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11 DE SETEMBRO DE 2001

Segunda feira, 05 de Setembro de 2011
11 DE SETEMBRO DE 2001

Manhã de 11 de setembro de 2001; por volta das 9 horas da manhã, quando eu me preparava para abrir o expediente normal em meu escritório, chega com cara de assustado o meu amigo Simon Skaf, libanês; ele imediatamente me pede para ligar a televisão; todos os canais falavam de um avião que havia a pouco atingido uma das torres do World Trade Center e ao que se imaginava; milhares de pessoas estavam mortas.

Eu confesso que logo pensei em ser uma pegadinha de muito mau gosto, ao pior estilo Orson Welles e A Guerra dos Mundos, mas infelizmente, antes fosse uma pegadinha. Minutos depois, enquanto víamos, pasmos as cenas horríveis do pânico em Nova Iorque, ao vivo as televisões mostravam ao mundo o impacto do segundo avião batendo contra a outra torre do WTC; o inferno de Dante está literalmente implantado na Grande Maçã. Nenhuma cena que nos chegavam daquela belíssima e agitada cidade lembrava qualquer momento cotidiano que ele sempre viveu desde a sua fundação oficial em 1625.

Pouco se sabia sobre aquelas quedas repentinas dos dois primeiros aviões e como num passe horrível de mágica, dois outros aviões caem e um deles se bate contra o Pentágono, sede oficial do poder militar dos Estados Unidos da América; naquele momento todos nós já sabíamos: - Os Estados Unidos da América estavam sob ataque terrorista! Olhei para meu amigo Simon, que tanto já enfrentou descriminação por ser nascido em um país árabe e falei: - Tudo indica que explodiu a terceira guerra mundial. O mundo está ferrado!

Eu sei bem que nós do Brasil estamos distantes em todos os sentidos dos Estados Unidos; o suficiente para termos um pouco mais de tranqüilidade quanto à iminência de também sofrermos um ataque ou até mesmo de participarmos ativamente numa ação qualquer promovida pela guerra; mas não era nisso somente que meus pensamentos passaram a maquinar. Eu fiquei imaginando todo o terror vivido pelos passageiros dos jatos comerciais, pelas vítimas em solo; imaginei o que sentiram os tripulantes durante os últimos momentos de vida e quem estaria por trás daquela barbárie.

Os mais prováveis suspeitos eram os árabes mulçumanos radicais; são eles os mais ferrenhos inimigos dos Estados Unidos. Até aquela data eu jamais tinha ouvido falar em Osama Bin Laden ou na Al-Qaeda. Os primeiros rumores de que tinha sido Bin Laden o mentor dos ataques e daí em diante, milhares de informações começava a chegar, sempre através da televisão, que teve sua programação alterada durante quase todo o dia 11 de setembro de 2001.

Era um absurdo imaginar que alguém tivesse tamanha audácia de promover o terror naquela proporção. Todas as histórias, os rumores e informações oficiais que saltavam da tela da TV a todo instante eram confusas e difíceis de compreender. Na internet o que sabíamos de Bin Laden é que ele teria sido aliado dos Estados Unidos numa destas campanhas medíocres do próprio combate ao que muitos chamam de inimigos. De uma hora para a outra o louco se volta contra os aliados e promove aquela baderna; era difícil compreender...

A gente logo imagina onde estavam os militares estadunidenses, as agências de inteligência e todo o preparado de poder que sempre o cinema colocou como infalível e intransponível, que não impediam aqueles ataques? As cenas do World Trade Center caindo feito brinquedo com dominó eram inimagináveis, difíceis de acreditar, pois eram símbolos da pujança americana; e o pior de tudo, saber que ali dentro havia milhares de trabalhadores...

Aquele 11 de setembro de 2001 foi terrível não somente para os nova-iorquinos; ele não foi terrível somente para o povo americano que viu se abrir uma ferida tão grande e tão dolorida, que dificilmente será cicatrizada; esta data foi terrível para o mundo inteiro, principalmente para pessoas comuns que sempre viajaram aos Estados Unidos e sempre foram tratadas também de forma comum, como visitantes; mas que a partir de 12 de setembro de 2001, teriam que sofrer um rigoroso esquema de varredura para saber se era ou não terrorista.

Desde então o país passou a adotar forte e rigoroso traçado de segurança pública e todos que chegaram depois dos asseclas de Bin Laden, de certa forma, eram tratados como suspeitos. Desembarcar novamente no JFK em NY depois da queda das torres era uma tortura, pessoas reclamando e a aviação civil fora mudada completamente; medo de que mais aviões fossem feitos de mísseis ao redor do mundo; até um brasileiro, Jean Charles de Menezes fora confundido com terrorista e morto no metrô de Londres; tudo isso por causa do pânico que se formou ao redor do mundo por causa do efeito “Torres Gêmeas”.

Viajar com líquidos a bordo, somente com limitação e dentro de saquinhos; remédios, cosméticos e bebidas, somente com prévia autorização da companhia aérea; canivetes, cortadores de unhas e tesouras, se esquecidos nas bolsas, terão que ser descartados. Depois dos atentados de 11 de setembro qualquer passageiro já entra no setor de embarque dos aeroportos sob forte tensão. Eu próprio vivi tudo isso na Américas e Europa e mesmo ser ter jamais sofrido qualquer tipo de constrangimento, percebi tal coação com outros passageiros menos esclarecidos.

Voltar à Nova Iorque depois dos atentados foi com conhecer uma cidade completamente diferente; a paisagem já não mais mostrava aqueles dois blocos enormes rasgando o céu; ademais, o contingente de polícia nas ruas triplicou; um bucólico espirro de gripe próximo de um policial já o fazia colocar a mão em uma arma; a coisa nos dias seguintes às emboscadas passaram do plausível para a fobia; eles sabiam que um tipo de célula criminosa, capaz de organizar tamanha audácia, não estaria completamente esfacelada; e novos ataques poderiam ocorrer a qualquer momento, sem aviso prévio...

O mundo virou os olhos não somente para Bin Laden, mas também para todos os mulçumanos, como se eles, de forma generalizada, fossem todos culpados. Mesquitas foram atacadas por vândalos e seus líderes humilhados publicamente; até aquele meu amigo, Simon Skaf, que não é mulçumano e que jamais nutriu qualquer sentimento destemperado contra os EUA ou riu dos atentados, era apelidado por alguns como Bin Laden.

Anos depois quando eu visitei a Tríplice Fronteira na região de Foz do Iguaçu, reduto mássico de mulçumanos, a tensão era forte e visível. Pessoas falavam de comandos americanos para descobrir células terroristas naquela região, uma região que faz parte do Brasil; tudo isso e muito mais que não sabemos decorreu daquele ataque às Torres Gêmeas; e pelo visto ainda vai durar muito tempo, pois a ferida insiste em não cicatrizar; e o que é pior, com dor perpétua!

11 de setembro na história nos remetem a inusitadas lembranças; o escocês William Wallace derrotou os ingleses numa das batalhas pela independência em 1297 e no Chile morreu Salvador Allende em 1973. Muito mais do que uma simples data é um registro histórico da prova que a intolerância religiosa por parte de radicais somente nos atordoa com o mais violento ópio; aquele que nos desliga de uma realidade que cega, emudece e ensurdece; uma realidade louca que faz com que homens matem homens, irmãos matem irmãos e tudo tenta transformar este inferno que chamamos de mundo num inferno ainda pior.

Minha singela mensagem é ainda mais simples do que meu conhecimento restrito, mas que me faz pensar e acreditar piamente, que Jesus Cristo, Maomé, Buda, Salomão, Moisés ou qualquer outro totem que tenha formado uma religião, acaso fossem vivos hoje; estariam envergonhados; e prestes e cometer suicídio, porque ao que sabemos, não foi nada disso que eles deixaram como legado. A ignorância, a prepotência e o desrespeito ao que seus iguais pensam ou agem, somente formarão novos e criminosos Bin Laden; gente que vive apenas para a perpetuação do ódio e que ainda deixarão muito mais marcas sangrentas como as de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Exceto os terroristas, quem morreu naquela cilada, estava trabalhando ou indo visitar alguém; quem matou não! Os assassinos eram desocupados patrocinados por uma quadrilha internacional que vive do crime, à margem da Lei e a mercê da sorte. Quem morreu merece ter afixado no panteão dos heróis os seus nomes, mas quem matou ou contribuiu com os fatos merece o desprezo completo da história e o repúdio formal internacional; merecem a condenação da Corte Internacional por crimes contra a humanidade, para que todas as suas futuras gerações, amigos e simpatizantes saibam o que fizeram e como contribuíram para esta baderna.

Osama Bin Laden morreu antes mesmo de ver completar 10 anos a sua estratégia maléfica, mas seus seguidores estão vivos e ativos; eles são o próprio Bin Laden que permanece vivo nas cabeças e corações de toda esta escória que envergonha o verdadeiro islã; o islã das orações de paz, aqueles que convivem pacificamente com judeus, cristãos e ateus.

Que Deus tenha piedade dos infames, dos tiranos e dos radicais que pensam serem eles os próprios Deuses...


Carlos Henrique Mascarenhas Pires



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