado todo dia 22 de abril, portanto a minha homenagem hoje é para a Bahia, estado em que nasci e vivi boa parte de minha vida; estado onde ainda moram meus filhos, meus pais, meus irmãos e como se diz no Nordeste, toda a “parentaia” e os amigos de infância!

 
Muitos dizem que o lusitano Duarte Pacheco Pereira em 1498 teria aportado por aqui, sabe-se Deus como e por quais terras; também dizem que o espanhol Vicente Yáñez Pizon foi quem de fato chegou ao Brasil em 21 de janeiro de 1500; eu não duvido que apareça alguém que jure de pés juntos que o ET de Varginha, juntamente com o Chupa Cabras foram os privilegiados descobridores das “terras brasilis”, isso por volta do ano 50 Antes de Cristo; e tudo devidamente documentado e registrado no Cartório Público da cidade perdida de Atlântida. Enfim, quem tem boca fala o que quer...
 
Fato mesmo é que Vasco da Gama estava preocupado com a invasão dos mouros no Mediterrâneo; os portugueses estavam pelando de medo dos árabes, porque os adoradores de Alah já tinham dominado parte da Espanha e sinalizava pisar em solo português; pensando nisso o navegador ilustre; precisou aparelhar uma nova frota para descobrir um caminho para as Índias; não os indígenas, mas sim a nação indiana, que sempre foi rica desde os primórdios.
 
13 barquinhos medíocres, mas resistentes para a época, com cerca de 1000 cobaias, resolveram atravessar o Atlântico, porque o Mediterrâneo, como já disse, estava cercado de rebeldes mouros. O Rei português Dom Manuel I, juntamente com seus amigos e sócios italianos, escolheram Pedro Álvares Cabral para ser o então Comandante Mor da expedição que descobriria o caminho para as Índias através do Oceano Atlântico, por acreditar que ele fosse um dos mais espertos navegadores daqueles tempos, mas o marinheiro ou era ruim pra caramba, ou como se diz em Minas, se fez de égua para mamar deitado.
 
Saiu de Lisboa cheio de pompas e festa e no dia 22 de Abril de 1500 aportou numa terra estranha, cheia de gente estranha e pelada (acredita-se), que não falava nenhuma das línguas conhecidas. Sem mesmo saber onde estava Cabral tratou logo de batizar a terra e escrever tudo que vira; isso para demarcar posse, porque de trouxa ele não tinha nada; e deparando-se com aquele esplendor de visão, de pessoas e da riqueza que lá existia, ele só podia dizer que aquela terra era dele; até eu faria o mesmo! No dia 22 de Abril Pedro Álvares Cabral aportou não no Brasil; ele aportou na terra mais linda deste país, cujo nome, todo conhecemos muito bem por BAHIA!
 
A terra baiana era (e ainda é) tão boa que foi lá que os portugueses instalaram a primeira capital do Brasil, permanecendo até 1581; devo registrar também que Salvador foi por muitos anos a cidade mais populosa das Américas, mas a oposição envergonhada com o fato da pujança soteropolitana transferiu o comando brasileiro para o Rio de Janeiro.
 
A Bahia foi invadida por holandeses; foi azarada por ingleses e depois a velha e querida Bahia foi invadida pelo mundo; o mundo que adora a mistura mais louca e sana, paradoxalmente ingênuo, que tem a terra que abriga negros, brancos, índios, mulatos e estrangeiros como se fosse a casa de cada um deles. A mesma Bahia que possui a maior faixa costeira do Brasil e que abriga praias tão lindas que o Caribe morre de inveja; a Bahia que nos deu milhares de nomes ilustres como Rui Barbosa e que é impossível citar todos.
 
Esta terra que pariu o Brasil é tão importante do ponto de vista da história, que poucos sabem, mas os portugueses depois de 1822 deixaram o Brasil em paz, mas não a Bahia. Efetivamente só em 2 de Julho de 1823 é que eles saíram de fato após ser expulsos; o que gerou um dos fatos mais lindos, se não fosse trágico, da nossa história que é a Independência da Bahia. Foi uma das poucas a se solidarizar com o movimento de Inconfidência Mineira, quando também gerou a Conjuração Baiana que propunha a formação da República Bahiense.
 
A mesma Bahia que nos dá um pouco de tudo que há no restante do Brasil; montanhas frias, praias exóticas, cidades modernas, arquitetura secular, história; um pouco de selva, caatinga e campos de colheitas; climas tão diferentes, pessoas desiguais que falam dialetos engraçados e quase criaram uma linguagem própria. Esta é apenas parte da terra que hoje completa, oficialmente 511 anos, mas que está lá desde que o mundo é mundo!
 
Mas então o que aconteceu desde 1500 com a Bahia de diferente do Brasil? - Quase tudo e quase nada! Mais uma vez eu aplico uma termologia paradoxal, mas desta vez sem nenhuma poesia!
 
Mergulhamos sempre no que há de pior e estamos sempre nos espelhando em lugares onde não se enxerga o futuro. A Bahia tem uma das piores polícias hoje, com um índice de corrupção maior do que em lugares como o Paraguai; uma justiça lenta e escasseiam os investimentos para transformá-la em normal; uma administração pública que apenas rivaliza com totens do passado e um Poder legislativo arcaico e órfão de personagens pelo menos alfabetizados. As cidades baianas hoje têm prefeitos tão imundos e desqualificados que o povo se envergonha muitas vezes em afirmar ser daquela cidade, tamanha é a roubalheira que se pratica.
 
O entorno de Salvador é mais fiscalizado e observado pelos Poderes, mas por possuir vasto território, cidades mais distantes são simplesmente esquecidas por todos, que o digam os munícipes de lugares como Pintadas, Baixa Grande, Barreiras, cercanias próximas do Polígono da Maconha, Canudos, Cícero Dantas e tantas mais, onde pessoas ainda vivem abaixo mil anos luz, da linha creditada como da miséria!
 
Este lugar que no documento tem 511 anos carece de máxima atenção, carinho e boa vontade do próprio povo para ajudar a mudar tudo isso que enxergamos, mas que a mídia geralmente mostra apenas as cenas das parias com mulatas com pouca roupa ou do carnaval que leva milhões de pessoas para as ruas, dando lucro apenas a hotéis, donos dos trios elétricos, blocos e traficantes de drogas!
 
O atual governante, Jacques Wagner, um idealístico; dispara retóricas lúdicas que até fazem seus comandados acreditarem de tudo vai mudar, mas o problema é crônico e precisarão de milhares de outras galés e naus povoadas de gente educada e bem intencionada para tentar mudar; e é bom atinar para o verbo tentar, que quer dizer “apostar”, porque do jeito que as coisas na Bahia estão rumando, nem os ventos da mudança poderão fazê-la sair desta desgraça generalizada a qual está há 511 anos.
 
A mãe da Bahia, ou pelo menos aquela que a registrou, tem cerca de 1000 anos; mas se formos de fato parar para pensar, quem criou esta terra não foi Portugal, mas sim as nações africanas; que me desculpem pela falta de respeito público; são os verdadeiros espelhos deste recanto do Brasil que somente é lembrado por causa das praias, do carnaval, da preguiça de do Dorival Caymmi, que nem era baiano.
 
 Eu um dia espero poder ver este lugar, a Bahia, entes de completar 1000 anos, sendo respeitada por tudo que ela desenvolverá; por sua história intrínseca, por sua gente batalhadora que não têm limites quando o tema é desafio. Pelos 511 anos que completa hoje eu não ofereço os parabéns; por enquanto ofereço apenas os pêsames, porque hoje não há nada a comemorar...
 
Muitos põem a culpa nos políticos; eu ponho a culpa no povo, pois é ele quem os elege e os mantêm fazendo nada e sem nada a fazer...
 
 
Carlos Henrique Mascarenhas Pires

www.irregular.com.br



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